O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil não fará qualquer concessão em relação ao Pix diante da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação, o ministro disse que o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central é um pilar da economia nacional e que o governo seguirá dialogando com Washington sem abrir mão de defendê-lo.
A investigação é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, e questiona um conjunto de práticas brasileiras: comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, etanol, tarifas preferenciais e questões ambientais. No caso específico do Pix, as autoridades norte-americanas sustentam que o sistema, por ser criado e operado pelo Banco Central, conferiria vantagem indevida frente a empresas privadas de pagamento. O governo brasileiro rejeita essa interpretação. O processo prevê manifestações públicas até 1º de julho, audiência em 6 de julho e uma decisão sobre eventual resposta comercial em 15 de julho. Entre os participantes esperados na audiência está o senador Flávio Bolsonaro, que pediu autorização para falar contra uma possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Veículos de esquerda destacaram a defesa do Pix como questão de soberania, apresentando o sistema como bem público que ampliou o acesso da população a pagamentos gratuitos e instantâneos. Nessa leitura, a pressão dos Estados Unidos atenderia a interesses de grandes empresas privadas de pagamento, e a cobertura ecoa a acusação do presidente Lula de que Flávio Bolsonaro e o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro teriam estimulado autoridades estadunidenses a adotar medidas contra interesses brasileiros. A possibilidade de novas tarifas foi anunciada um dia após Flávio Bolsonaro se reunir com o presidente Donald Trump.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram o risco econômico concreto de uma sobretaxa de 25% e o movimento do senador para se manifestar contra a medida e em defesa dos exportadores, reduzindo a associação de sua imagem às tarifas. A cobertura de direita também acompanhou, em paralelo, o caso do ministro Marco Buzzi, afastado do Superior Tribunal de Justiça por suspeita de assédio sexual, cuja defesa levantou registros de catracas, mensagens e vídeos de sessões para apontar contradições nos depoimentos de vítimas e testemunhas, com julgamento previsto para o segundo semestre.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: a posição oficial do ministro, o calendário do processo no USTR e as medidas econômicas em estudo, como o programa Brasil Soberano 2, a ampliação de linhas de crédito e a diversificação de mercados compradores. Ainda não se sabe se os Estados Unidos efetivamente imporão a tarifa, qual será o desfecho da audiência de 6 de julho e como o setor privado de pagamentos eletrônicos citado pelo USTR avalia o Pix, pontos que nenhuma das reportagens detalha.