Polícia Federal vê divergência contábil severa em verbas do filme Dark Horse
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A Polícia Federal apontou uma divergência contábil severa nos recursos do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro: mais de US$ 12 milhões saíram do país e só US$ 2,8 milhões tiveram entrada registrada. A corporação pediu ao Supremo Tribunal Federal 90 dias a mais de inquérito.
A Polícia Federal descreve uma análise preliminar, ainda sem perícia concluída, e os citados negam irregularidades. A cobertura enfatiza a necessidade de apuração técnica antes de qualquer conclusão.
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As duas coberturas relatam o mesmo fato: a Polícia Federal identificou divergência contábil severa entre os valores enviados ao fundo Havengate e os que entraram no Brasil, e pediu prorrogação do inquérito.
A Polícia Federal identificou divergência contábil severa entre os recursos enviados ao fundo Havengate e os que retornaram ao Brasil para o filme Dark Horse. O caso corre no Supremo Tribunal Federal, onde a corporação pediu mais 90 dias de inquérito.
A Polícia Federal apontou uma divergência contábil severa nos recursos enviados ao exterior para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo análise preliminar anexada ao inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal, a empresa Entre Investimentos repassou, a pedido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, 12,33 milhões de dólares ao fundo Havengate, no Texas. O fundo é administrado pelo advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Já os contratos de câmbio apresentados pela produtora Go Up mostram a entrada no Brasil de apenas 2,8 milhões de dólares. A diferença é de cerca de 9,5 milhões de dólares, o equivalente a 48,2 milhões de reais.
A cobertura de centro relatou que a Polícia Federal pediu ao ministro do Supremo, na sexta-feira, a prorrogação do inquérito por 90 dias. A corporação sustenta que é indispensável submeter todo o acervo documental e bancário a um rigoroso exame pericial forense, para confrontar os aportes internacionais, a contabilidade da produtora e o lastro das despesas declaradas. Uma das hipóteses é que o filme tenha servido como narrativa de cobertura para ocultação, simulação e desvio de recursos. O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, que negociou os repasses com Vorcaro, é um dos alvos da apuração.
A reportagem de centro acrescentou que os investigadores analisam três frentes: os repasses feitos por Vorcaro a pedido de Flávio, a possibilidade de que parte do dinheiro tenha custeado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora. Esta última frente corre sob responsabilidade do ministro Flávio Dino e envolve 2 milhões de reais em emendas indicadas pelo deputado Mario Frias para entidades presididas por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora.
Veículos de direita deram destaque ao caráter preliminar do documento e à necessidade da perícia, e se concentraram nos números do laudo e no pedido de prorrogação, sem detalhar as respostas dos investigados. Até o momento, não há cobertura de veículos de esquerda sobre o tema neste conjunto de fontes, o que configura um ponto cego: não é possível descrever o enquadramento que esse lado daria ao caso.
Os citados negam irregularidades. A defesa da Go Up afirmou que a perícia vai revelar a lisura e a legalidade das captações. Eduardo Bolsonaro negou ter recebido recursos de fundo ligado a Vorcaro e disse que investiu 50 mil dólares no projeto e depois recebeu o valor de volta, sem passar pelo fundo. Mario Frias afirmou ao Supremo, em maio, que as emendas não foram enviadas para financiar a produção.
O que ainda não se sabe é o resultado da perícia, se a diferença de valores tem explicação contábil e qual será o destino dos recursos que não aparecem como entrada no país. Também não está claro se o ministro do Supremo aceitará a prorrogação.
Documento enviado ao STF afirma que é 'indispensável submeter todo o acervo documental e bancário a um rigoroso exame pericial forense'

Segundo a Polícia Federal, saíram do país mais de US$ 12 milhões e foi registrada a entrada no Brasil de US$ 2,8 milhões. PF pediu prorrogação do inquérito do filme por 90 dias.
