O Congresso da Bolívia autorizou o presidente Rodrigo Paz a recorrer às Forças Armadas para desbloquear vias interditadas por manifestantes. A medida foi tomada em meio a uma onda de protestos que já dura mais de um mês e tem como pano de fundo a crise econômica que atinge o país. Parte dos manifestantes pede a renúncia do presidente.
Os bloqueios de estradas vêm afetando a circulação de pessoas e mercadorias em diferentes regiões da Bolívia. Diante da paralisação, o Legislativo deu aval para que o Executivo empregue militares na desobstrução das vias, transferindo para as Forças Armadas uma tarefa que normalmente caberia às forças de segurança civis.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: o Congresso autorizou o uso de militares, os protestos se estendem há mais de um mês e a motivação central é a crise econômica, com pedidos de renúncia do presidente Rodrigo Paz. Veículos de esquerda destacaram o caráter prolongado das manifestações e o peso da crise econômica sobre a população, contexto em que o recurso à força militar para conter protestos tende a ser lido como militarização da resposta a demandas sociais legítimas. Já a leitura que veículos de direita costumam enfatizar nesse tipo de situação valoriza o restabelecimento da ordem pública e o direito de ir e vir, vendo na decisão do Congresso uma resposta institucional a bloqueios que paralisam a economia.
O que ainda não se sabe é o detalhamento dos termos da autorização legislativa, o alcance e as regras de emprego das Forças Armadas, a duração prevista da medida e quais as reações concretas das lideranças dos protestos e da oposição. Também não há, no material disponível, números sobre a extensão dos bloqueios nem sobre eventuais negociações entre o governo e os manifestantes.