Frederic Kachar é desligado após mensagens com Daniel Vorcaro, do Banco Master
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A leitura de esquerda trata o caso como teste da independência jornalística diante do poder econômico: o problema é a ausência de barreiras claras entre a área comercial e as redações quando um anunciante com muito dinheiro tem acesso direto à direção de veículos.
A leitura de direita destaca o teor pessoal das conversas entre Daniel Vorcaro e Frederic Kachar, com comentários de cunho sexual sobre artistas e convites para festas privadas, e a proximidade entre um banqueiro hoje investigado e um dirigente de um grupo de mídia.
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Nesta matéria: falácia identificada.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revelaram conversas com Frederic Kachar, então diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio de um grande grupo de comunicação. O executivo foi desligado em 15 de outubro de 2026, e a independência editorial entrou em debate.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, expuseram conversas com Frederic Kachar, então diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio de um grande grupo de comunicação. Em 15 de outubro de 2026, o grupo anunciou o desligamento do executivo, depois de classificar como inadequada a relação dele com o banqueiro.
O comunicado do grupo afirma que a empresa teve acesso ao conteúdo das conversas privadas, referentes ao período de outubro de 2023 a julho de 2025. A nota menciona os 29 anos de Kachar na casa, diz que o substituto será anunciado depois e reafirma o compromisso com a ética, a transparência e a independência editorial. A empresa sustenta ainda que a cobertura crítica do caso Banco Master demonstra esse compromisso.
Os diálogos tratam de pedidos de reportagens, negociações comerciais, patrocínios e reclamações sobre conteúdos jornalísticos. Segundo as reportagens citadas, Vorcaro pediu destaque para a então namorada, Martha Graeff, e para a marca Happy Aging, ligada a ela. Kachar teria respondido que uma capa de revista exigiria um processo mais longo, mas que pautaria conteúdos em outras publicações do grupo. Entre os valores citados estão um patrocínio de R$ 825 mil do Banco Master a um evento de moda em 2024 e R$ 1,6 milhão relacionado ao camarote da editora no Carnaval de 2023. Há ainda trechos sobre convites para festas privadas, em que o banqueiro afirmou ter reservado um local "sem risco e sem celular".
Veículos de esquerda trataram o episódio como uma questão de independência jornalística diante do poder econômico. Destacaram que as mensagens, por si sós, não provam que a cobertura tenha sido determinada por interesses comerciais, e que patrocínio e publicidade não são irregulares por natureza. Para esses veículos, o ponto central é a falta de separação clara entre as áreas comercial e editorial e o acesso que um anunciante de grande poder econômico teria à direção.
Veículos de direita enfatizaram o conteúdo pessoal das conversas. Destacaram comentários de cunho sexual de Kachar e de Vorcaro sobre a apresentadora Sabrina Sato e a atriz Deborah Secco, e os convites para festas sem celulares, nas quais o executivo seria tratado como "convidado de honra". O texto observa que não há indicação de que as artistas conhecessem as conversas. A cobertura de centro não tratou desse episódio específico entre as fontes reunidas.
Vorcaro negou envolvimento em suposta rede de prostituição ou exploração sexual e afirmou que as mensagens foram retiradas de contexto.
O que ainda não se sabe: se algum conteúdo foi publicado em razão dos pedidos do banqueiro, quais regras internas se aplicavam à atuação de Kachar, qual é o significado de expressões codificadas como "guerra da Ucrânia" e "bomba na Rússia" e quem assumirá o cargo.
Caso Master: mensagens entre Vorcaro e diretor da Globo colocam independência jornalística sob escrutínio

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam conversas com Frederic Kachar, então diretor-geral da Editora
