“Depreciativo e inapropriado”: Venezuela convoca embaixador do Irã após fala que comparou países
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As tensões diplomáticas expõem o peso da soberania e da memória histórica nas relações da América do Sul. A Venezuela reage a comparações vistas como desrespeitosas em meio à pressão de Washington, enquanto o Brasil vê uma fala de Lula em defesa de investimentos em soberania e defesa nacional ser lida como afronta por um vizinho ainda marcado por um conflito devastador.
Dois episódios diplomáticos correm em paralelo: a Venezuela convocou o embaixador do Irã após declarações que Caracas classificou como depreciativas às suas instituições, e o Paraguai convocou o embaixador do Brasil após uma fala do presidente Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Em ambos os casos, a convocação de embaixador funciona como sinal formal de insatisfação entre governos.
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Toda a cobertura trata a convocação de embaixador como sinal diplomático formal de insatisfação, sem rompimento de relações, e reproduz as declarações que originaram cada crise.
Duas convocações de embaixadores marcaram a semana na diplomacia sul-americana e voltaram os holofotes para o modo como declarações de autoridades podem abrir crises entre governos. Na terça-feira, a Venezuela convocou o embaixador do Irã em Caracas para entregar uma nota de protesto contra o que classificou como declarações depreciativas e inapropriadas sobre suas instituições e autoridades. Dois dias depois, foi a vez do Paraguai convocar o embaixador do Brasil em Assunção, em reação a uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança.
No caso venezuelano, o gesto veio depois de o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmar que 'o Irã não é a Venezuela', frase interpretada como referência à operação dos Estados Unidos que depôs o então presidente Nicolás Maduro. Delcy Rodríguez assumiu o governo interinamente após a prisão de Maduro, em janeiro, e conduz uma transição sob pressão de Washington. Caracas exigiu o fim de comparações que, segundo o governo, prejudicam a dignidade e a soberania do país, sem detalhar quais falas motivaram o protesto.
No caso brasileiro, a crise nasceu de um discurso feito em Jacareí, no interior de São Paulo, em 24 de julho, quando Lula defendeu investimentos em defesa e relembrou que o Paraguai um dia invadiu o Brasil. A Câmara dos Deputados paraguaia emitiu declaração acusando o presidente de distorcer e minimizar a dimensão histórica do conflito, o mais sangrento da América do Sul, que devastou o território e a população paraguaia no século 19. Os presidentes Santiago Peña e Lula conversaram por telefone sobre o episódio.
Os veículos de centro relataram os dois casos de forma factual, destacando que a convocação de embaixador é um sinal diplomático de insatisfação que não implica rompimento de relações, e reproduzindo tanto a fala literal de Lula quanto o repúdio oficial paraguaio. Veículos de esquerda enfatizaram a dimensão de soberania e de memória histórica: a reação da Venezuela é enquadrada como defesa da dignidade nacional diante da pressão dos Estados Unidos, e a fala de Lula, como parte de um discurso em favor de investimento em defesa. Já a leitura à direita tenderia a enfatizar o custo diplomático de uma declaração improvisada do chefe de Estado, que obrigou o Brasil a explicações e desgastou sua imagem, além de apontar a proximidade histórica entre regimes como Venezuela e Irã.
O que ainda não se sabe é quais foram exatamente as falas iranianas que a Venezuela considerou ofensivas, já que a chancelaria não as detalhou, nem qual será a resposta formal do Itamaraty ao Paraguai além da conversa telefônica entre os presidentes. Também permanecem sem divulgação integral os termos dos acordos entre Caracas e Teerã.
Chanceler disse que governo defenderá a

Venezuela convocou o embaixador do Irã e protestou contra declarações de Teerã consideradas depreciativas sobre o país.
