O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta terça-feira que os países-membros da aliança estão assinando acordos de defesa no valor de "literalmente bilhões de dólares" durante a cúpula realizada em Ancara. Falando no fórum da indústria de defesa do encontro, Rutte disse que os aliados anunciavam "novos grandes projetos" e classificou o esforço como "dinheiro bem aplicado", argumentando que os investimentos impulsionam as economias e apoiam centenas de milhares de novos empregos.
Entre os anúncios concretos, a aliança informou em comunicado que vai adquirir cinco aeronaves não tripuladas de alto nível, alta altitude e longa duração fabricadas pela Northrop Grumman. Também foi apresentado um plano de investimento de US$ 40 bilhões em capacidades contra drones ao longo dos próximos cinco anos, acompanhado da meta de treinar cinco vezes mais operadores de drones até o fim de 2027. Segundo a Otan, os drones alteraram de forma fundamental a natureza da guerra moderna e se tornaram fator decisivo no campo de batalha.
Outro anúncio foi a substituição da antiga frota de aviões de vigilância E-3 por até dez aeronaves GlobalEye, fabricadas pela empresa sueca SAAB, com alguns componentes e parte da produção provenientes dos Estados Unidos e do Canadá. O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, chamou a iniciativa de "um momento de grande orgulho para a Suécia". Rutte passou boa parte do encontro destacando o que classificou como "progresso notável" no aumento dos gastos de defesa dos países-membros, um ponto de forte divergência com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que frequentemente critica a aliança.
Até o momento, apenas a CNN Brasil, reproduzindo material da agência Reuters, cobriu o episódio no recorte acompanhado, em texto de enquadramento factual: relata os valores, as empresas fornecedoras e as declarações nomeadas sem tomar partido. Não houve, no material disponível, cobertura complementar que trouxesse um contraponto crítico à escalada de gastos militares ou reações de países que possam divergir do volume de investimento anunciado. Uma leitura de esquerda tenderia a questionar a militarização e o direcionamento de recursos públicos à indústria bélica, enquanto uma leitura de direita destacaria o investimento como resposta responsável às ameaças e como atendimento à cobrança de Trump por maior contribuição dos aliados.
O que ainda não se sabe é o cronograma detalhado de entrega dos equipamentos, o custo final por país, como se dará a divisão dos investimentos entre os membros e quais serão os desdobramentos da divergência entre a cúpula da aliança e o governo dos Estados Unidos sobre o ritmo dos gastos de defesa.