Opas inclui Brasil entre 14 países com acesso ao lenacapavir, injeção contra HIV
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Resumo da cobertura
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3 fontes políticas
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A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou acordo com a farmacêutica Gilead Sciences que permite a 14 países da América Latina e do Caribe, incluindo o Brasil, adquirir o lenacapavir, injeção de prevenção do HIV aplicada duas vezes ao ano, por meio dos fundos rotatórios regionais. O acordo não garante chegada imediata: não há preço, volume nem cronograma divulgados, e no Brasil o remédio ainda depende da CMED, da Conitec e do Ministério da Saúde, que teve proposta de compra recusada em julho.
O acordo entre a Opas e a Gilead abre uma via de acesso coletivo ao lenacapavir para 14 países excluídos das licenças de genéricos, entre eles o Brasil, depois de pressão de autoridades sanitárias e da sociedade civil.
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A Organização Pan-Americana da Saúde fechou acordo com a Gilead Sciences para que 14 países, entre eles o Brasil, comprem o lenacapavir, injeção semestral de prevenção do HIV. A chegada ao SUS ainda depende de preço, da Conitec e do Ministério da Saúde, que não fechou compra direta em julho.
A Organização Pan-Americana da Saúde, a Opas, anunciou nesta semana um acordo com a farmacêutica Gilead Sciences para ampliar o acesso ao lenacapavir, medicamento injetável de prevenção do HIV aplicado duas vezes por ano. Catorze países da América Latina e do Caribe poderão comprar o remédio por meio dos fundos rotatórios regionais da Opas, e o Brasil está entre eles. A lista inclui ainda Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
O lenacapavir é uma forma de profilaxia pré-exposição, a chamada PrEP, de ação prolongada. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde o recomendou como opção adicional de prevenção. Nos estudos de fase 3, não houve infecções entre as mulheres que receberam o remédio em um dos ensaios, e em outro, com participação de centros brasileiros, a incidência de HIV caiu 96% em relação à taxa esperada sem PrEP. Segundo a Opas, a região registra cerca de 140 mil novas infecções por ano. A Gilead também se comprometeu a avançar na transferência de tecnologia para permitir a produção no Brasil, mas não há prazo definido.
Toda a cobertura concorda que o acordo não significa chegada imediata. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, aprovou o medicamento em janeiro. A venda ainda depende do preço máximo fixado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, e a oferta no Sistema Único de Saúde exige avaliação da Conitec, comissão que analisa novas tecnologias, e decisão do Ministério da Saúde.
A cobertura de centro foi a que mais detalhou os obstáculos. Relatou que, em julho, o Ministério da Saúde tentou comprar o remédio diretamente e propôs 400 dólares por pessoa ao ano, sem acordo com a empresa. Lembrou também que, em 2024, a Gilead licenciou genéricos para 120 países e deixou o Brasil de fora, o que levou o Conselho Nacional de Saúde a aprovar uma moção de repúdio e a defender o debate sobre licenciamento compulsório caso o preço impeça o acesso pelo SUS.
O veículo de linha editorial à esquerda que cobriu o caso destacou o discurso institucional da Opas: a cooperação técnica aos países, a diversidade de opções de prevenção e a meta de eliminar o HIV como problema de saúde pública até 2030. Esse texto não mencionou a negociação frustrada do governo. Veículos de direita não publicaram cobertura própria até o momento, o que deixa sem registro a leitura sobre custo, patente e papel do mercado no caso.
O que ainda não se sabe é quanto o remédio vai custar, quantas doses caberão ao Brasil e quando o fornecimento começa. Também não está claro se o governo brasileiro vai aderir ao fundo da Opas ou insistir na compra direta, nem quando a produção nacional poderá sair do papel.

Dados da entidade indicam cerca de 140 mil novas infecções pelo HIV registradas todos os anos na América Latina e no Caribe, o que, segundo a Opas, reforça a necessidade de ampliar o acesso a opções de prevenção eficazes.
Lenacapavir é aplicado 2 vezes ao ano e teve eficácia de quase 100% em ensaios clínicos. Leia no Poder360.
