Campanha de Flávio Bolsonaro aciona TSE contra boato sobre padroeira do Brasil
1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- CNN BrasilCampanha de Flávio aponta que ‘Dilma Bolada’ começou boato sobre padroeiraA equipe do presidenciável do PL avalia que agora conseguiu conter o desgaste inicial, apesar do tema ainda ter força em postagens da esquerda, e vê um alcance limite para a candidatura de Flávio(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- Decisão do Tribunal Superior Eleitoral, pelo ministro André Mendonça, manda derrubar as publicações falsas e impedir novas, em plena campanha presidencial.
- Um servidor da Secretaria de Comunicação Social da Presidência pode ser alvo de prisão preventiva e busca e apreensão por uma republicação em perfil pessoal.
- Os donos de 29 perfis listados no monitoramento são alvo de notícia-crime por divulgação de fato sabidamente inverídico em período eleitoral, incitação ao crime e associação criminosa.
- O feriado de 12 de outubro e o eleitorado católico entram no centro da disputa eleitoral de 2026.
Onde os lados divergem
- A cobertura de centro trata o levantamento como alegação da campanha e reproduz a resposta do Governo Federal, que fala em pedido de prisão arbitrário e em censura.
- Veículos de direita adotam o monitoramento como constatação e afirmam que houve campanha estruturada de uma rede governista, sem contraponto do governo.
- A trajetória passada do criador do perfil Dilma Bolada é usada pela direita como contexto desqualificante; a cobertura de centro a apresenta apenas como histórico.
- Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso, e o contraponto disponível vem da nota oficial da Presidência e da réplica do próprio influenciador.
Onde os lados concordam
Toda a cobertura trata como falsa a informação de que Flávio Bolsonaro pretenderia retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida, registra que o projeto de lei usado como prova foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008 sem ligação com o candidato, e confirma que o Tribunal Superior Eleitoral determinou a retirada das publicações do ar.
O que ainda está incerto
- Não há decisão do procurador-geral eleitoral sobre a notícia-crime nem do Tribunal Superior Eleitoral sobre o pedido de prisão preventiva.
- Nenhuma verificação independente comprova combinação prévia entre os perfis: a tese de coordenação se apoia em levantamento da própria campanha.
- Não se sabe quantas das mais de mil publicações determinadas para remoção saíram efetivamente do ar, nem qual foi o alcance total da desinformação.
Monitoramento apresentado pela campanha do candidato do Partido Liberal à Presidência aponta o criador do perfil Dilma Bolada como autor da primeira publicação que ligou Flávio Bolsonaro à falsa retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. O caso já rendeu decisão no Tribunal Superior Eleitoral, notícia-crime contra 29 perfis e pedido de prisão de um servidor do Planalto.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência da República, apresentou à Justiça Eleitoral um monitoramento de redes sociais que aponta o influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, criador do perfil de paródia Dilma Bolada, como autor da primeira publicação a associar o candidato à informação falsa de que ele pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Segundo o levantamento, a postagem foi feita às 21h50 de quarta-feira, 23 de setembro, e continuava no ar no sábado seguinte. Nela, o influenciador escreveu que católico não vota em nenhum Bolsonaro nem em candidato que queira retirar o título de padroeira e rainha do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
A cronologia reconstruída pela equipe do candidato é o eixo de toda a cobertura. Seis minutos após a primeira mensagem, outro usuário afirmou que o senador, se eleito, enfrentaria pressão de uma ala de apoiadores evangélicos para mudar o título da santa. No dia seguinte, um comentário veiculado em canal de televisão sustentou que haveria um grupo evangélico mobilizado nesse sentido, e a emissora se retratou horas depois. Ainda assim, dois posts que ligavam o candidato ao conteúdo somaram mais de 2 milhões e mais de 2,4 milhões de visualizações em menos de 24 horas. A desinformação também passou a citar um projeto de lei que trocaria a expressão padroeira do Brasil por padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos, texto apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado Victório Galli e arquivado em agosto de 2008, por falta de amparo constitucional segundo o relator na época, sem qualquer envolvimento de Flávio Bolsonaro.
Toda a cobertura converge em três pontos: a informação é falsa, o projeto de lei usado como prova está arquivado há quase duas décadas, e a campanha obteve no Tribunal Superior Eleitoral, pelo ministro André Mendonça, decisão para tirar do ar as publicações e barrar novas. Também há convergência sobre o desdobramento mais duro do caso: a equipe jurídica do candidato protocolou notícia-crime junto ao procurador-geral eleitoral contra os donos dos perfis e pediu prisão preventiva e busca e apreensão contra George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que teria republicado post orientando a ignorar a retratação e a manter a mentira circulando no interior do Nordeste e do Norte.
A cobertura de centro relatou o episódio mantendo distância entre a tese da campanha e o fato verificado, sempre atribuindo as conclusões ao monitoramento encomendado pela própria equipe do candidato, e reproduziu a resposta oficial do Governo Federal, para quem as alegações não procedem, a republicação do servidor ocorreu em perfil particular, fora do expediente e com equipamento próprio, e o pedido de prisão de um cidadão é injusto e arbitrário. Nessa leitura aparece ainda a avaliação interna da campanha de que o desgaste inicial foi contido, embora o tema siga com força em postagens críticas ao candidato.
Veículos de direita enfatizaram a tese da coordenação. Nessa chave, o intervalo de seis minutos entre a primeira e a segunda publicação, o uso de imagem gerada por inteligência artificial e a lista de 29 perfis identificados demonstram uma campanha estruturada de propagação de notícias falsas, tocada por uma rede alinhada ao governo federal, com um militante responsável por 12 publicações distorcidas mesmo depois dos desmentidos. A trajetória do criador do perfil também é acionada como contexto desqualificante, da atuação pela reeleição de Dilma Rousseff em 2014 à demissão de cargo na Empresa Brasil de Comunicação em agosto de 2023. Para os advogados, a conduta do servidor do Planalto configura divulgação de fato sabidamente inverídico em período eleitoral, incitação ao crime e associação criminosa.
Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do episódio até o momento. O contraponto que ocuparia esse espaço está registrado na manifestação do Governo Federal, que fala em patrulhamento e censura impostos à população a pedido do candidato, e na réplica do próprio influenciador, que reafirmou o teor da sua postagem e pediu que alguém aponte onde estaria a informação falsa na mensagem publicada.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há decisão do procurador-geral eleitoral sobre a notícia-crime nem do Tribunal Superior Eleitoral sobre o pedido de prisão preventiva do servidor.
Fontes

A equipe do presidenciável do PL avalia que agora conseguiu conter o desgaste inicial, apesar do tema ainda ter força em postagens da esquerda, e vê um alcance limite para a candidatura de Flávio

Publicitário por trás de perfil governista fez publicação, na noite do dia 23, associando família Bolsonaro a plano de retirar título de padroeira do Brasil de santa católica. Reportagem não localizou Jeferson Monteiro; em rede social, ele reafirmou o teor da publicação e acrescentou: ‘quero que alguém me aponte onde está a informação falsa nesta mensagem’