A pesquisa do instituto AtlasIntel sobre a corrida presidencial em Minas Gerais, divulgada em 8 de setembro de 2026, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, com 44,3% das intenções de voto no primeiro turno, à frente do senador Flávio Bolsonaro, do PL, que aparece com 35,4%. A diferença de 8,9 pontos percentuais entre os dois é maior do que a margem de erro do levantamento, de dois pontos para mais ou para menos.
O dado que estrutura o estudo, porém, não é o total do estado, e sim o recorte por idade. Entre eleitores de 16 a 24 anos, Flávio Bolsonaro lidera com 45,1%, seguido por Renan Santos, do Missão, com 25,1%, enquanto Lula cai para 18%. Na faixa seguinte, de 25 a 34 anos, a preferência se inverte: o presidente assume a dianteira com 35,8%, contra 23,8% do senador, e o escritor Augusto Cury, do Avante, alcança 21,4%. Entre 35 e 44 anos está a vantagem mais larga do levantamento para o petista, 54% contra 27,4%. Entre os eleitores de 60 anos ou mais, Lula registra 59% e Flávio Bolsonaro, 32,2%.
No conjunto do eleitorado mineiro, o pelotão intermediário é encabeçado por Augusto Cury, com 8,9%, seguido por Renan Santos, com 6,2%. O governador Romeu Zema, do Novo, aparece com 1,9%, e Ronaldo Caiado, do PSD, com 1,4%. Samara, da UP, tem 0,6%, e Edmilson Costa, do PCB, 0,1%. Brancos e nulos somam 0,7%, e 0,4% dizem não saber em quem votar. A mesma cobertura registra ainda que o presidente aparece à frente em Belo Horizonte e na Zona da Mata, enquanto o senador vence no Triângulo Mineiro.
A ficha técnica está descrita no material. O instituto ouviu 1.804 eleitores por recrutamento digital aleatório, técnica identificada pela sigla Atlas RDR, entre 30 de agosto e 4 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números MG-01579/2026 e BR-05852/2026. Vale a distinção metodológica: recrutamento digital não é sinônimo de amostragem domiciliar probabilística, e isso costuma pesar mais justamente nos recortes por faixa etária, que trabalham com subamostras menores.
Até o momento, apenas um veículo cobriu este levantamento no conjunto analisado, em registro predominantemente factual, organizado em torno dos números e da ficha técnica, sem análise de campanha e sem contraditório de assessorias. Por isso não há, nesta story, leituras concorrentes de veículos de esquerda, de centro ou de direita para comparar. O que existe é uma única apresentação dos dados, e a comparação entre enquadramentos fica pendente de novas coberturas.
O que ainda não se sabe é relevante para quem lê o resultado. Não há cenário de segundo turno para Minas Gerais no material divulgado, nem comparação com rodadas anteriores do mesmo instituto no estado, o que impede medir tendência em vez de fotografia. A faixa de 45 a 59 anos aparece com números conflitantes dentro da própria cobertura: o texto corrido atribui a liderança ao senador com 50,8%, enquanto a tabela publicada logo abaixo dá 50,8% ao presidente e 37,5% ao senador, e nada no material esclarece qual das duas versões é a correta. Também não há reação das campanhas aos resultados nem detalhamento sobre como o recrutamento digital pondera o eleitorado mineiro por escolaridade, renda e região.