A Casa Branca deu aval, nesta sexta-feira (10), para que o Senado dos Estados Unidos avance com um novo projeto de lei que impõe sanções aos hidrocarbonetos produzidos pela Rússia, medida que até então estava bloqueada pelo presidente Donald Trump. O anúncio foi feito em comunicado conjunto pelos senadores Lindsey Graham e Roger Wicker, republicanos, e Richard Blumenthal e Jeanne Shaheen, democratas, que classificaram o acordo como um avanço significativo depois de meses de impasse.
Segundo os parlamentares, a proposta busca elevar o custo para quem compra petróleo e gás russos, recursos que, segundo eles, alimentam a máquina de guerra do presidente Vladimir Putin. Os Estados Unidos haviam suspendido parte das sanções ao petróleo russo, impostas após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, como forma de conter a alta dos preços do barril provocada pelo conflito entre Israel e o Irã. O desbloqueio por parte do Poder Executivo abre caminho para que o texto seja votado pelo Congresso já nas próximas semanas, com apoio bipartidário amplo. Os detalhes específicos das novas medidas, porém, ainda não foram divulgados, e a Casa Branca não respondeu a pedidos de comentário feitos pela agência de notícias France-Presse.
O episódio tem origem na cúpula do G7 realizada na França em meados de junho, quando Trump sinalizou pela primeira vez disposição para restabelecer as sanções às exportações de petróleo russo, revertendo a postura de contenção adotada meses antes.
Veículos de esquerda, como a CartaCapital, e veículos de direita, como a Jovem Pan, publicaram o mesmo despacho da agência internacional AFP, reproduzindo os fatos sem acréscimo de enquadramento ideológico próprio. Ainda assim, a leitura possível de cada lado diverge: a cobertura de esquerda tende a destacar a menção dos próprios senadores ao 'massacre de civis' cometido pela Rússia como justificativa humanitária para a medida, cobrando ação coordenada dos poderes para proteger populações civis. Já a leitura de direita tende a valorizar a eficiência da cooperação bipartidária entre Legislativo e Executivo e o pragmatismo da suspensão anterior das sanções, usada para evitar impacto imediato nos preços de energia. A cobertura de centro, refletida na neutralidade do texto de agência compartilhado pelos dois veículos, limita-se a registrar o acordo político e o histórico de idas e vindas nas sanções, sem atribuir intenção a nenhum dos lados.
Ainda não se sabe quais serão exatamente os termos das novas sanções, nem qual será a resposta do governo russo ao anúncio. Também não está claro se o texto terá tempo de tramitar e ser votado no prazo estimado pelos próprios senadores, nem se a suspensão parcial das sanções sobre o petróleo russo será integralmente revertida ou apenas parcialmente ajustada.