Instituição Fiscal Independente aponta déficit estrutural de 1,4% do PIB
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A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico ligado ao Senado, estimou em 1,4% do PIB potencial o déficit primário estrutural do governo central no acumulado de quatro trimestres encerrado em junho de 2026, o dobro dos 0,7% registrados no mesmo período de 2025. O indicador exclui receitas e despesas extraordinárias e ajusta os números ao ciclo econômico e aos preços do petróleo. Pelo critério convencional, o governo central passou de superávit de 0,1% do PIB para déficit de 1,1%. Os números constam do Relatório de Acompanhamento Fiscal de agosto, divulgado em 20 de agosto.
O déficit primário estrutural do governo central dobrou em um ano e chegou a 1,4% do PIB, exatamente o indicador que retira maquiagem contábil ao expurgar receitas e despesas extraordinárias e efeitos de ciclo.
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As coberturas convergem nos números e na metodologia: o déficit estrutural dobrou para 1,4% do PIB, o resultado convencional passou de superávit de 0,1% para déficit de 1,1% e a queda das receitas extraordinárias e do componente cíclico explica parte relevante da piora.
O déficit primário estrutural do governo central dobrou em um ano e chegou a 1,4% do PIB no acumulado até junho de 2026, segundo a Instituição Fiscal Independente. O indicador retira receitas e despesas atípicas e ajusta o resultado ao ciclo econômico, e mostra que o superávit convencional de 0,1% do PIB virou déficit de 1,1%.
O déficit primário estrutural do governo central alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto potencial no acumulado de quatro trimestres encerrado em junho de 2026, o dobro dos 0,7% apurados no mesmo intervalo de 2025. O cálculo é da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico ligado ao Senado Federal, e foi divulgado em 20 de agosto, dentro do Relatório de Acompanhamento Fiscal de agosto, assinado pelos economistas Rafael Bacciotti e Alexandre Andrade.
O indicador estrutural é diferente do resultado primário que costuma ser noticiado a cada mês. Ele retira das contas as receitas e despesas extraordinárias, aquelas que entram ou saem do caixa uma única vez, e ajusta os números aos efeitos do ciclo econômico e dos preços do petróleo. A intenção é enxergar a situação fiscal sem fatores temporários, ou seja, o que sobra quando a sorte de arrecadação e o momento da economia são descontados.
Há convergência total entre as coberturas sobre os números. Pelo critério convencional, o governo central saiu de um superávit de 0,1% do PIB para um déficit de 1,1% no acumulado até junho. O saldo das receitas e despesas não recorrentes seguiu positivo, mas encolheu de 0,5% para 0,2% do PIB, o equivalente a uma queda de R$ 57,6 bilhões para R$ 22,8 bilhões. As receitas extraordinárias caíram de R$ 87,2 bilhões para R$ 40,2 bilhões, enquanto as despesas não recorrentes recuaram de R$ 29,6 bilhões para R$ 17,4 bilhões. O componente cíclico, que capta o efeito da atividade econômica sobre a arrecadação, perdeu força e passou de 0,4% para 0,1% do PIB. Os dois economistas afirmam que a piora do resultado estrutural e a expansão fiscal são pontos de atenção para a trajetória das contas públicas.
A divergência aparece no enquadramento. A cobertura de centro relatou o dado em registro técnico, com destaque para a metodologia e para o fato de o resultado medir o impacto de eventos não recorrentes, sem atribuir responsabilidade política pela piora. Já veículos de direita enfatizaram a deterioração como um resultado do governo, organizando o texto em torno da tese de expansão fiscal e da dependência de receitas atípicas para fechar as contas, sem incluir manifestação do Ministério da Fazenda. Até o fechamento desta análise, nenhum veículo de esquerda havia coberto o relatório. Aplicada aos mesmos números, a leitura de esquerda tenderia a destacar que a queda das receitas extraordinárias e o enfraquecimento do componente cíclico explicam boa parte da piora, o que deslocaria o debate da despesa para a base de arrecadação.
Permanecem em aberto pontos relevantes. O material divulgado não detalha quais despesas específicas sustentam a expansão fiscal apontada pelos autores, não traz projeção da própria instituição para o fechamento de 2026 e não registra resposta do governo federal à estimativa. Também não há indicação de como o resultado estrutural interage com as regras do arcabouço fiscal em vigor nem qual seria o esforço necessário para reverter a tendência nos próximos trimestres.
Resultado das contas públicas piorou no período de 12 meses encerrado em junho, segundo a Instituição Fiscal Independente

Resultado indica como saldo sofre impacto de eventos não recorrentes, como receitas e despesas extraordinárias
