O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou na sexta-feira, 26 de junho, uma nova arte de passaporte americano comemorativo que traz a sua própria imagem. A peça é uma edição limitada ligada às celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, marcados em 2026. A divulgação foi feita pela rede social Truth Social, do próprio presidente, e depois replicada pela conta oficial da Casa Branca no X.
Na publicação, Trump escreveu que o novo passaporte diz a frase 'Bem-vindo, mas comporte-se'. A imagem mostra o presidente inclinado sobre a Mesa Resolute, o histórico móvel do Salão Oval, com o texto original da Declaração de Independência ao fundo e a assinatura dele na parte inferior da página. Na página oposta, o modelo reproduz a pintura 'A Declaração de Independência', do artista John Trumbull, que retrata a cena associada à fundação do país.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma descritiva e atribuída. Segundo essa apuração, a Casa Branca, ao ser questionada se a imagem mais recente era a versão oficial dos passaportes comemorativos, encaminhou as perguntas ao Departamento de Estado, que foi procurado para comentar. Essa cobertura também registrou que o documento, de edição limitada, havia sido anunciado pela primeira vez em abril, descrito como um passaporte com arte personalizada e imagens aprimoradas nas capas e nas páginas internas. Uma autoridade ouvida na ocasião afirmou que o modelo seria o padrão emitido pela Agência de Passaportes de Washington para quem renovasse o documento presencialmente naquele local, enquanto as opções online manteriam o desenho atual. O design vigente exibe uma pintura de Percy Moran e versos do hino nacional.
É na interpretação do gesto que as coberturas divergem. Veículos de esquerda enfatizaram o tom da iniciativa, classificando a imagem como ameaçadora e usando aspas irônicas na palavra 'comemorativo'. Para essa leitura, inserir a própria figura em um documento oficial do Estado, somada a episódios anteriores como a ideia de uma nota de US$ 250 com o rosto do presidente, configura personalização do poder e um culto de personalidade que mistura a pessoa de Trump com as instituições públicas. A frase 'Bem-vindo, mas comporte-se' é lida nesse enquadramento como mensagem intimidatória dirigida a estrangeiros.
Na chave oposta, uma leitura à direita tende a destacar o caráter patriótico do gesto, a celebração de uma data histórica e o tom firme da mensagem como afirmação de soberania e de ordem nas fronteiras, combinando a imagem do presidente com os símbolos fundadores da nação.
O que ainda não se sabe é se a arte divulgada por Trump é, de fato, a versão oficial e definitiva do passaporte comemorativo. A Casa Branca não confirmou diretamente e remeteu a decisão ao Departamento de Estado, que até a publicação das matérias não havia respondido. Também permanece sem detalhamento o cronograma de emissão e a abrangência do novo modelo além das renovações presenciais em Washington.