Candidatura de Michelle é rejeitada por 82% dos bolsonaristas, aponta pesquisa
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O levantamento Atlas/Bloomberg expõe uma crise interna no bolsonarismo às vésperas da corrida de 2026: mesmo com Michelle Bolsonaro cultivando forte apelo entre mulheres e evangélicos, a base rejeita sua candidatura (82%) e se alinha a Flávio Bolsonaro, senador cujo projeto declarado é blindar a família e emparedar o Supremo. Veículos de esquerda leem o racha como sinal de que o campo conservador se organiza menos em torno de pautas e mais em torno de lealdade pessoal a um ex-presidente em prisão domiciliar. A mesma pesquisa toca no caso do Banco Master e na operação que envolveu o senador Jaques Wagner, tema que a direita tenta usar contra Lula.
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Todos os lados concordam que a pesquisa Atlas/Bloomberg confirma Flávio Bolsonaro como o nome mais forte da direita para 2026 (81,6% dos bolsonaristas) e que Michelle é rejeitada pela própria base após o vídeo em que criticou o enteado.
Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 2 de julho de 2026 mostrou que a maioria dos eleitores bolsonaristas prefere o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, como candidato da direita à Presidência da República em 2026. Segundo o levantamento, 81,6% dos bolsonaristas apontam Flávio como o nome ideal para disputar o Palácio do Planalto, enquanto apenas 14,7% preferem a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O apoio a Flávio é ainda maior entre as mulheres, com 86,9%, do que entre os homens, com 74,9%.
A pesquisa foi realizada logo após a repercussão de um vídeo em que Michelle Bolsonaro criticou o enteado, afirmando ter sido humilhada, tratada com grosseria e desrespeitada durante discussões políticas internas. O levantamento ouviu 4.999 pessoas pela internet entre os dias 26 e 30 de junho de 2026, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
A cobertura de centro relatou os números com paridade. Quando perguntados sobre quem melhor representa as pautas conservadoras na ausência de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, os eleitores de direita citaram Flávio em primeiro lugar, com 48,5%. Em seguida vieram o deputado Nikolas Ferreira, com 19,6%, o pré-candidato Renan Santos, do Missão, com 10,2%, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com 9,4%, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, com 4%, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com 3,7%. Michelle apareceu com apenas 2,9%, superando somente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, com 1,6%.
A percepção sobre o vídeo também dividiu opiniões. Entre todos os entrevistados que assistiram, 51% concordaram com a decisão de Michelle de expor o desabafo, mas, entre os bolsonaristas, 65,6% discordaram da publicação. Para 64,1% dos que viram o vídeo, a exposição do desentendimento enfraquece a candidatura de Flávio.
Veículos de esquerda destacaram que o resultado revela um racha na direita e que o critério dominante entre os bolsonaristas é a lealdade pessoal ao ex-presidente: 95% consideram Flávio leal a Jair Bolsonaro, contra 80% de Michelle. Essa cobertura enfatizou ainda a leitura de que o projeto de Flávio seria voltado a proteger a família e a pressionar o Supremo Tribunal Federal a partir de 2027, e ressaltou que Michelle, mesmo com forte apelo entre mulheres e evangélicos, é preterida pela própria base.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo: a consolidação de Flávio como o nome mais competitivo do campo e a valorização da coesão e da lealdade pela base, que teria reprovado o vídeo de Michelle como uma ruptura desnecessária. Essa cobertura também deu peso à parte da pesquisa sobre o caso do Banco Master, em que 74,3% dos que conhecem a operação acreditam que o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, recebeu vantagens indevidas, dado usado para atingir o entorno do presidente Lula.
O que ainda não se sabe é se o desgaste público entre Michelle e Flávio terá efeito eleitoral duradouro. As matérias registram que ainda é cedo para medir os impactos de longo prazo e que eventuais tentativas de reaproximação entre os dois, além do comportamento das demais lideranças da direita, precisarão ser acompanhados nos próximos meses. Também permanece em aberto se Michelle manterá ou não uma candidatura ao Senado, cenário que aliados admitem estar em revisão.
Apenas 14,7% apoiariam ex-primeira dama em corrida eleitoral; Flávio Bolsonaro conta com suporte de 86,9% de mulheres entre seus eleitores
