Filha de Augusto Cury fechou R$ 19,9 milhões com prefeituras sem licitação
1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Uma empresa da qual Camila Cury, filha do escritor e candidato à Presidência Augusto Cury, é sócia fechou pelo menos R$ 19,9 milhões em contratos com 24 entes públicos entre 2023 e 2026. O levantamento, feito no Portal Nacional de Contratações Públicas, o PNCP, e em diários oficiais, identificou 28 acordos com a Multifocal RP Distribuição de Livros e Cursos, que usa o nome fantasia Gênios Educacional, todos firmados sem licitação. O candidato afirma que os negócios são regulares, lembra que não integra o quadro societário e se compromete a não manter contratos federais com empresas da família caso seja eleito.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
- Folha de S.PauloEmpresa da filha de Augusto Cury faturou R$ 19,9 mi em negócios com prefeiturasLevantamento aponta 28 acordos com prefeituras entre 2023 e 2026, todos com dispensa de licitação, em quatro estados
Análise editorial
O texto é construído sobre documentos públicos (28 contratos no PNCP e diários oficiais), quantifica valores por estado e por aluno, reproduz notas das prefeituras e a resposta integral do candidato, inclusive a frase em que ele diz que nenhuma empresa familiar deveria vender ao governo federal. Não há vocabulário valorativo carregado nem enquadramento ideológico: a crítica implícita vem do próprio dado, o que caracteriza cobertura factual de centro, ainda que o veículo tenha perfil editorial próprio.
- Qualidade argumentativa
- 79/100
- Manipulação emocional
- 15/100
- Clickbait
- 15/100
- Fontes citadas
- 6
Perspectivas omitidas
- Não ouve especialista em licitações sobre a validade jurídica da inexigibilidade alegada nos contratos
- Não informa se tribunais de contas ou Ministério Público apuram os acordos
- Não compara os valores por aluno com os de fornecedores concorrentes do mesmo tipo de material
Veículos com viés à direita
- Revista OesteEmpresa da filha de Augusto Cury faturou R$ 20 milhões em contratos com prefeiturasLevantamento aponta 28 acordos firmados sem licitação entre 2023 e 2026 em 4 EstadosMatéria: Centro
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Análise editorial
O corpo repete a estrutura factual do levantamento original, com os mesmos valores, contratos e justificativas de inexigibilidade, e credita a origem. O tratamento é predominantemente descritivo, sem vocabulário de liberdade econômica ou de crítica ao Estado que caracterizaria enquadramento de direita, apesar do perfil do veículo. Os únicos sinais de framing são o arredondamento do valor para R$ 20 milhões no título e a observação de que a fala do candidato aparece truncada na reportagem de origem, o que insinua reserva quanto à apuração alheia. Por isso a confiança fica média.
- Qualidade argumentativa
- 60/100
- Manipulação emocional
- 20/100
- Clickbait
- 25/100
- Fontes citadas
- 4
Perspectivas omitidas
- Não apurou nada de forma independente: reproduz integralmente o levantamento de terceiros
- Não procurou as prefeituras citadas nem órgãos de controle
- Interrompe a citação do candidato pela metade e registra a lacuna sem buscar a declaração completa
Levantamento em portais oficiais de contratações apontou 28 contratos, todos por inexigibilidade de licitação, entre órgãos públicos de quatro estados e uma empresa em que Camila Cury, filha do candidato à Presidência Augusto Cury, é sócia. O total chega a R$ 19,9 milhões, com concentração em Santa Catarina e Minas Gerais.
Uma empresa da qual Camila Cury, filha do escritor e candidato à Presidência Augusto Cury, é sócia fechou pelo menos R$ 19,9 milhões em contratos com 24 entes públicos entre 2023 e 2026. O levantamento, feito no Portal Nacional de Contratações Públicas, o PNCP, sistema sob responsabilidade do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, e em edições de diários oficiais, identificou 28 contratos com a Multifocal RP Distribuição de Livros e Cursos, que atua no mercado com o nome fantasia Gênios Educacional. Todos os acordos foram firmados sem licitação, por inexigibilidade.
O maior deles foi assinado em abril de 2024 com a Prefeitura de Itajaí, em Santa Catarina, no valor de R$ 5,8 milhões, parcelado em seis vezes. O contrato previa a aplicação de um programa socioemocional para alunos da educação infantil e do ensino fundamental, com encontros on-line conduzidos por Camila Cury, uma palestra presencial de uma hora com Augusto Cury e a entrega de 27,5 mil livros para estudantes e 19,6 mil livros para as famílias. A prefeitura informou, por nota, que o acordo foi assinado pela gestão anterior e que nenhuma escola da rede municipal aplica mais a metodologia.
A cobertura de centro, responsável pela apuração original, detalhou a distribuição geográfica e os preços. Os contratos se concentram em Santa Catarina, com R$ 7,6 milhões, e em Minas Gerais, com R$ 6,6 milhões, seguidos de Alagoas e Rio Grande do Sul. O valor por estudante variou: R$ 320 nos contratos de 2026 e R$ 260 em Porto União, em Santa Catarina, no ano anterior. Em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, um contrato de R$ 1,8 milhão assinado em outubro de 2025 previu apenas a compra de 6 mil livros, sem cursos ou palestras. Em Campo Alegre, em Alagoas, houve duas contratações: R$ 644,4 mil em livros de apoio pedagógico, em fevereiro de 2025, e R$ 733,1 mil em kits escolares, em maio de 2026.
As justificativas para dispensar a concorrência variaram. Parte dos municípios tratou a empresa como fornecedora exclusiva dos materiais, outros invocaram notória especialização e, no caso de Campo Alegre, a compra de 2026 foi enquadrada como contratação de profissional do setor artístico. Em Porto União, o registro oficial afirma que a empresa era a única titular dos direitos de edição, publicação, distribuição e comercialização de suas soluções educacionais, com atestado de exclusividade emitido pelo SNEL, o sindicato nacional dos editores de livros.
Veículos de direita reproduziram o levantamento com os mesmos números e deram peso maior à resposta do candidato, sublinhando que ele não integra formalmente o quadro societário das empresas e que a decisão de comprar cabe a cada prefeito e secretário de educação. Esse campo também registrou que a fala de Cury aparece truncada na apuração de origem e afirmou manter o espaço aberto para manifestação, um gesto de reserva em relação ao trabalho alheio. Nenhum veículo de esquerda havia publicado cobertura própria do caso até aqui, e o ângulo que esse campo costuma enfatizar, o de recursos públicos da educação básica entregues sem disputa a um fornecedor privado, está contido nos próprios dados do levantamento, sem que nenhuma redação desse espectro o tenha desenvolvido.
O candidato afirmou que todos os negócios são regulares e se comprometeu a não manter contratos federais com empresas da família caso seja eleito. Sobre estados e municípios, disse que a decisão cabe aos gestores. Cury é o presidenciável que declarou o maior patrimônio, R$ 242,3 milhões, e fundou a Escola da Inteligência, negócio de modelo semelhante vendido à Arco Educação em 2020 por R$ 589,1 milhões. No levantamento mais recente do Datafolha, ele aparece em terceiro lugar na disputa, com 6% das intenções de voto.
O que ainda não se sabe é se os contratos serão examinados por tribunais de contas ou pelo Ministério Público, já que nenhuma das coberturas registra apuração em curso. As prefeituras de Sapiranga, Campo Alegre e Porto União não responderam às perguntas enviadas, Itajaí não explicou por que interrompeu a execução do maior contrato da lista, e não há avaliação jurídica pública sobre se a exclusividade alegada sustenta, caso a caso, a dispensa de licitação.
Briefing
O que importa para você
- Dinheiro de orçamentos municipais de educação: R$ 7,6 milhões em Santa Catarina e R$ 6,6 milhões em Minas Gerais.
- Preço por estudante de R$ 320 nos contratos de 2026 e de R$ 260 em Porto União em 2025.
- Itajaí encerrou a execução de um contrato de R$ 5,8 milhões e não diz o que aconteceu com o material já contratado.
- A promessa de Cury vale só para contratos federais; os acordos municipais seguem permitidos segundo ele.
Onde os lados concordam
As duas frentes de cobertura relatam os mesmos números: 28 contratos, 24 entes públicos, R$ 19,9 milhões entre 2023 e 2026, todos sem licitação, e o maior deles de R$ 5,8 milhões com a Prefeitura de Itajaí. Nenhuma delas afirma que houve ilegalidade, e todas registram a resposta de Augusto Cury de que os negócios são regulares.
O que ainda está incerto
- Não há informação sobre apuração por tribunais de contas ou pelo Ministério Público.
- As prefeituras de Sapiranga, Campo Alegre e Porto União não responderam.
- Itajaí não explicou por que interrompeu a execução do maior contrato da lista.
Fontes

Levantamento aponta 28 acordos com prefeituras entre 2023 e 2026, todos com dispensa de licitação, em quatro estados

Levantamento aponta 28 acordos firmados sem licitação entre 2023 e 2026 em 4 Estados


