O Canal Bis interrompeu a transmissão ao vivo do show da banda Supercombo no Rock in Rio, no sábado, 5 de setembro de 2026, no momento em que o vocalista Léo Ramos fazia uma fala de conteúdo político no Palco Supernova. O canal reduziu o áudio da apresentação e substituiu as imagens do palco por uma tomada aérea da Cidade do Rock, com o Palco Sunset ao fundo, e só retomou a exibição do show alguns minutos depois.
A fala que antecedeu o corte tratava do calendário eleitoral. O vocalista afirmou que este é ano de eleição e disse que, no dia 4 de outubro, seria preciso varrer a extrema direita do país. Na sequência, mencionou o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal ao comentar o cenário político brasileiro e citou nomes envolvidos em escândalos recentes, entre eles o empresário Daniel Vorcaro e o deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, antes de dizer que essa gente precisava ir embora. Foi enquanto ele ainda discursava que o som da apresentação caiu na transmissão.
Depois da troca de imagens, a apresentadora Xan Ravelli entrou no ar, elogiou a apresentação, comentou a programação de outros palcos e disse que algumas questões estavam sendo resolvidas. Em seguida, anunciou o retorno à apresentação, afirmando que o público voltaria a ver o Supercombo porque o show continuava. A exibição foi de fato retomada e a banda seguiu tocando no Palco Supernova. Até a última atualização da cobertura, o canal não havia explicado o motivo da interrupção e a própria banda não havia se manifestado nas redes sociais.
A repercussão imediata veio do público. Um perfil de fãs da banda publicou nota de repúdio ao que classificou como censura sofrida ao vivo, afirmando que não aceitaria que se fragilizasse o exercício da democracia. A partir daí, a palavra censura passou a organizar a leitura do episódio nas redes sociais, associada diretamente ao trecho da fala que criticava a extrema direita.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, o que limita a comparação entre enquadramentos. Essa cobertura única, de perfil editorial de esquerda, tratou a interrupção como censura política, ligou o corte ao conteúdo da fala e deu destaque à nota de repúdio dos fãs, enquanto registrava que o canal não havia se explicado. Não há, neste conjunto de fontes, cobertura de centro nem de direita sobre o mesmo episódio, e por isso não é possível reproduzir aqui a leitura desses lados a partir de material publicado. O contraponto que costuma organizar esse tipo de disputa, a distinção entre censura estatal e decisão editorial de uma emissora privada sobre o próprio sinal, não aparece registrado em nenhuma matéria disponível.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há explicação oficial sobre a queda do áudio e a troca de imagem, nem confirmação de que a interrupção foi uma decisão editorial, uma orientação prévia sobre conteúdo político na transmissão ou uma falha técnica. Também não se sabe se a organização do festival participou da decisão, se a banda vai cobrar formalmente uma explicação e se houve cortes semelhantes em outras apresentações do evento.