Campanha de Lula busca distância de Alexandre de Moraes após pedido de vista no STF
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A campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva tenta se desvincular do ministro Alexandre de Moraes depois da sessão do Supremo Tribunal Federal de 15 de setembro, que discutiu a relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e terminou sem decisão após pedido de vista de Flávio Dino. Com Flávio Bolsonaro numericamente à frente no segundo turno da Quaest, a orientação é deixar o STF em segundo plano e levar a disputa para temas do bolso.
Pela leitura da esquerda, a crise no Supremo Tribunal Federal é um problema do Judiciário, não do governo, e a campanha de Lula precisa comunicar isso ao eleitor. O coordenador Marco Aurélio de Carvalho cobra explicações de Alexandre de Moraes e lembra que foi o atual governo que liquidou o Banco Master e prendeu Daniel Vorcaro, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro tenta colar a crise em Lula e silencia sobre o dinheiro de Vorcaro para o filme Dark Horse.
Pela leitura da direita, a sessão do Supremo Tribunal Federal agravou o problema de Lula: o pedido de vista que manteve Alexandre de Moraes sem investigação partiu de Flávio Dino, indicado pelo próprio presidente, o que tornaria o distanciamento praticamente impossível.
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A sessão do Supremo Tribunal Federal sobre a relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro terminou sem decisão, e a campanha de Lula reagiu tentando se afastar do ministro. A orientação é deixar a crise em segundo plano e falar de preço dos alimentos e renda, enquanto Flávio Bolsonaro insiste em associar os dois.
A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), tenta se desvincular do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento ganhou força depois da sessão de 15 de setembro, que discutiu se o magistrado deve ser investigado por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A sessão durou mais de seis horas, teve bate-boca entre ministros e terminou sem decisão, após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
O plenário não chegou ao mérito das 52 mensagens que Vorcaro teria enviado a Moraes. Discutiu apenas uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, e o julgamento foi suspenso com placar de 4 a 3. Antes da sessão, o comando da campanha avaliava que Lula seria prejudicado se o tribunal não abrisse uma investigação. Com o impasse, a crise se prolonga a menos de três semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
A cobertura converge em vários pontos. O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), principal adversário de Lula, passou a associar o presidente a Moraes. A pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro mostrou Flávio numericamente à frente no segundo turno, com 42% contra 40%, dentro da margem de erro. Em resposta, integrantes da campanha petista defendem virar a página. A orientação à militância é deixar o Supremo em segundo plano, concentrar as críticas em Flávio e em Vorcaro e levar a disputa para temas do bolso, como preço dos alimentos, renda e isenção do Imposto de Renda. Lula declarou que não era presidente quando Moraes foi indicado ao tribunal. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha em São Paulo e do grupo Prerrogativas, disse que a crise é do Judiciário e que Moraes tem a obrigação de se explicar.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram a linha de defesa da campanha: foi sob o atual governo que o Banco Central liquidou o Master e a Polícia Federal prendeu Vorcaro. Também ressaltaram que a campanha de Flávio ignora os pagamentos de Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, enquanto tenta ligar a briga no STF a Lula. A cobertura de centro relatou os bastidores da mudança de estratégia, a preocupação com o resultado da Quaest e a expectativa por uma nova pesquisa Datafolha, a primeira depois da sessão. Veículos de direita enfatizaram que o distanciamento seria impossível, porque o pedido de vista partiu de Dino, indicado por Lula ao Supremo, e que a proximidade pública entre o presidente e Moraes pesa sobre a campanha. Parte dessa cobertura lembrou, porém, que na mesma pesquisa Quaest 67% dos eleitores dizem que a crise no STF não influencia o voto.
Ainda não se sabe quando o julgamento será retomado nem se uma decisão sobre a conduta de Moraes sairá antes da eleição. Também falta medir o efeito da sessão sobre as intenções de voto, algo que a nova pesquisa Datafolha deve começar a mostrar.
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