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O Congresso retomou os trabalhos em 10 de agosto com uma semana de esforço concentrado, e o governo Lula definiu como prioridade a medida provisória que encerra a chamada taxa das blusinhas, a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares. A MP foi editada em maio e precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até 8 de setembro, sob pena de caducar. A comissão mista de 12 deputados e 12 senadores que deveria analisar o texto ainda não foi instalada, e ao todo há 31 medidas provisórias pendentes de votação.
O Congresso Nacional retomou os trabalhos nesta segunda-feira, 10 de agosto, com uma semana de esforço concentrado, e a articulação política do governo Luiz Inácio Lula da Silva definiu como prioridade a aprovação da medida provisória que encerra a chamada taxa das blusinhas, a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares. Editada em maio, a MP tem força de lei desde então, mas precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até 8 de setembro para não perder a validade. Restam cerca de 30 dias, e a comissão mista que deveria analisar o texto, formada por 12 deputados e 12 senadores, sequer foi instalada.
O rito é o principal obstáculo. Sem o colegiado paritário constituído e sem parecer aprovado, o texto não chega aos plenários das duas Casas. O calendário também é curto: Câmara e Senado reservaram apenas duas semanas de sessões deliberativas no período, de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro, com parlamentares concentrados em seus redutos eleitorais no intervalo. A MP disputa espaço com outras trinta medidas provisórias pendentes, entre elas as que tratam de renegociação de dívidas, combustíveis, transporte, ressarcimento de descontos indevidos em benefícios do INSS e apoio a empresas atingidas pelo aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos.
Toda a cobertura converge em três pontos. O primeiro é a origem do impasse: o fim da isenção para compras de até 50 dólares, aprovado em 2024, é avaliado no Palácio do Planalto como uma das decisões que mais desgastaram a popularidade do governo, e a revogação editada em maio representou uma vitória da ala política sobre a ala econômica. O segundo é o risco concreto de caducidade, com a comissão mista ainda não instalada. O terceiro é a dependência de um acordo com a presidência do Senado: governistas apostam em um novo encontro entre Lula e Davi Alcolumbre para destravar a pauta, depois de mais de três meses sem diálogo entre os dois, rompidos por um jantar de reaproximação costurado por ministros do Supremo Tribunal Federal na semana anterior.
A divergência aparece no enquadramento. Veículos de esquerda apresentaram o episódio pela ótica do Executivo, com o Planalto correndo contra o tempo para preservar uma isenção que beneficia o consumidor, e não registraram o contraditório do setor produtivo. A cobertura de centro acrescentou a outra metade da história: a MP foi criticada por varejistas, é vista por parte dos parlamentares como medida eleitoreira, e o presidente do Senado recebeu representantes do varejo antes do recesso, sem apresentar calendário para a análise da proposta. Nessa mesma cobertura aparece o temor de aliados do presidente de que o Congresso deixe a medida caducar deliberadamente para prejudicá-lo um mês antes das eleições. Veículos de direita não integraram o conjunto de matérias analisado sobre este episódio; o argumento que costuma organizar a crítica por esse eixo, e que aparece de forma indireta na cobertura de centro, é o da isonomia tributária entre a importação de baixo valor e o varejo instalado no país, somado à objeção ao uso de medida provisória para legislar sobre tributo.
A mesma janela decide outras pautas de peso. Há pressão na Câmara pelo projeto de lei complementar dos combustíveis, que permite usar receita extra do petróleo para reduzir impostos sobre o setor, e pela MP de renegociação de dívidas rurais. O governo também cita o projeto que criminaliza atos de misoginia, a PEC da Segurança Pública e a PEC que acaba com a jornada 6x1, esta última parada no Senado e tratada por interlocutores do Planalto como assunto para depois das eleições.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há data para a instalação da comissão mista nem calendário anunciado para a votação da MP nas duas Casas. Nenhuma das matérias informa o tamanho da renúncia de receita associada à isenção, o que impede medir o custo fiscal da medida. Também não está definido se o novo encontro entre o presidente e o presidente do Senado ocorrerá nesta semana, nem quais contrapartidas seriam negociadas para destravar a pauta.
Todas as coberturas concordam nos fatos processuais: a MP que revoga a taxa de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares precisa ser votada nas duas Casas até 8 de setembro, a comissão mista de 12 deputados e 12 senadores ainda não foi instalada, há cerca de 31 medidas provisórias na fila e o governo depende de um acordo com a presidência do Senado para destravar a pauta.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O corpo é em boa parte reprocessamento factual de apuração alheia (rito da comissão mista, prazo de 120 dias, lista de 31 MPs). O enquadramento, porém, é organizado do ponto de vista do Executivo: 'Planalto corre contra o tempo', ênfase na 'vitória da ala política sobre a ala econômica' e no ônus que recairia sobre o presidente. Suprime integralmente o contraditório do varejo e a acusação de medida eleitoreira, o que inclina o texto para a esquerda.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto de bastidor equilibrado: registra tanto o cálculo eleitoral do Planalto ('manter efeito eleitoral', 'vitrine eleitoral') quanto a leitura crítica de que a medida é vista por parlamentares e varejistas como eleitoreira. Vocabulário descritivo, com atribuição das intenções a 'relatos', 'aliados' e 'interlocutores'. Não adota o enquadramento de nenhum lado.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Medida tem um mês para ser votada, e parlamentares preveem apenas duas semanas de votação no período

Planalto corre contra o tempo antes que o texto perca a validade no Legislativo

Decisão da articulação política do governo considera prazo da MP, mas também impacto eleitoral da isenção das compras internacionais até US$ 50
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Perspectivas omitidas
Texto curto, seco e descritivo: prazo de 120 dias, 30 dias restantes, comissão mista de 12 deputados e 12 senadores, 31 MPs na fila. O cálculo eleitoral aparece como avaliação atribuída ao Palácio do Planalto, não como juízo do veículo. Sem vocabulário valorativo em nenhuma direção.
Perspectivas omitidas



