Eleições: PL e federação do PT lideram autoria de denúncias no TSE
Relato de fonte única, atribuído a Metrópoles. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Levantamento do Metrópoles mostra que, até 26 de junho de 2026, o TSE havia registrado ao menos 141 denúncias eleitorais no ano. Cerca de 86% delas (121 representações) partiram do PL, do senador Flávio Bolsonaro, e da Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV. Os números são quase idênticos: 61 do PL e 60 do PT. As denúncias tratam de pesquisas eleitorais, propaganda e impulsionamento irregular e do uso de inteligência artificial.
Briefing
O que importa para você
- O TSE proibiu sistemas de IA de comparar ou priorizar candidatos na campanha de 2026.
- Conteúdos manipulados (montagens e deepfakes) sobre Lula e Flávio Bolsonaro já foram removidos por decisão da Corte.
- A linha entre crítica política protegida e propaganda negativa está sendo definida caso a caso.
Onde os lados divergem
- Esquerda enquadra o TSE como anteparo necessário contra a desinformação e a manipulação por IA que atinge Lula.
- Direita enfatiza a judicialização da campanha e vê risco de cerceamento da liberdade de expressão, citando a manutenção do vídeo crítico a Lula.
Onde os lados concordam
Esquerda, centro e direita reconhecem que PL e federação do PT lideram com larga margem as denúncias no TSE em 2026 e que o uso de inteligência artificial e deepfakes virou tema central da disputa eleitoral.
O que ainda está incerto
A federação do Partido dos Trabalhadores, ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o Partido Liberal, do senador Flávio Bolsonaro, lideram o número de denúncias registradas no Tribunal Superior Eleitoral em 2026. Segundo levantamento do Metrópoles, até 26 de junho a Corte Eleitoral havia registrado ao menos 141 denúncias no ano. Desse total, cerca de 86% partiram das duas legendas: 121 representações no conjunto, sendo 61 protocoladas pelo PL e 60 pela Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV. Os números são praticamente idênticos entre os dois blocos.
As denúncias tratam de pesquisas eleitorais, propaganda e impulsionamento irregular e do uso de inteligência artificial. O tribunal é presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, que assumiu o comando em maio, tendo André Mendonça como vice. A cobertura de centro relatou que o TSE, por meio de resolução, já proibiu que sistemas de IA façam comparativos, recomendações ou priorizem candidatos, mesmo a pedido do eleitor, na tentativa de conter viés automatizado. Há ainda preocupação com deepfakes, conteúdos manipulados para imitar de forma realista a imagem, a voz e os gestos de uma pessoa.
Na maior parte das denúncias, os partidos dos dois principais pré-candidatos à Presidência trocam acusações. Oito ações do PL citam diretamente Lula, enquanto 18 ações da federação do PT mencionam Flávio Bolsonaro. Veículos de direita enfatizaram que o TSE negou uma liminar do PT e manteve no ar um vídeo em que Flávio chama Lula de o maior mentiroso que este Brasil já viu: o ministro Nunes Marques entendeu que, embora duras, as declarações configuram crítica política protegida pela liberdade de expressão. Esse enquadramento ressalta o risco de judicialização e de cerceamento do debate.
Veículos de esquerda destacaram a face oposta da disputa: a escalada de manipulação por inteligência artificial e o papel do tribunal como anteparo contra a desinformação. Ao menos nove representações tratam do uso de IA para produzir conteúdo falso, e a federação do PT responde por cinco delas. Em um dos casos, o ministro André Mendonça determinou a remoção de uma imagem manipulada por IA que associava Lula ao escândalo do Banco Master. O mesmo ministro mandou retirar uma montagem que ligava Flávio Bolsonaro ao crime organizado, por entender que atribuir um adversário ao crime sem prova mínima não é protegido pela liberdade de expressão e pode configurar propaganda eleitoral negativa antecipada. Nesta semana, a Corte também determinou a remoção de um deepfake com conteúdo falso sobre Flávio Bolsonaro.
O que ainda não se sabe é como o TSE consolidará sua jurisprudência sobre os limites entre crítica política legítima e propaganda negativa, especialmente nos casos que envolvem inteligência artificial. Também não há detalhamento sobre quantas das 141 denúncias resultaram em remoção de conteúdo, multa ou arquivamento, nem como o ritmo de representações deve evoluir à medida que a campanha avança rumo a outubro.
Fontes
Blocos ligados aos partidos de Lula e Flávio Bolsonaro foram os que mais acionaram o TSE para denúncias neste ano eleitoral
