Campanha de Lula tenta se afastar de Moraes após sessão do STF sobre Vorcaro
Resumo da cobertura
O Supremo Tribunal Federal começou em 15 de setembro a analisar se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a sessão terminou sem decisão após pedido de vista do ministro Flávio Dino. A crise passou a pesar na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que discute como se distanciar de Moraes enquanto o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, associa os dois. O coordenador da campanha em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, disse que a crise é do Judiciário e que Moraes tem a obrigação de se explicar.
3 veículos de esquerda · 1 veículo de centro · 3 veículos de direita
Alguém precisa ver os dois lados disso?

Como cada lado cobriu
7 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- CartaCapitalDesafio é mostrar à população que o governo não tem nada a ver com a crise do STF, diz coordenador da campanha de LulaO problema é do Judiciário e só a ele compete resolvê-lo, sustenta o advogado Marco Aurélio de Carvalho. É preciso, porém, comunicar com clareza esse esclarecimento à população
Análise editorial
A entrevista reproduz sem contestação a linha da campanha: a crise é do Judiciário, e o Master nasceu sob Bolsonaro e Campos Neto. O texto descreve Moraes como 'chamuscado' e enquadra Flávio Bolsonaro como quem 'tenta ligar' Lula ao ministro.
- Qualidade argumentativa
- 37/100
- Manipulação emocional
- 30/100
- Clickbait
- 20/100
- Fontes citadas
- 1
Perspectivas omitidas
- Não ouve a campanha de Flávio Bolsonaro nem o STF
- Não questiona o entrevistado sobre a proximidade entre Lula e Moraes
Falácias identificadas
- desvio de foco para o governo anterior
- Diário do Centro do Mundo“Moraes tem que se explicar”, diz coordenador da campanha de LulaMarco Aurélio de Carvalho cobrou explicações de Alexandre de Moraes sobre Daniel Vorcaro e disse que o STF precisa recuperar credibilidade
Análise editorial
Relata com tom descritivo a cobrança do coordenador para que Moraes se explique, mas o texto inteiro é construído a partir da fonte da campanha e reforça a mensagem de que Lula não responde pelos votos dos ministros que indicou, com elogio ao papel de Moraes contra ataques golpistas.
- Qualidade argumentativa
- 43/100
- Manipulação emocional
- 20/100
- Clickbait
- 20/100
- Fontes citadas
- 2
Perspectivas omitidas
- Não traz resposta de Moraes
- Não ouve a oposição sobre a tentativa de separar Lula dos votos de Dino e Gilmar Mendes
- Diário do Centro do MundoDesafio é desvincular imagem de Lula da crise no STF, diz coordenador de campanhaMarco Aurélio de Carvalho diz que a campanha de Lula trabalhará para desvincular o governo da crise envolvendo Alexandre de Moraes no STF
Análise editorial
Reescreve a entrevista do coordenador com linguagem mais sóbria, mas dá destaque a ações do atual governo contra o Master e atribui a origem do caso ao governo Bolsonaro sem contraponto.
- Qualidade argumentativa
- 37/100
- Manipulação emocional
- 20/100
- Clickbait
- 20/100
- Fontes citadas
- 1
Perspectivas omitidas
- Não ouve a campanha de Flávio Bolsonaro nem Roberto Campos Neto, citado nominalmente
- Não verifica o valor atribuído ao filme Dark Horse
Falácias identificadas
- desvio de foco para o governo anterior
Veículos com viés ao centro
- O GloboA reação de Lula se o STF livrar hoje a cara de MoraesA reação de Lula se o STF livrar hoje a cara de Moraes
Análise editorial
Nota de coluna antes da sessão relata a avaliação da campanha de que Lula seria prejudicado sem abertura de inquérito e cita um dirigente anônimo. O título usa a expressão 'livrar a cara', mas o corpo é descritivo e não toma lado.
- Qualidade argumentativa
- 33/100
- Manipulação emocional
- 30/100
- Clickbait
- 40/100
- Fontes citadas
- 0
Perspectivas omitidas
- Não identifica a fonte petista citada
- Não detalha o que está em julgamento na sessão do STF
Veículos com viés à direita
- Gazeta do PovoLula é Moraes? O impacto do escândalo na campanha petistaNo programa Última Análise desta segunda-feira (14), os convidados falaram a respeito das consequências do escândalo de Moraes para Lula.
Análise editorial
Todas as vozes do programa sustentam a tese 'Lula é Moraes, Moraes é Lula' e dizem que Moraes 'fez vários absurdos com o aval de Lula'. Os números da pesquisa Quaest são usados para reforçar o desgaste do petista, sem contraponto.
- Qualidade argumentativa
- 28/100
- Manipulação emocional
- 60/100
- Clickbait
- 40/100
- Fontes citadas
- 3
Perspectivas omitidas
- Não apresenta a versão da campanha de Lula
- Omite o dado da mesma pesquisa de que a maioria diz que a crise não influencia o voto
- Afirma suspeita de prevaricação de Moraes sem indicar a fonte
Falácias identificadas
- culpa por associação
- generalização apressada
- Terra Brasil NotíciasLULA E MORAES: desfecho no STF deixa campanha petista sob pressãoA crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a representar um novo desafio paraMatéria: Centro
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Análise editorial
Apesar do título enfático, o corpo relata de forma descritiva a reunião da campanha, o monitoramento com quase 90% de reações críticas e o pedido de vista de Flávio Dino, e ressalva que as acusações não são fatos comprovados.
- Qualidade argumentativa
- 50/100
- Manipulação emocional
- 30/100
- Clickbait
- 45/100
- Fontes citadas
- 1
Perspectivas omitidas
- Não ouve a campanha de Lula diretamente
- Não detalha a metodologia do monitoramento digital
- Gazeta do PovoCampanha de Lula se agrava após sessão no STFIndicado por Lula, Dino pede vista em caso de Moraes e complica estratégia da campanha de se afastar da crise no STF. Veja na Gazeta do Povo
Análise editorial
Enquadra a sessão como problema crescente para Lula e destaca que Dino, indicado pelo petista, foi saudado como 'um comunista no STF'. Ainda assim inclui analista que relativiza o efeito eleitoral e os números da Quaest de que 67% dizem que a crise não influencia o voto.
- Qualidade argumentativa
- 61/100
- Manipulação emocional
- 35/100
- Clickbait
- 30/100
- Fontes citadas
- 4
Perspectivas omitidas
- Não ouve a campanha de Lula diretamente sobre a estratégia atribuída a petistas
- Não traz resposta de Flávio Dino sobre o pedido de vista
O Supremo Tribunal Federal começou a analisar se Alexandre de Moraes pode ser investigado por sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a sessão terminou sem decisão. A campanha de Lula diz que a crise é do Judiciário, enquanto Flávio Bolsonaro associa o presidente ao ministro.
A crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, passou a ocupar o centro da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Na terça-feira, 15 de setembro, o tribunal começou a analisar se Moraes pode ser investigado por sua relação com Vorcaro. A sessão, marcada por troca pública de acusações entre ministros, terminou sem decisão depois de um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Antes da sessão, a campanha petista já tratava o caso como risco eleitoral. Relatos de bastidor indicam que uma reunião de mais de cinco horas, no dia 9 de setembro, discutiu o impacto do tema, com um monitoramento digital em que quase 90% das reações sobre Moraes, Vorcaro e o Master eram críticas. A orientação seria reduzir aos poucos a associação pública entre Lula e o ministro, sem ruptura explícita. Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, usou o horário eleitoral para dizer que os dois fazem parte de um sistema apodrecido.
Depois da sessão, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo e do grupo Prerrogativas, afirmou que a crise pertence ao Judiciário e que só o próprio tribunal pode resolvê-la. Ele disse também que Moraes tem a obrigação de se explicar sobre a relação com Vorcaro e que a defesa da democracia feita pelo ministro não lhe dá salvo-conduto.
As coberturas divergem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram a linha da campanha: a de que foi no atual governo que o Banco Central liquidou o Master e a Polícia Federal prendeu Vorcaro, cuja atuação teria começado no governo de Jair Bolsonaro. Esses veículos também deram espaço ao argumento de que Lula não responde pelos votos dos ministros que indicou. Veículos de direita enfatizaram que o pedido de vista partiu justamente de Dino, indicado por Lula, o que enfraquece a tentativa de ligar Moraes apenas ao ex-presidente Michel Temer. Comentaristas ouvidos por esses veículos afirmaram que o afastamento entre Lula e Moraes é impossível. A cobertura de centro relatou a preocupação interna da campanha de que, sem a abertura de inquérito, Lula seria prejudicado e teria de subir o tom contra o ministro.
Os dados de opinião pública relativizam o peso do tema. A pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro, com 2.004 eleitores e margem de erro de dois pontos, mostra Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 31% no primeiro turno, e empate técnico no segundo, com 42% para Flávio e 40% para Lula. No mesmo levantamento, 67% disseram que a crise no Supremo não influencia o voto para presidente, 22% afirmaram que ela reforça a escolha já feita e 7% consideram mudar de candidato.
Ainda não se sabe quando o julgamento será retomado nem se o tribunal vai autorizar a investigação sobre Moraes. Também não está claro se Lula passará a citar os ministros pelo nome, como parte da campanha passou a defender, nem qual será o efeito do caso nas urnas no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Briefing
O que importa para você
- O primeiro turno é em 4 de outubro, e o julgamento sobre Moraes segue sem data de retomada.
- Na pesquisa Quaest de 14 de setembro, Lula tem 36% e Flávio Bolsonaro 31% no primeiro turno, com empate técnico no segundo.
- 67% dos entrevistados dizem que a crise no STF não influencia o voto; 7% consideram mudar de candidato.
Onde os lados divergem
- Esquerda: a crise é do Judiciário, e o atual governo liquidou o Master e prendeu Vorcaro, cuja atuação começou sob Bolsonaro.
- Direita: Lula e Moraes são indissociáveis, e o pedido de vista de Flávio Dino, indicado por Lula, amplia o problema do petista.
- Esquerda: Lula não responde pelos votos dos ministros que indicou. Direita: a indicação de Dino derruba o argumento de que Moraes é só herança de Michel Temer.
Onde os lados concordam
- A sessão do Supremo Tribunal Federal sobre a possível investigação de Alexandre de Moraes terminou sem decisão.
- Todos os lados reconhecem que a crise do caso Master virou tema da campanha de Lula e que a campanha busca separar a imagem do presidente da de Moraes.
O que ainda está incerto
- Quando o STF retoma o julgamento e se autorizará investigar Moraes.
- Se Lula passará a citar ministros pelo nome, como parte da campanha defende.
- O valor repassado ao filme Dark Horse, que aparece com números diferentes nas versões da mesma entrevista.
Fontes

A reação de Lula se o STF livrar hoje a cara de Moraes

No programa Última Análise desta segunda-feira (14), os convidados falaram a respeito das consequências do escândalo de Moraes para Lula.

O problema é do Judiciário e só a ele compete resolvê-lo, sustenta o advogado Marco Aurélio de Carvalho. É preciso, porém, comunicar com clareza esse esclarecimento à população

Marco Aurélio de Carvalho cobrou explicações de Alexandre de Moraes sobre Daniel Vorcaro e disse que o STF precisa recuperar credibilidade

Marco Aurélio de Carvalho diz que a campanha de Lula trabalhará para desvincular o governo da crise envolvendo Alexandre de Moraes no STF

A crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a representar um novo desafio para

Indicado por Lula, Dino pede vista em caso de Moraes e complica estratégia da campanha de se afastar da crise no STF. Veja na Gazeta do Povo



