Milei ameaça ação jurídica contra projeto de petróleo Sea Lion nas Malvinas
Relato de fonte única, atribuído a DW Brasil. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
A Argentina ameaça uma ofensiva jurídica internacional contra o Reino Unido por causa do projeto petrolífero Sea Lion, nas Ilhas Malvinas. O governo de Javier Milei já aplicou sanções a 60 pessoas ligadas ao empreendimento e promete atingir também as empresas.
Mais sobre América Latina
- Campanha de brasileiros na Argentina contra modelo de Milei mira o segundo turnoEsquerda 50%Centro 50%2 fontes
- Javier Milei pede derrota de Lula em gala nos EUA com Eduardo BolsonaroEsquerda 50%Direita 50%2 fontes
- Lula marca ida à cúpula do Mercosul e giro pelo Nordeste na próxima semanaEsquerda 50%Centro 50%2 fontes
Briefing
O que importa para você
- Projeto Sea Lion de 1,8 bilhão de dólares, com extração prevista para o início de 2028 e até 50 mil barris por dia.
- Sanções argentinas a 60 pessoas já levaram duas contratadas a deixar o projeto.
- A economia das ilhas hoje depende da pesca e do turismo e poderia mudar com o petróleo.
O que ainda está incerto
- Se o projeto avançará, já que fracassou em 2014 e 2020.
- Se a Argentina levará mesmo o caso ao Tribunal Internacional do Direito do Mar.
- Qual será a posição final dos Estados Unidos sobre o status das ilhas.
A Argentina ameaça uma ofensiva jurídica internacional contra o Reino Unido por causa do projeto de petróleo Sea Lion, nas Ilhas Malvinas. O governo de Javier Milei também aplicou sanções a 60 pessoas ligadas ao empreendimento, orçado em 1,8 bilhão de dólares.
O governo argentino de Javier Milei ameaça abrir uma ofensiva jurídica internacional contra o Reino Unido por causa de um projeto de exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, com uma reportagem de cobertura centrada em economia e política externa, e por isso esta matéria descreve o que essa fonte única relatou, sem atribuir enquadramento a veículos de esquerda ou de direita, que não trataram do tema.
O projeto se chama Sea Lion e fica na Bacia Norte das Malvinas. É conduzido pela empresa israelense Navitas Petroleum e pela britânica Rockhopper Exploration, com apoio integral da Assembleia Legislativa das ilhas, que promove a iniciativa desde 2010. O orçamento é de 1,8 bilhão de dólares, cerca de 9,3 bilhões de reais. As empresas esperam começar a extração no início de 2028, chegar a até 50 mil barris por dia e manter o campo ativo por até 35 anos. A receita para as ilhas poderia ser mais que o dobro do investimento, o que elevaria um produto interno bruto hoje apoiado quase só na pesca e no turismo.
Milei afirma que o projeto é uma pilhagem ilegal dos recursos argentinos. No mês passado, deu duas semanas para que o empreendimento fosse interrompido, sob pena de levar o caso ao Tribunal Internacional do Direito do Mar. Buenos Aires também iniciou sanções contra 60 pessoas envolvidas e prometeu atingir as empresas. A Navitas confirmou que duas contratadas deixaram o projeto por receio das sanções e estão sendo substituídas. A chefe do governo das ilhas, Andrea Clausen, descreveu a campanha argentina como guerra econômica, e muitos fornecedores e companhias de navegação já evitam atender o arquipélago.
A Argentina reivindica as Malvinas há dois séculos. Em 1982, a disputa levou a uma guerra, e o controle britânico foi rapidamente restabelecido. Em 2013, um referendo teve 99,8% dos votos favoráveis à permanência como território britânico ultramarino autônomo.
A reportagem reúne duas leituras. Stacy Bragger, integrante da Assembleia das Ilhas Malvinas, diz que a Argentina usa o petróleo como meio de avançar sua reivindicação, que a Argentina não tem autoridade legítima sobre as ilhas e que Milei pode estar elevando o tom de olho nas eleições de 2027. Henry Ziemer, analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, vê a Malvinas como uma ferida crônica da política argentina e acha notável a atitude de Milei, que antes havia mostrado abertura para melhorar a relação com o Reino Unido. Ele não vê risco de novo conflito armado.
Há ainda o fator americano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu recentemente que o apoio ao atual status das ilhas estava sob revisão. Bragger minimizou a fala e citou o secretário de Estado, Marco Rubio, que reafirmou apoio às ilhas. Ziemer disse que seria muito surpreendente uma mudança de posição americana.
O que ainda não se sabe: se o projeto sairá do papel, já que fracassou em 2014 e 2020 por financiamento, preço do petróleo e sanções; se a Argentina de fato levará o caso ao tribunal internacional e com que fundamento; e se as sanções às empresas serão aplicadas.
Fontes
Argentina ameaça iniciar uma ofensiva jurídica internacional contra o Reino Unido para barrar exploração de petróleo na região. Buenos Aires também impôs sanções contra envolvidos no projeto.
