Candidato que teve vídeo íntimo vazado declara R$ 4 milhões em bens
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Com o fim do prazo de registro de candidaturas para as eleições de 2026, às 19h do sábado 15 de agosto, as declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ficaram disponíveis para consulta pública na plataforma Divulgacand. O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) declarou R$ 52,56 milhões e seu vice, Gilberto Kassab (PSD), R$ 21 milhões, somando R$ 73,5 milhões na chapa. Entre os candidatos ao Senado, Marina JHC (PSDB), de Alagoas, declarou R$ 47 milhões, com 89% em participações societárias; Lahesio Bonfim (Novo), do Maranhão, informou R$ 3,68 milhões; e Túlio Gadêlha (PSD), de Pernambuco, R$ 1,31 milhão. Nas disputas estaduais, JHC (PSDB) declarou R$ 2,24 milhões para o governo de Alagoas e Daniel Santos (Podemos), R$ 4 milhões para o governo do Pará. As variações em relação a pleitos anteriores foram para cima na maioria dos casos e para baixo no do candidato do Novo.
A abertura das declarações de bens no fim do prazo de registro expõe a distância entre quem disputa o poder e quem vota. A chapa presidencial de Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab soma R$ 73,5 milhões, mais que o dobro do patrimônio informado por Caiado em 2022, com um rebanho avaliado em R$ 10,49 milhões e R$ 36,21 milhões em imóveis, num país onde o salário mínimo mede a vida da maioria.
As declarações entregues ao Tribunal Superior Eleitoral no fechamento do registro são instrumento de accountability, e o dado relevante não é a riqueza em si, mas a variação do patrimônio de quem vive de mandato.
8 fontes políticas
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Todos os lados tratam como fato que as declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral no fechamento do prazo de registro são públicas, autodeclaratórias e comparáveis com as de pleitos anteriores, e que os valores informados neste ciclo variam de candidatos sem bens a chapas que somam dezenas de milhões de reais.
O fim do prazo de registro de candidaturas, às 19h de 15 de agosto, tornou públicas as declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral. Os valores vão de candidatos sem patrimônio algum à chapa presidencial de Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, que soma R$ 73,5 milhões. Veja o que cada lado da cobertura escolheu destacar.
O prazo para registro de candidaturas às eleições de 2026 terminou às 19h de sábado, 15 de agosto, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e com ele as declarações de bens entregues por candidatos à Presidência da República, ao Senado e aos governos estaduais passaram a ser consultadas na plataforma Divulgacand. Os números publicados nos dias seguintes mostram um retrato bastante desigual entre quem disputa cargos neste ano, com patrimônios que vão de candidatos que informam não ter bem algum a chapas que somam dezenas de milhões de reais.
O maior valor entre os nomes cobertos é o do candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), que declarou R$ 52,56 milhões, mais que o dobro dos cerca de R$ 25 milhões informados em 2022, quando disputou e venceu a eleição para o governo de Goiás. Seu candidato a vice, Gilberto Kassab (PSD), declarou R$ 21 milhões, e a chapa soma R$ 73,5 milhões. Na composição do patrimônio de Caiado aparecem R$ 36,21 milhões em outros bens imóveis, um rebanho avaliado em R$ 10,49 milhões, R$ 4,29 milhões em aplicações e investimentos e itens menores, como uma casa de R$ 70 mil e um veículo de R$ 7,1 mil.
Nas disputas pelo Senado, os valores variam de forma acentuada. Marina JHC (PSDB), candidata por Alagoas e estreante em eleições, declarou R$ 47.041.164,18, dos quais R$ 42 milhões, cerca de 89% do total, correspondem a participações societárias. No Maranhão, Lahesio Bonfim (Novo) informou R$ 3.677.655,55, valor R$ 936.982,27 menor do que o declarado em 2022, com a Fazenda Água Bonita avaliada em R$ 1,25 milhão e um rebanho que subiu de 214 para 400 cabeças enquanto o valor declarado caiu de R$ 642 mil para R$ 435 mil. Em Pernambuco, o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) declarou R$ 1.312.352,16, alta de 148% em relação a 2022, sendo que em 2012, 2014 e 2018 ele havia informado não ter bens a declarar. Nas disputas estaduais, JHC (PSDB) declarou R$ 2.244.732,19 para o governo de Alagoas, 20,8% acima de 2024, e Daniel Santos (Podemos) informou R$ 4 milhões para o governo do Pará, enquanto sua mulher, a deputada federal Alessandra Harber (Podemos), declarou R$ 2,6 milhões.
A cobertura de centro tratou o assunto como prestação de contas, discriminando bem a bem, calculando a variação em relação a pleitos anteriores e registrando quando houve ou não resposta dos candidatos: a campanha de Túlio Gadêlha afirmou em nota que o patrimônio é compatível com os rendimentos recebidos no período de mandato, e a candidata alagoana foi procurada e não respondeu até a última atualização das reportagens.
As divergências aparecem na escolha do que enfatizar. Veículos de esquerda deram destaque ao caso paraense, ligando a declaração de R$ 4 milhões ao vazamento de vídeo íntimo do candidato em julho, à decisão de uma juíza auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral do Pará que determinou à Meta a exclusão de sete publicações no Instagram e à manutenção das candidaturas do casal pelo partido, num enquadramento de escrutínio moral e patrimonial dos que disputam o poder. Veículos de direita concentraram a cobertura na chapa presidencial, detalhando a origem produtiva do patrimônio declarado, registrando o crescimento de 111% desde 2022 sem tratá-lo como suspeita e emendando a informação ao plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral, que propõe uma emenda constitucional para acabar com a reeleição no Executivo e a adoção do sistema distrital misto nas eleições legislativas.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma das coberturas explica a origem da valorização patrimonial dos candidatos nem a composição das participações societárias que respondem pela maior parte da fortuna declarada no Senado por Alagoas. Também não há informação sobre eventual questionamento da Justiça Eleitoral quanto à compatibilidade entre renda e bens, nem sobre o prazo em que os registros serão julgados e as candidaturas, deferidas ou indeferidas. Vários candidatos não se manifestaram sobre as variações apuradas, e as declarações permanecem, por ora, autodeclaratórias.
Dados do Divulgacand, do TSE, indicam uma queda de 37% no patrimônio do candidato desde 2022, quando ele foi eleito deputado federal pela quinta vez.

Dados do Divulgacand, do TSE, indicam uma queda de 37% no patrimônio do candidato desde 2022, quando ele foi eleito deputado federal pela quinta vez.

Patrimônio declarado pelo candidato cresceu 20,8% desde 2024. Célia Rocha, candidata a vice na chapa, informou R$ 147,5 mil em bens à Justiça Eleitoral.

Dr. Daniel Santos, candidato do Podemos ao governo do Pará, declarou R$ 4 milhões em bens; sua mulher informou patrimônio de R$ 2,6 milhões

Patrimônio declarado pelo candidato do Novo caiu R$ 936 mil em relação a 2022, quando disputou o governo do Maranhão, mas não foi eleito.

Ronaldo Caiado declara R$ 52,5 milhões em bens ao TSE, alta de 111% desde 2022; Gilberto Kassab informa patrimônio de R$ 21 milhões.

Marina JHC, candidata ao Senado por Alagoas, informou patrimônio de R$ 47 milhões ao TSE, com a maior parte dos bens concentrada em participações societárias e imóveis.

Dados do Divulgacand, do TSE, mostram crescimento de 148% no patrimônio do candidato desde 2022, quando ele foi eleito deputado federal pela segunda vez.

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