A China afirmou defender o princípio da não interferência em assuntos internos de outros países após os Estados Unidos classificarem duas das maiores facções criminosas brasileiras, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. A manifestação partiu da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ching, e foi divulgada no fim de maio de 2026.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: os Estados Unidos tomaram a decisão de incluir o PCC e o CV em sua lista de organizações terroristas, e a China respondeu reafirmando a não interferência como princípio de relações entre Estados. A reportagem de referência atribuiu a fala à porta-voz Mao Ching e vinculou a declaração explicitamente à medida norte-americana, sem acrescentar juízo de valor sobre a decisão.
O episódio interessa diretamente ao Brasil porque as facções alvo da classificação americana são brasileiras e atuam dentro do território nacional. Por isso, o tema combina geopolítica e segurança pública: uma decisão tomada em Washington recai sobre grupos que operam no Brasil, enquanto uma terceira potência, a China, escolhe se posicionar sobre o princípio que rege a interferência entre países.
A leitura ideológica do episódio diverge conforme o veículo. Veículos de esquerda tendem a enfatizar o risco à soberania nacional quando uma potência estrangeira define o que é terrorismo dentro do território brasileiro, e veem na fala chinesa um contraponto legítimo ao unilateralismo dos Estados Unidos, lembrando o histórico de intervenções na América Latina. Veículos de direita, por outro lado, tendem a destacar a gravidade da ameaça representada pelo PCC e pelo Comando Vermelho, enxergando na classificação americana um possível instrumento de cooperação internacional contra o narcotráfico, e leem com ceticismo a defesa chinesa da não interferência, dada a própria conduta de Pequim em assuntos internos de outros países.
O que ainda não se sabe é o alcance prático da medida americana sobre o Brasil, se haverá efeitos diplomáticos concretos entre Brasília, Washington e Pequim, e como o governo brasileiro reagirá oficialmente à classificação de suas facções por um país estrangeiro. As prévias disponíveis das reportagens não detalham esses desdobramentos.