Barrada no Panamá, imigrante mora em aeroporto há 6 meses e espera documentos para rever filho
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O caso de Fatmata Sesay expõe o abandono institucional de uma migrante vulnerável pelo poder público brasileiro. Mesmo com visto regular e em situação de pobreza, ela passou seis meses dormindo num aeroporto enquanto governos municipal, estadual e federal falharam em prestar assistência. Coube ao Ministério Público e à Justiça Federal forçar o Estado a cumprir seu dever de proteção, num exemplo de como migrantes e pessoas em vulnerabilidade ficam à margem das políticas de acolhimento.
Fatmata Sesay, 57 anos, cidadã de Serra Leoa com visto brasileiro de imigrante regular, vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém. Ela tentou viajar ao Panamá para reencontrar o filho, mas foi barrada por não cumprir exigências legais do país e teve o passaporte retido.
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Esquerda e direita reconhecem os fatos centrais: Fatmata Sesay é migrante regular, foi deportada do Panamá por não cumprir exigências legais e vive há seis meses no aeroporto de Belém. Todos os lados registram a decisão judicial e a atuação do Ministério Público para viabilizar a viagem.
Uma cidadã de Serra Leoa, Fatmata Sesay, de 57 anos, vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém. Ambulante que morava em São Paulo e tem visto brasileiro de imigrante regular, ela tentou viajar ao Panamá em busca do filho, mas foi barrada por não cumprir as exigências legais do país, teve o passaporte retido e acabou deportada de volta à capital paraense. Desde dezembro de 2025, dorme nas dependências do terminal.
A cobertura de centro relatou os fatos com base nas notas oficiais. A Justiça Federal determinou que o governo do Pará e o Ministério das Relações Exteriores assegurem assistência consular para regularizar a documentação necessária à viagem. O Ministério Público do Pará chegou a comprar uma passagem ao Panamá para a segunda-feira, dia 22, mas o embarque foi adiado. Segundo o promotor Nadilson Portilho Gomes, ainda faltavam documentos e vacinação. O novo passaporte de Fatmata já foi emitido, mas restam atualizar a carteira de vacinação e obter comprovante de renda e vistos antes de remarcar a viagem.
Veículos de esquerda enfatizaram o ângulo da vulnerabilidade social e da falha do Estado. O Ministério Público Federal, que também atua no caso, classificou a situação como abandono institucionalizado e pediu à Justiça Federal multa de R$ 170 mil aos governos municipal, estadual e federal por omissão no atendimento a migrantes. Nessa leitura, foi preciso a intervenção do Ministério Público e do Judiciário para que o poder público cumprisse seu dever de proteção a uma pessoa pobre e em situação de rua.
Veículos de direita, e as próprias notas dos órgãos, oferecem um contraponto. A origem do impasse foi uma decisão individual: o próprio promotor relata que Fatmata comprou a passagem sem observar as exigências legais do Panamá e por isso foi deportada. A concessionária Norte da Amazônia Airports afirma ter acionado os órgãos públicos assim que soube do caso e diz que, por limitações legais, não pôde ir além das medidas de suporte já adotadas. O governo estadual afirma ter atendido a imigrante em diferentes ocasiões. A Prefeitura de Belém informa que ela faz as refeições diárias no centro de atendimento à população de rua, foi incluída no CadÚnico e recebe Bolsa Família, mas se recusa a ir ao acolhimento noturno oferecido.
O que ainda não se sabe: o Itamaraty, procurado, não havia se manifestado até a publicação. Também não estão esclarecidas a situação do filho que ela busca no Panamá, a data efetiva em que a viagem poderá ocorrer e como a Justiça vai decidir sobre o pedido de multa aos três níveis de governo.
Fatmata Sesay, de Serra Leoa, dorme no aeroporto de Belém desde dezembro e tenta obter documentos para viajar ao Panamá.

