O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, prometeu nesta sexta-feira (10) usar a experiência acumulada como governador de Goiás no combate ao crime organizado para "alforriar" as favelas do Rio de Janeiro dominadas pelo narcotráfico. Em reunião fechada com empresários fluminenses, ele afirmou que vai "colocar na grade" os criminosos e libertar as comunidades hoje "sequestradas" pelo tráfico, repetindo a frase de uma médica ouvida em um encontro em Teresópolis sobre a espera por uma intervenção das forças de segurança.
A cobertura de centro, representada pelo g1, relatou o discurso de forma factual e acrescentou contexto eleitoral: Caiado confirmou apoio à candidatura de Eduardo Paes ao governo do Rio de Janeiro e disse que "todos os espaços estão abertos" para negociações políticas, inclusive com o deputado Aécio Neves, que teve confirmada pelo PSDB, na véspera, a decisão de não disputar as eleições de 2026. A convenção do PSD, que deve orientar os próximos passos da pré-campanha presidencial de Caiado, está marcada para o dia 26 deste mês.
Já veículos de direita, como O Antagonista, deram mais destaque à disputa interna do campo conservador: Caiado reagiu à possível decisão da federação União Brasil e Progressistas de não formalizar apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, escrevendo nas redes que "o barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora". A reportagem ainda cita que o Progressistas teria demonstrado insatisfação após uma operação da Polícia Federal mirar o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira, e destaca a ausência de manifestação pública de apoio por parte de Flávio.
Uma leitura de esquerda sobre esse tipo de discurso, ainda sem cobertura direta identificada na imprensa progressista sobre o episódio, tenderia a questionar o uso do termo "alforriar", historicamente associado à abolição da escravidão, para descrever uma política de segurança pública, e a cobrar detalhamento sobre como a promessa se traduziria em ações concretas de Estado, em vez de se limitar a uma retórica de confronto armado contra o tráfico.
O que ainda não está claro é o desenho prático do plano de segurança que Caiado promete aplicar nas favelas cariocas, nem se a federação União Brasil e Progressistas vai de fato romper com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ou apenas liberar os diretórios estaduais para apoiar candidatos distintos em cada estado. Também não há confirmação sobre eventuais conversas entre Caiado e Aécio Neves em busca de apoio à candidatura presidencial do PSD.