A defesa de Jair Bolsonaro entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal para que um encanador possa entrar na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar e realizar reparos. Segundo a petição, há manutenções necessárias no imóvel, e entre os serviços listados está um vazamento hidráulico. Por cumprir prisão domiciliar, qualquer acesso de terceiros à casa depende de autorização judicial, e caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, analisar e decidir sobre a solicitação.
Os detalhes factuais são os mesmos nas diferentes coberturas. A cobertura de centro relatou o episódio de forma direta, destacando que os advogados listam o vazamento entre as manutenções necessárias e que a palavra final é do ministro relator. Veículos de esquerda destacaram o mesmo núcleo de informação, enfatizando que até serviços domésticos rotineiros precisam passar pelo crivo do tribunal, o que, na leitura desses veículos, demonstra que o regime de prisão domiciliar segue regras claras e supervisão do Judiciário, com o ex-presidente submetido às mesmas restrições de qualquer condenado nessa situação.
A divergência de enquadramento aparece no tom. Veículos de direita tendem a enfatizar que a necessidade de recorrer ao Supremo até para um reparo hidráulico básico ilustra o rigor das condições impostas ao ex-presidente, reacendendo o debate sobre a proporcionalidade das medidas e sobre a concentração das decisões nas mãos de um único ministro. Já a esquerda lê o mesmo fato como prova de que o controle judicial sobre o cumprimento da pena funciona e se aplica de modo igualitário. O uso de aspas em torno da palavra reparos no título de parte da cobertura sugere um olhar mais cético sobre a justificativa apresentada pela defesa.
O que ainda não se sabe é quando e como o ministro Alexandre de Moraes vai decidir, se a entrada do profissional será autorizada com restrições, qual o escopo completo das manutenções pedidas e se haverá supervisão durante a visita. Também não há, no material disponível, manifestação do Supremo sobre o pedido nem detalhamento das condições atuais da residência.