As convenções partidárias das eleições de 2026 se encerraram na quarta-feira, 5 de agosto, e o processo eleitoral brasileiro entrou na fase de registro de candidaturas. Até a terça-feira, 4 de agosto, onze nomes já haviam sido oficializados para a disputa presidencial. Entre eles estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmado pelo PT em 2 de agosto ao lado de Geraldo Alckmin, e o senador Flávio Bolsonaro, oficializado pelo PL em 25 de julho, ainda sem vice anunciado no momento da convenção. Também aparecem na lista Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos, Leonardo Avalanche, Edmilson Dias, Hertz Dias, Samara Martins, Augusto Cury e Wilson Grassi. A maioria formou chapa com cabeça e vice do mesmo partido.
O calendário seguinte é rígido e igual para todos. As siglas têm até as 19h de 15 de agosto para registrar as chapas na Justiça Eleitoral, com as candidaturas presidenciais enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral e os demais cargos aos tribunais regionais. Cada corte então analisa documentação, idade, nacionalidade e filiação partidária. A campanha nas ruas e na internet começa em 16 de agosto, e a propaganda em rádio e televisão vai de 28 de agosto a 1º de outubro. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o eventual segundo turno para 25 de outubro. A diplomação dos eleitos ocorre até 19 de dezembro, e o presidente eleito toma posse em 5 de janeiro de 2027. Além do Executivo federal, estão em jogo 27 governos estaduais, 513 vagas na Câmara, 54 no Senado e mais de mil cadeiras nas assembleias.
A cobertura de centro concentrou-se justamente nessa engrenagem: listou as candidaturas oficializadas uma a uma, detalhou o calendário estadual das convenções, resumiu os discursos de lançamento dos presidenciáveis mais bem posicionados e mapeou os quatro debates previstos para o primeiro turno, o primeiro deles em 23 de agosto, com regras ainda não divulgadas. Nesse registro factual, os discursos de convenção aparecem lado a lado, sem hierarquia: o presidente falando de educação, proteção a mulheres, cuidado com idosos e investimento em defesa e tecnologia; o senador que lidera a oposição prometendo endurecimento penal e evocando o legado do pai; e os demais concorrentes prometendo metas de redução de homicídios, juros abaixo de 6% e gestão técnica.
Veículos de esquerda destacaram sobretudo a dimensão institucional do pleito. A atualização do aplicativo oficial do eleitor, que passou a emitir certidão de filiação partidária, permitir pagamento de multas por Pix e integrar o módulo de compartilhamento de boletins de urna, foi apresentada como reforço de autonomia do cidadão e de segurança do voto. Na mesma linha, a cartilha lançada pelo tribunal eleitoral em conjunto com a Advocacia-Geral da União, com canais para denunciar conteúdo falso gerado por inteligência artificial, é lida como defesa coletiva do processo democrático diante de ataques coordenados.
Veículos de direita enfatizaram o outro lado da mesma cobertura: a oferta concreta de alternância. O fechamento das convenções consolidou candidaturas de oposição com perfis distintos, de senador a ex-governadores e a um estreante vindo do ativismo político, todas ancoradas em segurança pública, controle de gasto e crítica ao ciclo petista. Nesse enquadramento, a moderação de conteúdo na campanha exige critérios explícitos para não alcançar manifestação política legítima, já que as regras operacionais sobre inteligência artificial, incluindo a proibição de novos conteúdos sintéticos nas 72 horas anteriores ao pleito, ainda não foram detalhadas em sua aplicação prática.
O que ainda não se sabe é considerável. A lista definitiva de candidatos só será conhecida depois de 15 de agosto, quando encerra o registro e a Justiça Eleitoral começa a validar as chapas. Alguns concorrentes ainda não haviam anunciado vice ao fim das convenções. As regras dos quatro debates presidenciais não foram divulgadas, e não está confirmado quais candidatos comparecerão: o presidente afirmou que não participará de debate se for para ouvir bobagem, e seu principal adversário sinalizou que só vai aos encontros em que o presidente estiver presente. Também depende do fechamento das coligações o mapa final de tempo de propaganda no rádio e na televisão.