Lula defende soberania e Trump promete poderio militar na ONU em Nova York
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, e foi seguido na tribuna pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, criticou o direito de veto no Conselho de Segurança e denunciou ingerência externa em processos eleitorais, sem citar nominalmente os Estados Unidos. Trump declarou que o país usará seu poderio militar incomparável para garantir interesses nacionais no hemisfério ocidental, comparou facções criminosas latino-americanas a grupos terroristas e não mencionou o Brasil. Não houve reunião bilateral nem encontro nos bastidores.
Para a leitura à esquerda, o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU foi a defesa da soberania dos países latino-americanos diante de uma potência que trata a região como área de influência. A frase sobre o Brasil não caber no quintal de ninguém sintetiza a recusa da tutela externa, e a denúncia de ingerência em processos eleitorais tem endereço claro num momento em que a Agência Brasileira de Inteligência alertou para risco de pressão americana sobre o pleito de outubro.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Todas as coberturas registram os mesmos fatos: Lula abriu o debate geral em Nova York, afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém e criticou a ingerência externa em eleições; Donald Trump falou em seguida, prometeu usar poderio militar na América Latina e não citou o Brasil. Também há acordo de que não houve reunião bilateral nem encontro nos bastidores.
Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém e denunciou ingerência externa em eleições. Logo depois, Donald Trump prometeu usar o poderio militar americano na América Latina. Os dois discursaram em plena campanha eleitoral, sem reunião bilateral e com a disputa comercial ainda sem acordo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na terça-feira, 22 de setembro, e foi seguido na tribuna pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem citar nominalmente o país vizinho no continente, Lula afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, defendeu a soberania das nações latino-americanas e disse que a democracia está novamente em xeque diante da ingerência externa em processos eleitorais. Minutos depois, Trump declarou que os Estados Unidos usarão seu poderio militar incomparável para garantir interesses nacionais no hemisfério ocidental, comparou facções criminosas da América Latina ao grupo terrorista Estado Islâmico e não mencionou o Brasil em nenhum momento.
Os dois presidentes falam em plena corrida eleitoral: Lula busca a reeleição a menos de duas semanas do primeiro turno brasileiro, e Trump faz campanha para as eleições de meio de mandato que renovam a Câmara e o Senado americanos. Nenhum dos dois governos pediu reunião bilateral, e não houve encontro nos bastidores do plenário, ao contrário do que ocorreu no ano anterior. As coberturas convergem nos fatos centrais: Lula criticou o direito de veto no Conselho de Segurança, chamou a guerra de falência total da política, condenou a perseguição ao Tribunal Penal Internacional e falou em genocídio praticado pelo governo de Benjamin Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza, além de citar os atos terroristas do Hamas. Trump, no sentido oposto, agradeceu ao Conselho de Segurança pela resolução contra o Irã, afirmou que a situação em Gaza está resolvida com o retorno dos reféns, disse que não permitirá que militares americanos sejam investigados pelo Tribunal Penal Internacional e pediu que os países deixem a corte. Sobre o Estreito de Ormuz, um falou em trincheira de guerra que encarece combustíveis, fertilizantes e alimentos; o outro celebrou a retirada de petróleo pela marinha americana.
Veículos de esquerda destacaram o contraste entre diplomacia e força, deram relevo à descrição da ação americana na Venezuela e ao argumento de que a região volta a ser tratada como zona de influência, com investidas por recursos estratégicos. A cobertura de centro concentrou-se na transcrição das falas, publicou a íntegra do pronunciamento brasileiro, detalhou a agenda da comitiva e recuperou o histórico recente da relação bilateral, marcado pelo tarifaço, pela sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e pelo risco de novas sanções contra autoridades do país. Esse mesmo bloco de matérias registrou o alerta da Agência Brasileira de Inteligência sobre possibilidade de influência americana no pleito de outubro e a resposta da porta-voz do Departamento de Estado, segundo a qual atuar em eleições de outros países não faz parte da estratégia americana.
A cobertura de direita está ausente do conjunto de matérias reunidas nesta história, e essa lacuna faz parte do quadro: o ângulo que costuma enfatizar o custo econômico do impasse comercial, a legitimidade da preocupação americana com crime organizado transnacional e o uso eleitoral da tribuna internacional não foi registrado por nenhuma das fontes disponíveis aqui. O leitor encontra, portanto, o episódio narrado a partir da defesa da soberania e do relato factual, sem a réplica organizada do campo que tende a cobrar resultado diplomático concreto.
No dia seguinte, em agenda de campanha no Rio de Janeiro, Lula voltou a criticar o presidente americano, disse que ele fala como se estivesse ameaçando todo mundo e afirmou que não quer guerra, mas quer ganhar na narrativa. O petista pediu que os eleitores comparem os dois discursos.
O que ainda não se sabe é se haverá qualquer contato direto entre os dois governos antes das eleições brasileiras, se a disputa comercial terá acordo ou se o governo brasileiro acionará a Lei da Reciprocidade, e se a nova rodada de sanções contra autoridades do país chegará a ser aplicada. Também segue em aberto o conteúdo integral do relatório de inteligência sobre risco de interferência e qual efeito prático, se algum, as promessas feitas na tribuna terão sobre os conflitos citados por ambos.
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