As Unidades Básicas de Saúde de todo o país abriram neste sábado, 22 de agosto, para o Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação, coordenada pelo Ministério da Saúde. O público prioritário é formado por crianças e adolescentes menores de 15 anos, com até 14 anos, 11 meses e 29 dias, e a oferta reúne 20 imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação, todos gratuitos pelo Sistema Único de Saúde. Estão na lista as vacinas contra poliomielite, meningites, hepatites A e B, febre amarela, influenza, covid-19, HPV, varicela, dengue e a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A campanha começou em 3 de agosto e segue até 1º de setembro.
A novidade desta edição é a vacina pneumocócica 20-valente, incorporada ao calendário nacional em junho e indicada para crianças menores de 5 anos, conforme o esquema vacinal. Ela amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, como pneumonias e meningites. A orientação comum a todos os estados é simples: levar um documento de identificação e, se possível, a caderneta de vacinação, para que a equipe de saúde verifique quais doses estão em atraso.
A cobertura de centro concentrou-se na logística e no detalhe municipal, o que dá a dimensão do esforço. Na capital paulista, as 483 Unidades Básicas de Saúde funcionam das 8h às 17h. Em Sergipe, unidades dos 75 municípios abrem a partir das 8h, mediante apresentação da caderneta e do cartão do SUS. Na região de Piracicaba, no interior paulista, o atendimento começa às 7h em algumas cidades e se espalha por postos, shoppings e até um drive-thru, com horários que variam de município para município; em Capivari, sete postos atendem das 8h às 12h. Alguns municípios estenderam a vacinação a adultos e idosos, embora o foco nacional siga sendo o público abaixo de 15 anos.
O segundo eixo, presente em toda a cobertura, é o sarampo. Diante do aumento de casos na Região das Américas e do registro de casos importados, o Ministério da Saúde mantém vacinação indiscriminada para pessoas de 6 meses a 59 anos em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, mesmo para quem já se vacinou antes. Bebês de 6 a 11 meses recebem a chamada dose zero, que não substitui as doses de rotina previstas aos 12 e 15 meses. A capital paulista registra 20 casos confirmados em 2026, outros 472 em investigação e nenhum óbito, e contabiliza 1.045.758 doses aplicadas apenas contra o sarampo entre 3 e 19 de agosto, num total de 1.379.395 doses somadas as demais vacinas.
Veículos de esquerda destacaram o caráter universal e gratuito da ação, deram espaço à declaração do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de que é fundamental manter a vacinação em dia para evitar a reintrodução de doenças já eliminadas, e sublinharam que mais de 180 milhões de doses foram distribuídas ao longo do ano. Nessa cobertura aparecem também os números da intensificação na Grande São Paulo: mais de 529,8 mil doses de tríplice viral aplicadas entre 3 e 14 de agosto nos três municípios, das quais 87,2 mil em crianças de 5 a 11 anos, 16,5% do total. O enquadramento é o de política de Estado que chega a quem não teria como pagar por imunização.
Veículos de direita não registraram cobertura deste Dia D até o momento, e a leitura provável desse lado tampouco aparece no noticiário disponível: a de que uma mobilização de emergência contra o sarampo, menos de dois anos depois de o país receber da Organização Pan-Americana da Saúde a recertificação de eliminação da circulação endêmica da doença, é sinal de falha da vacinação de rotina, com a cobrança recaindo sobre a conversão de doses distribuídas em doses efetivamente aplicadas e sobre a responsabilidade das famílias de manter a caderneta atualizada.
Um ponto de atenção regulatório atravessa a campanha: a vacina contra a dengue aplicada na faixa de 10 a 14 anos é a Qdenga, da farmacêutica Takeda, enquanto o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan segue suspenso após 42 eventos adversos mais severos.
O que ainda não se sabe é quanto a mobilização vai efetivamente elevar a cobertura vacinal: nenhuma das coberturas apresenta o percentual atual por vacina e faixa etária, nem a meta da campanha. Também não há desfecho para os 472 casos de sarampo em investigação na capital paulista, nem prazo divulgado para uma decisão sobre o retorno da vacina do Butantan contra a dengue.