Apoio religioso de Michelle Bolsonaro a André Mendonça marca crise no STF
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do PL e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, publicou na noite de sábado, 5 de setembro, uma mensagem de apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. No texto, acompanhado de uma foto em que aparece de mãos dadas com o magistrado, ela relatou ter tido uma visão religiosa antes da indicação dele à Corte e o chamou de escolhido e ungido do Senhor. A publicação ocorreu no meio do confronto entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, aberto depois que o primeiro retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre contatos entre Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Moraes reagiu pedindo ao presidente do tribunal, Edson Fachin, a abertura de ação contra o colega, e Fachin reuniu as acusações dos dois lados em um procedimento sob sua relatoria.
A leitura de esquerda vê na publicação de Michelle Bolsonaro a exposição de um vínculo político e religioso que atravessa a mais alta corte do país. Uma candidata ao Senado, casada com o ex-presidente que indicou o ministro, declara publicamente que teve uma revelação divina sobre a chegada de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal e o descreve como escolhido e ungido do Senhor no exato momento em que ele é acusado por um colega de direcionar investigações por motivos pessoais e políticos.
A leitura de direita trata a manifestação como gesto legítimo de solidariedade a um ministro sob ataque. Nesse enquadramento, André Mendonça cumpriu o dever de relator ao retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apontou contatos entre Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a resposta que recebeu foi um pedido de investigação baseado em relatórios de inteligência que os próprios documentos classificam como sem lastro probatório e de confiabilidade baixa ou moderada.
15 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
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Todos os lados registram os mesmos fatos: a publicação foi feita no Instagram na noite de 5 de setembro, chama André Mendonça de escolhido e ungido do Senhor, recupera a indicação feita por Jair Bolsonaro em 2021 e não cita diretamente a crise. Também há convergência sobre a origem do conflito, a quebra de sigilo do relatório da Polícia Federal no caso do Banco Master, e sobre a decisão de Edson Fachin de reunir as acusações dos dois ministros em um único procedimento.
Michelle Bolsonaro publicou uma mensagem de apoio ao ministro André Mendonça no auge do confronto dele com Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. O texto, de tom religioso, recupera a indicação de 2021 e chegou quatro dias depois da quebra de sigilo no caso do Banco Master. A seguir, como cada lado da cobertura leu o gesto.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, filiada ao PL e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, publicou na noite de sábado, 5 de setembro, uma mensagem de apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em meio ao confronto aberto entre ele e o ministro Alexandre de Moraes. Em uma postagem no Instagram, acompanhada de uma foto em que aparece de mãos dadas com o magistrado, ela relatou ter tido uma visão religiosa antes da indicação dele à Corte e o chamou de escolhido e ungido do Senhor.
Toda a cobertura converge sobre o conteúdo e o momento da publicação. Michelle escreveu que, na salinha de consagração, Deus lhe revelou a entrada de Mendonça no tribunal, que o viu chegar com uma nuvem branca sobre a cabeça e que, depois daquele dia, teve certeza de que a cadeira seria dele. A mensagem termina com um apelo direto ao ministro: seja forte e corajoso, não retroceda. O texto não menciona a crise em curso, mas foi divulgado quatro dias depois de Mendonça, relator do caso do Banco Master, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens e registros de contato entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do banco. Na quinta-feira anterior, Moraes reagiu e pediu ao presidente do Supremo, Edson Fachin, a abertura de ação contra o colega, atribuindo-lhe interferência em investigações, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos. Fachin retirou o pedido do inquérito das fake news e reuniu as acusações dos dois lados em um procedimento sob sua relatoria, com prazos para que a Procuradoria-Geral da República e o próprio Mendonça se manifestem.
A divergência está no enquadramento. Veículos de esquerda trataram a manifestação como expressão do vínculo entre o bolsonarismo e o ministro, destacando a linguagem mística da publicação e a proximidade histórica da ex-primeira-dama com a indicação feita por Jair Bolsonaro em 2021. A cobertura de centro concentrou-se na reconstituição factual: reproduziu a íntegra do texto, recuperou a tramitação da sabatina no Senado, que só ocorreu quase cinco meses depois da indicação, e registrou que integrantes da Corte já fazem contas sobre uma eventual votação do caso no plenário. Veículos de direita enfatizaram o contexto que, na leitura deles, explica o gesto: os relatórios de inteligência usados por Moraes registram não possuir lastro probatório, Mendonça contesta as acusações e a reação do colega é descrita como retaliação à quebra de sigilo. Essa cobertura também deu espaço à Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, que pediu o impedimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e à proposta de Gilmar Mendes para vedar policiais e militares em funções processuais nos gabinetes do Supremo.
Há pontos ainda em aberto. Não se sabe se Fachin abrirá investigação contra um, contra os dois ou contra nenhum dos ministros, nem quando o plenário será chamado a decidir. A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do relatório produzido a pedido de Mendonça, sob o argumento de que faltou autorização do plenário para investigar autoridade com foro por prerrogativa de função, e a resposta do ministro a essa alegação ainda não foi divulgada. O prazo para que os envolvidos se pronunciem termina em 21 de setembro. Também não há informação sobre o efeito da publicação na candidatura da ex-primeira-dama ao Senado pelo Distrito Federal.
Ministro afirmou que diferença apontada pelo colega decorre do funcionamento do sistema do STF e diz que todos os documentos efetivamente disponíveis foram tornados públicos.

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