Uma sequência de pesquisas divulgadas entre 5 e 8 de julho de 2026 reacendeu o debate sobre a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas da disputa presidencial de 2026. O instituto Datafolha mostrou o governador Tarcísio de Freitas com ampla vantagem sobre Fernando Haddad na corrida ao governo de São Paulo, cenário que preocupa o Palácio do Planalto por ameaçar encurtar o principal palanque petista no maior colégio eleitoral do país. Já os institutos Gerp e Meio/Ideia, ambos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, mediram a avaliação do governo federal e a rejeição a pré-candidatos à Presidência, com Lula liderando a rejeição entre os nomes testados.
Os números convergem em pontos concretos. Segundo o Datafolha, Tarcísio tem 46% das intenções de voto contra 30% de Haddad, chegando a 52% a 34% entre os votos válidos, critério usado pela Justiça Eleitoral. No campo nacional, o Gerp registrou 41% de aprovação e 50% de desaprovação ao governo Lula, enquanto o Meio/Ideia apontou 46,5% de aprovação e 48,5% de desaprovação, com estabilidade em relação ao levantamento anterior de maio. No recorte de rejeição a pré-candidatos, o mesmo instituto colocou Lula em primeiro lugar, com 46,4% dizendo que não votariam nele 'de jeito nenhum', à frente de Flávio Bolsonaro, com 43,4%, e Michelle Bolsonaro, com 28%.
A cobertura de centro, feita pelo Poder360, tratou os resultados de forma estritamente metodológica, detalhando tamanho de amostra, margem de erro, datas de campo, número de registro no TSE e valor pago pelos levantamentos, sem atribuir interpretação política aos números. Já veículos de direita, como VEJA e Revista Oeste, enfatizaram o desgaste do presidente e o risco para a estratégia do PT: a VEJA descreveu o resultado paulista como um 'alerta vermelho' para Lula, destacando o temor da equipe presidencial de perder um palanque competitivo em São Paulo justamente na reta final da disputa nacional contra Flávio Bolsonaro. A Revista Oeste, por sua vez, frisou a manutenção da desaprovação acima da aprovação, ainda que dentro da margem de erro, e ilustrou a matéria com uma imagem de Lula fazendo um gesto obsceno em outro evento.
Até o momento, nenhum veículo classificado como de esquerda cobriu esta sequência específica de pesquisas, o que configura um ponto cego na cobertura disponível: a leitura provável desse lado tenderia a relativizar a queda, apontando a estabilidade dos índices desde maio, o fato de que aprovação e desaprovação seguem próximas dentro da margem de erro, e questionando o financiamento de institutos menores antes de qualquer conclusão sobre desgaste do governo.
O que ainda não está claro é como os cerca de 5% de eleitores indecisos no levantamento do Meio/Ideia tendem a se posicionar, nem se a vantagem de Tarcísio em São Paulo se sustentará até a eleição, especialmente diante de uma possível desistência de outros pré-candidatos de direita no estado.