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Um estudo da Transparência Brasil, divulgado em 13 de julho, mostrou que R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão da Câmara dos Deputados foram registradas em 2025 apenas em nome de líderes partidários, sem identificar os deputados que de fato indicaram os beneficiários. O valor representa 16% do total distribuído nessa modalidade e a prática é comparada ao extinto orçamento secreto, contrariando exigência de transparência do STF na ADPF 854.
Um estudo divulgado pela organização Transparência Brasil nesta segunda-feira, 13 de julho, revelou que R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão da Câmara dos Deputados foram registrados em 2025 apenas em nome de líderes partidários, sem identificar os deputados que de fato indicaram os beneficiários dos recursos. O valor equivale a 16% dos R$ 7,9 bilhões distribuídos pela Casa nessa modalidade e abrange mais de 1,3 mil indicações atribuídas às chamadas 'emendas de liderança'. Diferentemente do Senado, onde toda indicação está vinculada nominalmente a um senador, a Câmara mantém um mecanismo que a entidade compara ao extinto orçamento secreto.
A cobertura de centro relatou que a Comissão de Saúde concentrou a maior fatia dos recursos, R$ 818 milhões, pulverizados em centenas de indicações destinadas a fundos municipais, e que o Progressistas liderou o uso do mecanismo, com R$ 427,7 milhões, seguido por União Brasil, PL e Republicanos. Boa parte dos valores foi direcionada aos redutos eleitorais dos próprios líderes partidários, caso do Piauí do senador Ciro Nogueira e do Maranhão do deputado Pedro Lucas Fernandes. A prática, segundo o levantamento, contraria decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino na ADPF 854, que exige identificação nominal dos responsáveis por cada indicação de recursos.
O tema ganhou força adicional porque, na mesma semana, Dino determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, investigado pela Polícia Federal por suposto desvio de emendas com apoio de servidores da Câmara, e também bloqueou até R$ 6 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha, por indicações feitas mesmo sem exercer mandato.
Veículos de direita destacaram a reação do presidente da Câmara, Hugo Motta, cujo estado, a Paraíba, concentrou 43% das emendas de liderança do Republicanos, R$ 95,1 milhões. Motta classificou a decisão do STF como uma 'indevida intervenção judicial' sobre atividade típica do Parlamento, afirmando que a alocação das emendas segue a legislação vigente e os compromissos firmados entre Legislativo e Judiciário. Partidos como Republicanos, Solidariedade e Podemos também defenderam, em notas, que as indicações seguiram as normas do Congresso Nacional.
Já a cobertura de centro relatou a resposta institucional da Câmara, que afirmou estar aprimorando, junto ao Senado, os sistemas de rastreabilidade das emendas, e destacou que o PL optou por não se manifestar sobre o caso. A Transparência Brasil recomendou a criação de um identificador único para cada emenda de comissão e a extinção das 'emendas de liderança', argumentando que o modelo atual dificulta a fiscalização dos recursos públicos até a execução final. Até a conclusão desta reportagem, não havia sido identificada cobertura de veículos de esquerda sobre o caso.
Ainda não está claro se a Câmara vai adotar o identificador único recomendado pelo estudo, nem qual será o desfecho da investigação da Polícia Federal sobre o esquema atribuído a Valdemar Costa Neto. Dados parciais de 2026 mostram que a prática segue em uso: até maio, R$ 373,8 milhões já haviam sido registrados como emendas de liderança, incluindo, pela primeira vez, o PT.
Todos os lados reconhecem que R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão da Câmara foram registrados em 2025 apenas em nome de líderes partidários, sem identificar o deputado responsável, e que essa prática contraria a exigência de transparência do STF fixada na ADPF 854.
4 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Texto reproduz com detalhamento os números do estudo da Transparência Brasil, explica o mecanismo das emendas de Liderança e inclui seção 'Outro lado' com notas de Câmara, Republicanos, Solidariedade, Podemos e menção à recusa do PL. Vocabulário sóbrio, sem carga ideológica, típico de cobertura factual de centro.
Perspectivas omitidas
Cobertura factual que conecta o estudo da Transparência Brasil à investigação da PF sobre Valdemar Costa Neto e ao bloqueio de bens de Eduardo Cunha, sem adjetivação carregada. Cita diretamente as recomendações da entidade e a fundamentação da decisão de Dino.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Ainda que reporte os dados do estudo, o artigo dá destaque desproporcional à reação de Hugo Motta contra a intervenção do STF, reproduzindo sua crítica extensamente e sem contraponto direto, o que caracteriza enquadramento de defesa da autonomia do Legislativo frente ao Judiciário — traço editorial de direita.
Perspectivas omitidas

Patrocínio dos projetos foi registrado para líderes partidários e não se sabe o nome dos deputados que realmente fizeram as sugestões. Leia no Poder360.

Estado de Hugo Motta recebeu R$ 95,1 milhões em recursos sem identificação do parlamentar autor

Relatório da Transparência Brasil afirma que indicações feitas por lideranças partidárias seguem lógica semelhante à do orçamento secreto e descumprem exigências de transparência determinadas pelo STF

Relatório aponta que PP, União Brasil, PL e Republicanos concentraram a maior parte das indicações sem identificação dos parlamentares responsáveis
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Falácias identificadas
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Texto majoritariamente factual, reproduz o ranking de valores por partido e a recomendação da Transparência Brasil de extinguir o mecanismo, sem contraponto institucional. Vocabulário neutro predomina, sem defesa explícita de nenhum lado.
Perspectivas omitidas



