Contrato de R$ 427 milhões da 'Turma do KN' liga Kassio Nunes Marques a Vorcaro
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O caso expõe, para a cobertura de esquerda, como o poder econômico compra proximidade dentro do Judiciário enquanto a conta dos precatórios é paga pelo Estado. Um banco privado sob investigação mantinha contrato de até R$ 427 milhões com o escritório da mulher de um desembargador federal, e funcionários do banco chamavam o casal de 'Turma do KN', em referência a um ministro do Supremo Tribunal Federal. No mesmo material aparecem diárias em hotel de luxo, camarote de carnaval e ingressos, pedidos em nome de quem deveria julgar com distância. A leitura é de que o sistema de controle interno falhou: só depois da repercussão pública a Corregedoria Nacional de Justiça mexeu, e nada foi aberto sobre o ministro. O ponto de fundo é a blindagem de magistrados e de seus familiares em negócios com o setor privado.
A Polícia Federal encontrou no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, uma minuta de contrato de março de 2024 que prevê honorários de até R$ 427 milhões ao escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, do qual é sócia a advogada Camilla Ramos, casada com o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Pelo prisma da direita, o episódio é antes de tudo um problema de controle institucional e de segurança jurídica: um ministro do Supremo Tribunal Federal e um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região aparecem citados em mensagens de um ex-banqueiro preso, sem que exista, até agora, prova de pagamento, de decisão comprada ou de crime formalizado.
6 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Toda a cobertura registra os mesmos fatos: minuta de março de 2024 com honorários de até R$ 427 milhões ao escritório de Camilla Ramos, 5% sobre o êxito em precatórios do setor sucroalcooleiro que somam cerca de R$ 8,5 bilhões, nenhum pagamento efetuado, o apelido 'Turma do KN' nas mensagens do Banco Master, os pedidos de diária no hotel Fasano e de camarote de carnaval, e as negativas de Kassio Nunes Marques, de Camilla Ramos e de Newton Ramos.
Mensagens e uma minuta de contrato apreendidas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocaram o ministro Kassio Nunes Marques e o desembargador Newton Ramos no centro de uma apuração sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. A Corregedoria Nacional de Justiça já fez buscas no gabinete do magistrado. Todos os citados negam irregularidades.
A Polícia Federal encontrou no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, uma minuta de contrato datada de março de 2024 que prevê o pagamento de até R$ 427 milhões em honorários ao escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, do qual é sócia a advogada Camilla Ramos, casada com o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Nas conversas internas do banco, o casal era tratado por funcionários como a chamada 'Turma do KN', sigla que os investigadores leem como referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, que atuou no mesmo tribunal regional antes de chegar à Corte. Todos os citados negam irregularidades.
O contrato previa honorários equivalentes a 5% do benefício econômico bruto em caso de êxito em processos de precatórios do setor sucroalcooleiro, ações que discutem indenizações decorrentes do controle de preços praticado pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool. O valor total em disputa chega a cerca de R$ 8,5 bilhões, e o banco aparece nos documentos como credor ou cessionário desses créditos. Nenhum pagamento foi realizado. No mesmo material apreendido há mensagens com pedidos atribuídos ao desembargador: nomes para lista de camarote de carnaval, diária promocional no hotel Fasano, ingressos de shows e entradas para a Fórmula 1. Em uma das conversas, Vorcaro autoriza que a hospedagem seja lançada em sua conta. Em outra, Camilla Ramos comemora com o então banqueiro o resultado de um julgamento na Segunda Turma do Supremo, elogiando o voto do ministro.
Esses fatos são convergentes em toda a cobertura, assim como as três defesas. Kassio Nunes Marques afirmou, em nota, que nunca trocou mensagens com o ex-banqueiro, nunca lhe pediu nada, nunca votou a favor dele ou do Banco Master e nunca autorizou terceiros a falar em seu nome, e sustentou que o julgamento citado tratava de tese aplicável a diferentes empresas, sem alcance geral. O escritório de Camilla Ramos declarou não ter recebido pró-labore nem honorários de êxito e afirmou que nenhuma das causas em que atua para o banco tramita no Supremo. Newton Ramos disse que os pedidos se referem a situação privada, anterior aos fatos investigados, e que nunca julgou causa em que o Master fosse formalmente parte. Em 24 de setembro de 2026, a Corregedoria Nacional de Justiça, ligada ao Conselho Nacional de Justiça, fez buscas no gabinete do desembargador com apoio da Polícia Federal, num procedimento correicional extraordinário sobre processos de precatórios do setor. O magistrado segue no cargo e ainda será ouvido.
A divergência está no enquadramento. Veículos de esquerda trataram o caso como indício de tráfico de influência e de captura do Judiciário por poder econômico, sublinhando o contraste entre privilégio de cúpula e a lentidão do sistema para quem não tem acesso, e cobrando explicitamente a ausência de procedimento disciplinar sobre o desembargador e de qualquer providência relativa ao ministro; parte dessa cobertura acrescentou a frequência das visitas da advogada ao ex-banqueiro na prisão e uma viagem em avião de empresa dele, sem reproduzir as negativas já públicas. A cobertura de centro manteve o foco no documento e no processo: o percentual de 5%, o número de ações, a composição do julgamento, a base normativa da correição e o registro de que a diligência não antecipa responsabilidade, sempre com as notas dos citados na íntegra. Veículos de direita não registraram o caso no conjunto analisado, de modo que o argumento habitual desse campo, o de que minuta sem pagamento e conversa de celular não bastam para condenar antes de prova de decisão comprada, não aparece em cobertura própria aqui.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há definição pública sobre a validade jurídica das mensagens como prova, já que foram obtidas em investigação sobre o banco e seu uso depende do alcance da autorização judicial. Também não se sabe se a correição pode alcançar o ministro do Supremo Tribunal Federal ou se ficará restrita ao desembargador, nem se há inquérito formal aberto sobre o ministro. Falta esclarecer o destino dos precatórios em disputa e se o contrato de honorários foi algum dia assinado em versão definitiva.
Em nota divulgada após a repercussão de mensagens relacionadas a decisões judiciais, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio

Newton Ramos segue no cargo e ainda deve ser ouvido no procedimento que apura processos de precatórios do setor sucroalcooleiro

Camila Ramos tinha um contrato que previa honorários de até R$ 427 milhões com o Banco Master

A Polícia Federal encontrou no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mensagens que indicam pedidos de favores e um contrato milionário para o escritório da esposa de um desembargador, ambos associados ao ministro do STF Kassio Nunes Marques. Todos os citados negam irregularidades.

Um contrato encontrado pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro prevê o pagamento de até R$ 427 milhões ao escritório da advogada

