O Partido Liberal (PL) marcou para 25 de julho, na Arena Pacaembu, em São Paulo, a convenção nacional que oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de outubro de 2026. O evento, com capacidade para até oito mil pessoas, também homologará as candidaturas do partido a governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
A cobertura de centro relatou que a data foi anunciada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em vídeo publicado nas redes sociais, e que o nome da vice de Flávio segue indefinido. Pela lei eleitoral, os partidos têm até 15 de agosto para registrar oficialmente suas chapas na Justiça Eleitoral. A oficialização ocorre após meses de turbulência na pré-campanha: áudios em que Flávio pede dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, vazaram nas últimas semanas, e a relação do senador com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, azedou publicamente depois que ela deixou a presidência do PL Mulher, em 30 de junho, alegando ter sido humilhada por ele. Michelle também é cotada para disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, com incentivo do próprio Jair Bolsonaro.
Paralelamente, o PL negocia apoio formal do Republicanos para a chapa presidencial, com reuniões em Brasília que já discutem palanques regionais no Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Roraima e Minas Gerais. A Federação União Brasil-PP, por sua vez, já descartou qualquer aliança com o senador.
Veículos de direita enfatizaram o discurso de aliados do PL que associam a pauta de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de 8 de Janeiro de 2023 a uma resistência contra o que classificam como perseguição do Supremo Tribunal Federal, tratando o tema como bandeira central para consolidar o apoio da base bolsonarista à candidatura. Já veículos de esquerda destacaram a confirmação de que o presidente argentino Javier Milei virá ao Brasil participar da convenção, enxergando no encontro um sinal de articulação regional entre lideranças de extrema-direita — Milei também prestigiará, nas semanas seguintes, as posses de Keiko Fujimori, no Peru, e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Essa cobertura também questionou o uso da cota de vice mulher, prevista em lei para ampliar a participação feminina, como mecanismo que pode liberar recursos bilionários do fundo eleitoral para financiar, na prática, a campanha do próprio candidato à Presidência.
O que ainda não se sabe é quem ocupará a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro, se o Republicanos fechará apoio formal antes da convenção e se o Supremo Tribunal Federal autorizará Javier Milei a visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, durante a passagem do argentino pelo país.