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A divisão dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) abriu uma crise pública no PSOL às vésperas das eleições de 2026. A deputada federal Erika Hilton (SP) acusou a direção nacional de descumprir acordos internos e adotar critérios que prejudicariam candidaturas de mulheres e pessoas negras. O partido informou que prevê destinar R$ 2,3 milhões à reeleição dela, valor R$ 100 mil acima do reservado a outros deputados em reeleição e 61,5% maior que o recebido em 2022. A definição oficial ocorrerá na reunião da Executiva Nacional em 18 de julho.
A divisão dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundo eleitoral, abriu uma crise pública no PSOL às vésperas das eleições de 2026. O estopim foi uma manifestação da deputada federal Erika Hilton, de São Paulo, uma das principais puxadoras de votos do partido. Em publicação nas redes sociais, ela acusou a direção nacional de descumprir acordos internos e adotar critérios que, segundo ela, prejudicam candidaturas de mulheres, pessoas negras e lideranças com forte capacidade de mobilização eleitoral.
O partido informou que prevê destinar 2,3 milhões de reais à campanha de reeleição de Hilton. O valor é 100 mil reais superior ao reservado a outros deputados do partido em reeleição e representa uma alta de 61,5% em relação ao que ela recebeu em 2022. A definição oficial da distribuição ocorrerá na reunião da Executiva Nacional, marcada para 18 de julho. Ainda assim, para a deputada, a quantia está abaixo do necessário. Ela afirma que, como deputada negra e travesti, percorrer o maior estado do país exige logística imensa e um esquema de segurança reforçado.
No centro da controvérsia está uma resolução aprovada pela Executiva Nacional em agosto de 2022. A norma estabelecia que candidatas mulheres recebessem 5% a mais do que homens na mesma faixa de prioridade, com igual percentual adicional para candidatos negros, indígenas, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e quilombolas. Os critérios eram cumulativos: uma candidata mulher e negra deveria receber 10% a mais do que um homem branco na mesma faixa.
Veículos de esquerda destacaram o caso como um recuo da legenda em compromissos de inclusão. Citaram a deputada estadual Renata Souza, que classificou a decisão da direção como uma violação à lei e alertou que o PSOL se aproximaria de partidos que instrumentalizam pautas de gênero e raça para fortalecer homens brancos no poder. O vereador Rick Azevedo lembrou ter sido o vereador mais votado do PSOL no Rio em 2024, com baixo custo por voto, e disse ver sinais de que o partido repetiria erros antigos.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo: o de uma guerra interna que ultrapassa valores individuais e expõe a fragilidade da legenda. Para essa cobertura, o que está em jogo é a sobrevivência do PSOL diante da cláusula de barreira, mecanismo que restringe o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda para legendas com baixo desempenho. Um integrante da direção, em sigilo, afirmou que o partido corre risco real caso enfraqueça candidaturas com forte capacidade de mobilização. Dirigentes também sustentam que o repasse a Hilton já é o maior entre deputados em reeleição e que a manifestação pública estaria ligada à disputa por espaço na federação PSOL-Rede.
A cobertura de centro relatou os números com paridade entre os dois lados. Apresentou a cobrança de Hilton ao lado do argumento da direção de que o tratamento dado a ela já é diferenciado, e registrou que Manuela d'Ávila, recém-filiada e pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, teria previsão em torno de 5 milhões de reais, enquanto Juliano Medeiros, ex-presidente nacional e pré-candidato a deputado federal, receberia cerca de 2 milhões.
O que ainda não se sabe é como a Executiva Nacional vai fechar a distribuição em 18 de julho, se a alegação de violação à lei levantada por aliados de Hilton terá desdobramento jurídico, e se o racha terá impacto sobre o desempenho do partido diante da cláusula de barreira em 2026.
Todos os lados reconhecem que Erika Hilton cobrou publicamente a direção do PSOL pela divisão do fundo eleitoral, que o partido prevê R$ 2,3 milhões para sua reeleição (alta de 61,5% sobre 2022) e que a definição oficial será na Executiva de 18 de julho.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Enquadramento à esquerda: centraliza as cotas de gênero e raça como direito coletivo e cita lideranças negras (Renata Souza, Rick Azevedo) afirmando 'violação à lei' e risco de fortalecer 'homens brancos no poder'. Vocabulário de inclusão e sub-representação histórica. O corpo é factual, mas a seleção de fontes e ângulos privilegia a crítica de Hilton.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
Enquadramento à direita: título usa 'guerra' e o corpo prioriza o ângulo de racha interno, sobrevivência da legenda e cláusula de barreira, em vez do mérito das cotas. Ressalta divergências e fragilidade institucional do PSOL. Tom mais dramatizado ('estopim', 'inviabilizando'), com foco em accountability e disputa de poder.
Perspectivas omitidas

No centro da disputa está a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha

Dirigentes e parlamentares travam uma batalha sobre renovação de quadros, sobrevivência partidária e o futuro da sigla após 2026

Deputada federal criticou na terça-feira a executiva nacional do partido por destinar R$ 5 milhões a Manuela d'Ávila e R$ 2 milhões a Juliano Medeiros
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