O instituto Datafolha divulgou na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, a primeira pesquisa nacional de intenção de voto para a Presidência da República depois do início oficial do período de campanha. O levantamento aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, à frente em todas as simulações de segundo turno. Contra o senador Flávio Bolsonaro, do PL, o presidente marca 47% ante 43%. Diante do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, são 47% a 40%. Contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo, a vantagem é de 48% a 38%. E, na disputa com o ativista Renan Santos, do Missão, o placar é de 47% a 37%.
No cenário de primeiro turno, Lula registra 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 33%. Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos com 4%, Romeu Zema com 3% e Augusto Cury, do Avante, com 2%. Quando o empresário Pablo Marçal, do PRTB, entra na lista, o presidente repete os 39% e o senador cai para 32%. Na pesquisa espontânea, em que o entrevistado responde sem receber os nomes dos candidatos, Lula é lembrado por 32% e Flávio Bolsonaro por 19%, contra 30% e 17% no levantamento de 24 de julho. A rejeição mais alta é a do senador, com 46%, seguida pela do presidente, com 45%, e pela de Pablo Marçal, com 22%. O instituto ouviu 2.058 pessoas de 16 anos ou mais entre 18 e 20 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04496/2026.
Um dia antes, em 20 de agosto, a AtlasIntel divulgou levantamento estadual no Pará que segue a mesma direção. Ali, o presidente venceria todos os cenários testados de segundo turno, com 50,8% contra 42,7% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno paraense, Lula marca 48,9% e o senador, 37,4%. Foram 1.197 entrevistas entre 14 e 19 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais, registro PA-04533/2026 no Tribunal Superior Eleitoral, custo declarado de 60 mil reais e contratação pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Pará.
Toda a cobertura converge em três pontos. O presidente lidera as quatro simulações de segundo turno divulgadas pelo Datafolha; a menor margem é justamente a que o separa de Flávio Bolsonaro; e a diferença de quatro pontos nesse cenário fica no limite da margem de erro, o que caracteriza empate técnico. A cobertura de centro tratou o dado de forma segmentada, com peças separadas para o primeiro turno, para o segundo turno e para a pesquisa estadual, sempre acompanhadas da ficha metodológica completa, do contratante e do número de registro na Justiça Eleitoral, e chegou a assinalar expressamente quais percentuais o instituto ainda não havia divulgado.
As divergências aparecem no recorte. Veículos de direita deram destaque à redução da distância no primeiro turno, de oito para seis pontos em relação à pesquisa de julho, e abriram espaço próprio para a rejeição do presidente, de 45%, deixando de fora as simulações contra Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, nas quais a vantagem é mais larga. Veículos de esquerda não integram este conjunto de fontes; a leitura provável desse campo, a partir dos mesmos números, enfatizaria as margens de sete a dez pontos contra os candidatos identificados com a agenda de redução do Estado e a vantagem ampliada no Pará, além da rejeição de 46% ao senador, a maior do levantamento.
O que ainda não se sabe é relevante. O Datafolha não divulgou, até a publicação das matérias, os percentuais de brancos, nulos e indecisos nos cenários de segundo turno contra Ronaldo Caiado e Romeu Zema, o que impede comparar a taxa de indefinição entre as simulações. Também não há, no material divulgado, série histórica dos cenários de segundo turno que permita medir tendência, nem recortes por região, renda ou escolaridade. A pesquisa estadual paraense apresentou apenas o cenário contra Flávio Bolsonaro com números explícitos, embora anuncie quatro simulações. Nenhum dos levantamentos mede o efeito das candidaturas ainda em definição sobre o comportamento do eleitorado até outubro.