“Criminoso de guerra”: Mamdani insta o governo dos EUA a deter Netanyahu
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Para a leitura de esquerda, o episódio expõe a distância entre o direito internacional e a proteção política dada a governantes aliados de potências. O prefeito de Nova York deu voz a uma cobrança de responsabilização por milhares de mortes civis em Gaza e por ataques a hospitais, jornalistas e trabalhadores humanitários, enquanto o governo federal garante imunidade de fato ao premiê israelense. A ênfase recai sobre a vida das populações vulneráveis e sobre a ideia de que existem crimes graves demais para ficarem sem julgamento, além da crítica a um Estado que sanciona a própria corte encarregada de investigar.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, pediu em vídeo divulgado em 21 de julho que o governo federal dos Estados Unidos cumpra o mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, caso ele entre no país.
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3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés ao centro
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Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Toda a cobertura registra os mesmos fatos: o prefeito não tem autoridade legal para executar o mandado, a competência seria do governo federal, o tribunal expediu a ordem em novembro de 2024 e os Estados Unidos não integram a corte nem reconhecem sua jurisdição.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, divulgou em 21 de julho um vídeo nas redes sociais em que chama o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de “criminoso de guerra” e pede que o governo federal dos Estados Unidos cumpra o mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional contra o premiê. A cobrança ocorre a poucas semanas da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para setembro na sede da organização, na própria cidade de Nova York, encontro do qual Netanyahu deve participar.
No vídeo, o prefeito afirmou que a administração municipal analisou todas as vias legais disponíveis para saber se a cidade poderia executar a ordem do tribunal e concluiu que não há autoridade legal independente para isso. A competência, disse, é do governo federal. “Benjamin Netanyahu não é bem-vindo na cidade de Nova York, nem qualquer outro criminoso de guerra”, declarou. Um dia antes, em 20 de julho, o presidente Donald Trump havia afirmado publicamente que o premiê israelense não será preso, de nenhuma maneira, enquanto estiver em território norte-americano.
O conjunto da cobertura converge em pontos objetivos. O tribunal, sediado em Haia, expediu em novembro de 2024 mandados de prisão contra Netanyahu e contra o então ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, por suspeita de crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a ofensiva militar na Faixa de Gaza. Estados Unidos e Israel não integram a corte nem assinaram o tratado que a criou, e por isso não reconhecem sua jurisdição. As acusações ainda dependem de julgamento e são rejeitadas pelo governo israelense. Durante a campanha eleitoral, o hoje prefeito já havia prometido determinar o cumprimento de mandados internacionais na cidade.
As ênfases, porém, divergem. Veículos de esquerda destacaram a linguagem mais dura do prefeito, que atribuiu ao premiê a condição de arquiteto de um genocídio contra o povo palestino, a responsabilidade pela morte de mais de 73 mil pessoas, a mutilação de crianças, ataques a unidades neonatais e o bloqueio da entrada de alimentos e de ajuda humanitária; nessa cobertura, o episódio aparece como teste da validade do direito internacional quando o acusado é aliado de uma grande potência, e há registro de que o governo norte-americano chegou a adotar sanções contra integrantes da corte. A cobertura de centro relatou o mesmo fato com foco no desenho institucional: descreveu o parecer jurídico municipal, a separação entre competência local e federal, a recusa formal dos Estados Unidos em aceitar a jurisdição do tribunal, a resposta israelense de que a corte não tem autoridade e o contexto de que a operação militar começou após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. No conjunto analisado não houve cobertura de veículos de direita sobre o episódio; os argumentos habitualmente associados a esse campo aparecem no material apenas pela voz dos envolvidos, como a manifestação do gabinete israelense classificando o tribunal como instância de fachada e a acusação, feita pelo embaixador de Israel nas Nações Unidas, de que o prefeito reproduziria propaganda do Hamas.
Há ainda uma diferença de tratamento sobre o estágio processual do caso. Parte da cobertura de esquerda antecipa a ideia de condenação já consumada, enquanto o próprio texto reconhece que os magistrados apenas encontraram fundamentos razoáveis para as suspeitas e que o mérito segue sem julgamento. A cobertura de centro mantém a distinção entre mandado expedido e sentença.
O que ainda não se sabe é decisivo para o desfecho. Não há confirmação oficial de que Netanyahu efetivamente viajará a Nova York em setembro, nem detalhamento sobre o roteiro e o esquema de segurança de uma eventual visita. Também não está esclarecido que instrumentos concretos a prefeitura afirma continuar avaliando depois do parecer negativo, nem se haverá qualquer resposta formal do governo federal ao pedido do prefeito. Por fim, não há informação sobre prazo ou etapa seguinte do processo no tribunal internacional.
Em 2024, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra o premiê israelense


O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, chamou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de “criminoso de guerra” e de “arquiteto de um genocídio
