O encerramento do prazo de registro de candidaturas, no sábado, 15 de agosto, fechou o quadro das eleições gerais de 2026 e permitiu enxergar pela primeira vez o tabuleiro completo da disputa nacional e estadual. As campanhas começaram no domingo, 16 de agosto, e o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, das 8h às 17h no horário de Brasília, com eventual segundo turno em 25 de outubro. No mesmo dia, os eleitores escolhem presidente e vice, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.
Na corrida presidencial, doze nomes foram registrados: Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Pablo Marçal, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi. Nos estados, São Paulo, maior colégio eleitoral do país com 34.104.226 eleitores aptos, tem sete candidaturas ao Palácio dos Bandeirantes, entre elas a do governador Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição, e a do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. O Ceará reúne oito nomes na disputa pelo Palácio da Abolição, com o governador Elmano de Freitas tentando novo mandato e Ciro Gomes voltando à disputa estadual depois de mais de três décadas. O Rio de Janeiro fechou com nove candidaturas ao Palácio Guanabara, Goiás com seis e o Paraná com oito.
A cobertura de centro concentrou-se no registro oficial das chapas e nas pendências jurídicas que ainda podem alterar o quadro. O caso mais citado é o de Anthony Garotinho, que disputa o governo fluminense pela quarta vez: em 10 de agosto, a 4ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça determinou o cumprimento de sentença que o condenou à suspensão dos direitos políticos por oito anos, e a consequência sobre sua elegibilidade ainda depende de análise da Justiça Eleitoral. A mesma cobertura registrou que, no Ceará, uma das candidaturas anunciadas não havia sido formalizada no sistema da Justiça Eleitoral e seguia sem definição de vice.
Veículos de direita deram mais espaço a perfis biográficos e a pesquisas de intenção de voto. Em Goiás, o levantamento Genial/Quaest divulgado em 30 de julho apontou Daniel Vilela, apoiado pelo governador Ronaldo Caiado, com 37%, seguido de Marconi Perillo com 21% e Wilder Morais com 11%; outros institutos registraram vantagens ainda maiores para o primeiro colocado, e o próprio texto adverte que percentuais variam conforme metodologia e período de entrevistas. No Paraná, onde Ratinho Junior não pode disputar a reeleição, essa cobertura destacou a vantagem de 21 pontos do senador Sérgio Moro sobre Requião Filho e a coligação do ex-secretário de Infraestrutura Sandro Alex. Até o momento, não houve cobertura de veículos de esquerda neste conjunto de matérias, e o enquadramento que costuma acompanhar esse campo, sobre desigualdade de acesso à disputa e sobre candidaturas ligadas a sindicatos e movimentos sociais, aparece apenas de forma indireta nos perfis de concorrentes de PCB, PCO, PSTU e Unidade Popular.
O ângulo patrimonial veio de uma apuração de centro sobre as declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral no Rio de Janeiro. O candidato com maior patrimônio declarado no estado é Francisco Eugênio, pastor e advogado que concorre a segundo suplente na chapa de Marcelo Crivella ao Senado, com R$ 91 milhões distribuídos em cotas empresariais, aplicações financeiras e outros bens. Em seguida aparece Antonio Rueda, presidente do União Brasil e candidato a deputado federal, com R$ 75,6 milhões em imóveis em cinco estados e participações societárias. Entre os candidatos a deputado estadual, Chico Machado declarou R$ 48 milhões; entre os concorrentes ao governo do estado, o valor mais alto é o de Douglas Ruas, com R$ 1,4 milhão.
O que ainda não se sabe é se todos os registros serão homologados pela Justiça Eleitoral, quais candidaturas serão impugnadas e qual será o desfecho do julgamento sobre a elegibilidade de Anthony Garotinho. Também não há, nas matérias, comparação entre os patrimônios declarados agora e os informados em eleições anteriores, nem manifestação dos candidatos citados sobre a origem dos bens. Propostas de governo permanecem disponíveis apenas no sistema DivulgaCandContas, sem análise comparativa publicada até aqui.