A família Bolsonaro viveu um dia de exposição pública na quarta-feira, 24 de junho de 2026, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo no Instagram afirmando ter sido maltratada e humilhada pelo enteado Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e pré-candidato do partido à Presidência da República. Cerca de uma hora e meia depois, por volta das 18h30, Flávio fez uma transmissão ao vivo no YouTube e escolheu não responder diretamente. Disse apenas: "Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol", em referência à partida do Brasil na Copa do Mundo.
Os relatos convergem nos fatos centrais. Michelle contou que tentou telefonar para Flávio algumas vezes sem sucesso e que, ao ser retornada a ligação, foi tratada com rispidez. Segundo ela, o senador disse que seria melhor que ela ficasse fora das decisões do partido, alegando que ela "havia chegado ontem e não entendia nada de política". A ex-primeira-dama afirmou que, diante da humilhação, recolheu-se. O atrito, segundo as matérias, remonta a uma divergência do ano anterior sobre uma aliança eleitoral no Ceará. Na live, Flávio não citou Michelle nominalmente em nenhum momento e afirmou que "o que está em jogo no Brasil está muito acima de qualquer vaidade". Ele apareceu acompanhado da esposa e disse ter visitado o pai, Jair Bolsonaro, que mandaria um abraço a todos.
A cobertura de centro, como a do g1, relatou o episódio de forma cronológica e factual, detalhando os horários das publicações, reproduzindo as falas dos dois lados com paridade e tratando o caso explicitamente como a exposição de um racha na família em meio à corrida presidencial. Já veículos de direita, como a Veja, enfatizaram a postura de Flávio de não polemizar, enquadrando-o como alguém que se mantém acima das vaidades e focado no projeto político maior, enquanto reproduziram o desabafo de Michelle de modo mais distanciado. Uma leitura à esquerda do mesmo material tende a destacar o tom de menosprezo atribuído a Flávio, que teria dito que a ex-primeira-dama não entendia de política, lendo o episódio como expressão de hierarquia e silenciamento de uma mulher influente dentro do próprio campo conservador.
O que ainda não se sabe é como a divergência afetará concretamente a articulação do PL para 2026 e o papel de Michelle nas decisões partidárias daqui para frente. Também não há, nas matérias, uma versão de Flávio sobre o conteúdo específico das acusações nem apuração independente sobre o teor da conversa telefônica relatada por Michelle. O desdobramento da relação entre os dois e os efeitos sobre a base bolsonarista permanecem em aberto.