A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, que virou a disputa sobre o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, no segundo turno presidencial, passou a ser usada no debate político de outros países. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, classificado como de direita. Nenhum veículo de esquerda ou de centro cobriu a história no conjunto analisado.
Segundo essa cobertura de fonte única, lideranças progressistas tentam reproduzir a estratégia de mobilização da campanha de Lula, enquanto aliados do presidente americano Donald Trump usam o resultado para alimentar questionamentos sobre a segurança das eleições nos Estados Unidos. A repercussão ocorre às vésperas das eleições legislativas americanas, marcadas para terça-feira, 3 de novembro, e durante a campanha na Espanha, onde o primeiro-ministro Pedro Sánchez tenta conter o avanço da direita.
O personagem central é o deputado federal André Janones, da Rede pelo estado de Minas Gerais. Ele comandou o canal de WhatsApp chamado Exército do Lula, que reuniu mais de 10 milhões de participantes durante a campanha. Um jornal espanhol apontou essa mobilização digital como um dos fatores da recuperação de Lula entre o primeiro e o segundo turno. Janones coordenou o compartilhamento de vídeos e mensagens e recebeu agradecimento público do presidente reeleito.
De acordo com a matéria, Janones foi convidado a colaborar com a campanha de Sánchez, que disputa eleições na Espanha em novembro. O contato teria ocorrido por intermediários. Integrantes da esquerda francesa e argentina também acompanham a experiência brasileira, e ativistas americanos discutem estratégias semelhantes.
O gesto do faz o L, mote da campanha petista, foi repetido pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, na segunda-feira, 26 de outubro, ao comemorar a vitória de Lula. Depois disso, apareceu numa manifestação em Móstoles, na região de Madri, e apoiadores do político francês Jean-Luc Mélenchon passaram a citar a campanha brasileira no debate sobre a eleição presidencial francesa de 2027.
O veículo de direita que cobriu o caso relatou que, para a esquerda, o resultado interrompe uma sequência de cinco vitórias da direita na América Latina, e descreveu o faz o L como símbolo internacional de resistência progressista. Embora a manchete fale da direita e da esquerda, o texto dedica ao uso do resultado pela direita estrangeira apenas uma frase, sem nomear os aliados de Trump citados.
Até a manhã de 30 de outubro, quando saiu a matéria analisada, a participação de Janones na campanha espanhola ainda dependia de negociações, e não havia fonte identificada para o convite. Também não estava claro quem, entre os aliados de Trump, levantou dúvidas sobre as eleições americanas a partir do resultado brasileiro.