O banqueiro Daniel Vorcaro, figura central do caso Banco Master, foi transferido na quinta-feira (25) da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade conhecida como Papudinha. A decisão foi do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e atendeu a um pedido da própria Polícia Federal, que considerava inadequada a permanência do ex-banqueiro em suas dependências.
Na decisão, Mendonça também determinou que a PM do Distrito Federal adote medidas para impedir qualquer contato entre Vorcaro e outros investigados no caso Master, entre eles o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, preso na mesma unidade. O ministro fez questão de registrar que a rejeição de duas propostas de delação premiada apresentadas por Vorcaro, recusadas tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República, não motivou a transferência. Em suas palavras, a medida seria "absolutamente dissociada" de tratativas de colaboração premiada.
A cobertura de centro, representada pela CNN Brasil, foi além da decisão judicial e visitou a Papudinha na sexta-feira (26), detalhando a rotina do local. Segundo essa cobertura, Vorcaro ficou isolado na mesma cela de 60 metros quadrados, com área externa, quarto, cama de casal, banheiro e vestiário, onde já esteve preso o ex-presidente Jair Bolsonaro. Cerca de 50 pessoas estão custodiadas no batalhão, que serve cinco refeições por dia e impõe isolamento sanitário de dez dias a cada novo preso, protocolo que Vorcaro cumpriu. O mesmo relato descreve que o pavilhão abriga a antiga cúpula da PM-DF condenada pelos atos de 8 de Janeiro, além do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, que passaram a dividir celas vizinhas, sem comunicação, por determinação do STF.
Veículos de esquerda, como o Brasil 247, enfatizaram o ângulo institucional: a decisão do Supremo e a recusa das delações por PF e PGR seriam sinais de que mesmo um banqueiro com recursos para sucessivas tentativas de acordo é submetido às mesmas regras, num caso que toca o poder econômico e o sistema financeiro. Já uma leitura de direita tende a destacar outro aspecto presente nos fatos relatados: Vorcaro está preso desde março e já foi transferido sete vezes ainda na fase de investigação, o que alimenta o debate sobre previsibilidade processual e segurança jurídica de custodiados, bem como sobre a concentração de decisões individuais em ministros do Supremo. A presença, no mesmo pavilhão, de ex-autoridades ligadas ao 8 de Janeiro reforça, para esse lado, a discussão sobre as condições de encarceramento desses presos.
O que ainda não se sabe é o teor exato das duas propostas de delação rejeitadas e se uma terceira tentativa, que Vorcaro busca construir com novos advogados em Brasília, avançará. Também não há, na cobertura disponível, manifestação da defesa do ex-banqueiro sobre a nova transferência nem prazo definido para a permanência dele na Papudinha.