Até o momento, apenas um veículo, de enfoque centrista, cobriu o caso, relatando que as equipes jurídicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) vão tentar costurar um consenso para propor ao Tribunal Superior Eleitoral uma solução conjunta contra irregularidades na campanha feita pelas redes sociais. Os dois candidatos disputam o segundo turno da eleição presidencial no dia 25 de outubro.
Segundo o relato, as equipes tiveram uma audiência com o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, da qual participaram também a ministra Estela Aranha e os ministros André Mendonça e Marco Aurélio Bellizze. Os advogados dos candidatos devem ainda se reunir entre si para tratar do assunto. O objetivo é buscar caminhos para regulamentar o uso dos canais de WhatsApp, com foco na atuação das plataformas para moderar publicações, coibir o impulsionamento irregular e evitar a disseminação de fake news.
A audiência ocorreu na esteira de uma guerra de liminares entre Kassio e o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, sobre o canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG). Kassio havia determinado o registro formal do canal no tribunal. Ele afirmou ver "traços incontroversos" de que Janones atua em coordenação com a campanha presidencial e disse que, embora ainda não fosse possível afirmar que o canal seja uma "tropa digital substancialmente dedicada à desinformação", sua estrutura remete a isso, o que exigiria atuação preventiva. A decisão levou em conta relatório da área técnica do tribunal, segundo o qual mensagens veiculadas entre 25 e 29 de setembro foram apagadas ou editadas a partir de 7 de outubro. Em dossiê enviado à corte, a campanha de Flávio contabilizou 499 mensagens apagadas, três delas já classificadas pelo tribunal como fake news, com ordem de remoção.
O relato também registra que a campanha de Lula registrou o canal no tribunal, exigência feita por Kassio para que ele voltasse a funcionar. O presidente do PT, Edinho Silva, disse que a medida foi tomada para o canal não cair, mas que a iniciativa de Janones é autônoma e desvinculada da campanha. A equipe jurídica de Janones recorreu a Cueva para que o grupo não seja reconhecido como oficial da campanha de Lula e alegou que Kassio não é o magistrado competente. Em entrevista coletiva, Janones afirmou que Flávio está desesperado porque perdeu terreno nas redes sociais. A atividade oficial do canal só vale 48 horas após o registro, conforme resolução do tribunal.
Ao abrir a sessão da corte eleitoral, Kassio fez um apelo por menos judicialização e disse que o número de ações em 2026 já supera em 267% o das eleições passadas no mesmo período. Parabenizou os jurídicos das campanhas pela cooperação e afirmou que os participantes concordaram em "muitos pontos" sobre o aperfeiçoamento do processo eleitoral, sem dar detalhes.
Por ser cobertura de fonte única, não há como comparar enquadramentos entre veículos de esquerda e de direita. O que ainda não se sabe é o conteúdo concreto da proposta conjunta, quais pontos teriam recebido a concordância citada por Kassio, se o tribunal vai adotar regras novas antes do segundo turno e como Cueva decidirá o recurso da equipe de Janones.