O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir ainda nesta semana com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, do PT da Bahia, para decidir se o senador segue no cargo. O encontro ganhou peso depois que Jaques foi um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As investigações apontam que o parlamentar teria atuado para beneficiar o Banco Master em troca de vantagens indevidas.
A cobertura de centro relatou que a conversa depende da agenda do presidente, que cumpre compromissos no Rio de Janeiro e em São Paulo no início da semana. Segundo essa cobertura, Lula pediu que o senador voltasse da Bahia para Brasília, e a expectativa é que Jaques converse antes com lideranças do partido. O próprio senador afirmou, em declaração direta, que não pedirá para deixar a liderança e que o tema não foi mencionado por Lula no telefonema feito horas após a operação. Questionado por jornalistas sobre o futuro do aliado, o presidente respondeu apenas com um gesto de aprovação, sem se comprometer.
Os dois lados da cobertura convergem em pontos centrais. Todos relatam que há pressão interna no governo por uma resposta às investigações, que o caso pode reequilibrar o tabuleiro eleitoral e que Jaques resiste à saída de olho na própria reeleição. Pesquisas de intenção de voto na Bahia, estado onde o senador é popular, mostram Jaques disputando com o ex-ministro Rui Costa a liderança na corrida ao Senado, em uma eleição que renovará dois assentos por estado.
É no enquadramento que os veículos se afastam. Veículos de direita enfatizaram o risco de o escândalo do Banco Master contaminar a campanha de reeleição de Lula e reforçar a associação, explorada pela oposição, entre o PT e desvios na máquina pública. Nessa leitura, manter o senador no cargo estratégico seria, nas palavras de integrantes da própria base, entregar de bandeja uma narrativa aos adversários. A cobertura de centro, por sua vez, apresentou os dois argumentos com paridade: de um lado o cálculo eleitoral na Bahia e a proximidade histórica entre Lula e Jaques, ministro em governos petistas e nas gestões de Dilma Rousseff; de outro, a necessidade de o governo dar uma resposta pública às investigações.
Veículos de esquerda, dentro do mesmo conjunto de fatos, tenderam a destacar o peso de Jaques como quadro histórico do partido e o efeito de uma eventual saída sobre todo o palanque petista no estado, além de lembrarem que aliados consideram a situação do senador menos delicada que a de Flávio Bolsonaro, também citado por sua proximidade com Daniel Vorcaro, do Banco Master, com perguntas ainda em aberto.
O que ainda não se sabe é o desfecho da reunião entre Lula e Jaques, se haverá ou não troca na liderança do governo no Senado e quais são, em detalhe, as acusações formais da Operação Compliance Zero contra o senador. Também permanece sem resposta como o episódio afetará, na prática, as candidaturas petistas na Bahia e o rumo da campanha presidencial.