Rodrigo Paz obtém aval do Congresso boliviano para acionar militares
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Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- Mais de 80 bloqueios em rodovias travam abastecimento e circulação na Bolívia, país vizinho e fornecedor histórico de gás natural ao Brasil.
- Sob estado de exceção, a liberdade de mobilização pode ser restringida e os militares atuam com presunção de legalidade.
- A reivindicação central das ruas é reajuste salarial de 20% para compensar a alta da gasolina e o desabastecimento.
Onde os lados divergem
- Esquerda trata a medida como militarização de um conflito social e vê na presunção de legalidade dos militares uma blindagem prévia contra responsabilização.
- Direita trata a mesma medida como restabelecimento da livre circulação e da autoridade legal do Estado, aprovada por via parlamentar.
- Esquerda aponta austeridade como causa da revolta; direita aponta a herança de escassez de dólares e queda das exportações de gás.
Onde os lados concordam
Todos os lados registram os mesmos fatos centrais: a lei passou por Senado e Câmara, autoriza o emprego das Forças Armadas para desobstruir rodovias, e os protestos duram mais de um mês, motivados por uma crise econômica agravada pelo fim dos subsídios aos combustíveis.
A Bolívia entra no segundo mês de bloqueios em rodovias com uma nova ferramenta legal nas mãos do presidente Rodrigo Paz: uma lei aprovada por Senado e Câmara que autoriza o emprego das Forças Armadas para desobstruir as vias. O governo avalia ainda decretar estado de exceção, capaz de restringir a liberdade de mobilização.
O Congresso da Bolívia aprovou no domingo, 7 de junho de 2026, uma lei que autoriza o presidente Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, a recorrer às Forças Armadas para desbloquear rodovias ocupadas por manifestantes que pedem sua renúncia. O texto já havia passado pelo Senado boliviano e recebeu o aval da Câmara dos Deputados depois de uma sessão de quinze horas. Ao encerrar a votação, o presidente da Câmara, Roberto Castro Salazar, declarou que a lei estava sancionada e seria remetida ao Poder Executivo para fins constitucionais.
A norma abre caminho para um passo adicional que o governo ainda avalia: a decretação de estado de exceção. A medida ampliaria os poderes do Executivo para empregar tropas e permitiria restringir direitos como a liberdade de mobilização. Um dos artigos estabelece que, durante o estado de exceção, os militares terão presunção de legalidade e que o próprio governo assumirá a responsabilidade pelo uso da força em situações de conflito.
Os protestos começaram em 1º de maio de 2026 e se espalharam por várias regiões, com mais de 80 bloqueios em rodovias e líderes das manifestações presos. Participam das mobilizações sindicatos ligados à Central Operária Boliviana, além de mineiros, professores e produtores rurais. Os manifestantes atribuem a paralisação à crise econômica, descrita como a pior do país em décadas, e afirmam que a recessão foi agravada pelas medidas de austeridade adotadas depois de 20 anos de governos de esquerda. Rodrigo Paz foi eleito em 19 de outubro de 2025, ao derrotar Jorge Tuto Quiroga, da Aliança Livre, no segundo turno, e herdou uma economia já fragilizada pela escassez de dólares e pela queda nas exportações de gás natural. O fim dos subsídios aos combustíveis, mantidos por mais de duas décadas, elevou o preço da gasolina e foi seguido de desabastecimento, filas e inflação. A população passou a exigir reajuste salarial imediato de 20%, e a reclassificação de pequenas propriedades rurais na reforma agrária mobilizou comunidades camponesas e indígenas. No mesmo domingo, Paz escreveu em seu perfil em rede social que não permitirá que os interesses do narcoterrorismo destruam a democracia boliviana, e agradeceu o apoio dos Estados Unidos.
Os pontos factuais acima aparecem de forma convergente na cobertura disponível. As divergências estão no recorte. Veículos de esquerda destacaram a autorização em si, ou seja, o fato de o Legislativo liberar o emprego de militares contra manifestantes num conflito que dura mais de um mês, e situaram a crise como consequência do corte de subsídios sobre trabalhadores organizados e comunidades rurais. A cobertura de centro relatou o trâmite com atribuição direta, detalhou o conteúdo dos artigos da lei e organizou a crise econômica em quatro eixos: fim dos subsídios, desabastecimento e inflação, pressão salarial e reforma agrária. Veículos de direita não produziram cobertura própria sobre o episódio até o momento; a leitura provável desse campo enfatizaria a paralisia econômica causada por mais de 80 bloqueios, o direito de ir e vir de quem não protesta e o fato de a autorização ter vindo das duas Casas do Congresso, e não de um decreto isolado do Executivo.
Fontes
Manifestantes protestam há mais de um mês por causa da crise econômica e pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Leia no Poder360.
