O presidente nacional do PT, Edinho Silva, deve viajar a Minas Gerais neste fim de semana para uma nova tentativa de convencer a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, a disputar o governo do estado nas eleições de 2026. A iniciativa atende a um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ganhou força após uma reunião realizada na quarta-feira, dia 24, no Palácio da Alvorada, com lideranças petistas mineiras.
No encontro em Brasília, a direção do partido consolidou a decisão de lançar candidatura própria ao Palácio Tiradentes. A definição ocorreu depois que o senador Rodrigo Pacheco se afastou da disputa estadual e sinalizou saída da política, cenário que levou o PT a reavaliar sua estratégia. Segundo relatos de participantes, quase a totalidade dos presentes defendeu que Marília Campos encabece a chapa. Lula teria se colocado à disposição para participar das negociações e prometeu assumir pessoalmente a articulação com os partidos aliados, com a intenção de receber a deputada na próxima semana.
A cobertura de centro relatou que um dos fatores por trás da pressão sobre Marília é o desempenho registrado em pesquisas internas encomendadas pela legenda. Nesses levantamentos, ela aparece como o nome mais competitivo do campo da esquerda, embora ainda atrás do senador Cleitinho, do Republicanos, que lidera as intenções de voto. Os estudos também apontariam um número expressivo de eleitores indecisos, espaço visto pelo partido como margem para crescimento ao longo da campanha.
Apesar das movimentações, Marília Campos resiste à ideia. Em nota à imprensa, considerou legítima a decisão do partido, mas a classificou como um 'equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado'. Ela afirma que sua única disponibilidade política é a candidatura ao Senado, que avalia ser o palanque petista capaz de contribuir para a reeleição de Lula em Minas. A deputada defende a construção de uma ampla aliança democrática, reunindo os partidos que sustentam o governo Lula, em vez de reproduzir uma disputa fortemente polarizada.
Veículos de esquerda destacaram o argumento de Marília a favor da unidade e do diálogo, enquadrando a divergência como um debate sobre o melhor caminho para fortalecer o projeto popular no estado. Já veículos de direita enfatizaram a intervenção direta de Lula na disputa e a resistência pública da própria pré-candidata à orientação da cúpula, ressaltando que o senador Cleitinho lidera as pesquisas e que os números citados pelo PT são internos e sem dados públicos.
A cobertura de centro acrescentou contexto: a decisão por candidatura própria veio após o fracasso de uma aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. Para o PT, a parceria preservaria a vaga de Marília ao Senado enquanto se apoiava um nome com potencial eleitoral, mas a negociação não avançou porque Kalil, diferentemente de 2022, quer ficar desgarrado da disputa presidencial.
O que ainda não se sabe é se Marília vai ceder à pressão da direção do partido ou manter sua decisão pelo Senado, quais são os números exatos das pesquisas internas que o PT diz ter em mãos, e como ficará o desenho final dos palanques aliados em Minas Gerais para 2026.