O candidato à Presidência Ronaldo Caiado, do PSD, negou nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, que exista qualquer negociação para tirar Romeu Zema, do Novo, da corrida presidencial. “De maneira alguma. Não existe qualquer fala nesse sentido. Eu respeito meu colega, ex-governador de Minas Gerais, Zema, e não existe nenhuma conversa nesse sentido”, afirmou o ex-governador de Goiás, em São Paulo, antes de participar de um fórum com candidatos à Presidência e ao governo paulista promovido pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, a ABDIB.
A negativa responde a relatos segundo os quais aliados de Caiado teriam admitido tratativas entre integrantes do PSD e do Novo. Pela hipótese descrita por esses interlocutores, Zema deixaria a disputa pelo Palácio do Planalto, concorreria a uma vaga no Senado por Minas Gerais e passaria a apoiar o candidato do PSD. Procurada, a equipe de Zema também descartou o cenário e afirmou que a chance de desistência é “zero, zero”.
Os pontos factuais em que a cobertura converge são poucos e claros. Caiado tem como vice Gilberto Kassab, presidente do PSD, e não fechou apoios formais até agora. Zema tem como vice Eduardo Girão, também do Novo, e está na mesma situação. Dois dias antes, no domingo, 23 de agosto, Caiado havia criticado a ausência do adversário em um debate presidencial e dito que aquela postura só poderia ser explicada pela hipótese de o candidato do Novo estar renunciando à campanha, embora afirmasse desconhecer planos nesse sentido. É esse antecedente que dá contexto à pergunta feita ao pessedista e à negativa desta terça-feira.
A cobertura de centro tratou o caso como episódio de apuração em curso e foi a que mais insistiu no contraditório: reproduziu a negativa de Caiado por extenso, procurou a equipe de Zema e registrou o desmentido do lado citado, além de anotar que nenhuma das duas chapas fechou alianças. Parte dessa cobertura também registrou, sem adjetivar, a defesa que Caiado fez no mesmo evento da participação da iniciativa privada na expansão da geração de energia, com a afirmação de que o Brasil é hoje a maior fonte de energia renovável do mundo e a comparação entre o número de hidrelétricas brasileiras e chinesas.
Veículos de direita mantiveram o foco na disputa entre as duas candidaturas e no relato das tratativas atribuído a aliados, encadeando a negativa com a cobrança anterior pela ausência de Zema no debate. Nesse enquadramento, o que está em jogo é a fragmentação do campo que se apresenta como alternativa ao governo e a exigência de que os candidatos apareçam nos confrontos públicos, e não a legitimidade da negociação em si.
Até o momento não há cobertura própria de veículos de esquerda sobre o episódio. A leitura previsível desse campo, a partir dos mesmos fatos, seria a de que a montagem de candidaturas se decide em conversas de cúpula partidária, com cargos usados como contrapartida, e que o eleitor fica de fora de uma escolha feita entre direções de partido. Nada disso foi afirmado por nenhum veículo neste caso, e a distinção precisa ser mantida.
O que ainda não se sabe pesa mais que o já apurado. Não há identificação pública dos aliados que teriam admitido as tratativas, nem confirmação de que a conversa tenha existido em nível de direção partidária. Também não se sabe se houve contato direto entre Caiado e Zema, se o PSD apresentou alguma contrapartida formal e em que prazo uma eventual mudança de candidatura ainda seria possível dentro das regras eleitorais. Com as duas campanhas negando, o assunto permanece no terreno do relato de bastidor.