O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, intensificou os bastidores da escolha de sua vice para a eleição de 2026. Em recentes viagens de pré-campanha, o filho mais velho de Jair Bolsonaro pediu a aliados que avaliassem o nome da deputada federal Greyce Elias (PL-MG) como possível companheira de chapa.
A cobertura de centro, encabeçada pela coluna Igor Gadelha, do Metrópoles, que revelou a informação, relatou que a parlamentar mineira reuniria as características buscadas por Flávio: é mulher, cristã, de um estado-chave e ligada ao agronegócio. O mesmo relato registrou que o nome de Greyce foi apresentado a quadros como o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador geral da campanha, e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Apesar dos elogios, os caciques do partido ponderaram que o melhor seria o pré-candidato buscar uma vice de outra legenda aliada.
Os três relatos convergem nos nomes que circulam. Além de Greyce Elias, a deputada Bia Kicis (PL-DF) foi elogiada publicamente por Flávio e segue cogitada. Rogério Marinho destacou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), enquanto Sóstenes Cavalcante defendeu a deputada Simone Marquetto (PP-SP), avaliada como capaz de atrair o voto católico. Há também a leitura, entre aliados, de que nomes já muito identificados com a base, como o da deputada Júlia Zanatta (PL-SC), seriam descartados por não ampliarem o eleitorado.
Veículos de direita, como o portal A Tarde, enfatizaram o lado estratégico da decisão e o esforço de articulação: o senador teria sido aconselhado a não repetir o 'erro' de 2022, quando Jair Bolsonaro escolheu o general Braga Netto, avaliado como vice que pouco agregou. Nessa leitura, a busca por uma mulher é um movimento de amadurecimento político e de ampliação de alianças com partidos como o PP.
Veículos de esquerda tenderiam a ler a mesma movimentação sob a ótica do cálculo eleitoral: a escolha de uma vice mulher seria, sobretudo, um aceno ao eleitorado feminino, segmento no qual o senador admite dificuldade. O perfil desejado, ligado ao agronegócio e ao discurso cristão, reforçaria a agenda conservadora do campo, sem necessariamente significar compromisso com pautas de representação.
Um elemento de contexto aparece em ao menos parte da cobertura: o atrito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que gravou vídeos acusando o enteado de humilhação. Aliados avaliam que o episódio atingiu justamente um dos pilares do projeto de Flávio, o de ampliar sua presença entre as mulheres e ir além da chamada bolha bolsonarista.
O que ainda não se sabe é a definição final: nenhuma das deputadas citadas se manifestou publicamente sobre o convite, não há decisão fechada sobre partido ou nome da vice, e o desfecho das ponderações dos caciques do PL permanece em aberto a meses do calendário eleitoral.