Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro trocam representações no TSE e no STF
4 veículos de esquerda · 12 veículos de centro · 6 veículos de direita

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Entre 22 e 23 de setembro de 2026, as campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) protocolaram ações cruzadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF). A chapa do PL acusa Lula de conduta vedada em dois eventos oficiais, na Eurofarma e na Polícia Rodoviária Federal, e apresentou notícia-crime sobre a relação do presidente com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A coligação de Lula acionou o TSE por uma suposta rede coordenada de perfis no Instagram e pediu ao STF investigação sobre possível apoio estrangeiro à candidatura adversária. O partido Missão, de Renan Santos, entrou com ação própria contra Flávio por impulsionamento pago de perfis estrangeiros. Nenhum dos casos tem decisão de mérito.
Para veículos de esquerda, a novidade do período não são as representações da chapa do PL, e sim as evidências de que a candidatura de Flávio Bolsonaro estaria sendo sustentada por estruturas externas e por redes digitais não declaradas à Justiça Eleitoral.
Para veículos de direita, o eixo do caso é o uso da estrutura do Estado em benefício da reeleição. A chapa de Flávio Bolsonaro sustenta que Lula transformou dois compromissos oficiais em palanque, em Montes Claros (MG) e no Rio de Janeiro, e que ministérios reproduziram os atos em canais governamentais durante o período de vedação da publicidade institucional.
22 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
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Todos os lados registram que as ações foram protocoladas na reta final da campanha, que nenhuma delas teve julgamento de mérito e que os pedidos mais graves, cassação de registro e inelegibilidade, dependem de decisão futura da Justiça Eleitoral. Há convergência também sobre os fatos básicos: os eventos da Eurofarma e da Polícia Rodoviária Federal ocorreram, a decisão do corregedor eleitoral determinou preservação de dados, e o encontro entre Lula e Daniel Vorcaro em dezembro de 2024 aconteceu.
Em pouco mais de 24 horas, as duas principais campanhas presidenciais levaram suas acusações à Justiça: a chapa do PL cobra do TSE providências sobre eventos oficiais de Lula e pede investigação no STF sobre a relação do presidente com o ex-controlador do Banco Master, enquanto a coligação do PT aponta rede coordenada de perfis e suspeita de apoio estrangeiro à candidatura adversária.
A menos de duas semanas do primeiro turno, a disputa presidencial brasileira migrou em bloco para os tribunais. Entre 22 e 23 de setembro de 2026, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e do senador Flávio Bolsonaro (PL) protocolaram ações cruzadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF), em um intervalo de pouco mais de 24 horas.
A chapa do PL, formada por Flávio Bolsonaro e pelo candidato a vice Alfredo Gaspar, acionou o TSE contra Lula, o vice Geraldo Alckmin, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, por suposta conduta vedada. A representação questiona dois compromissos oficiais: a visita ao Complexo Industrial da Eurofarma, em Montes Claros, Minas Gerais, no dia 17 de setembro, e uma agenda de segurança pública no Complexo da Polícia Rodoviária Federal, no Rio de Janeiro, no dia 18. Segundo os advogados, os eventos teriam sido usados para promoção pessoal e eleitoral e depois divulgados em canais oficiais do governo durante o período de vedação da publicidade institucional.
Na direção contrária, a coligação que apoia Lula levou ao TSE a suspeita de uma rede coordenada de publicações em coautoria no Instagram, o recurso conhecido como collab. Segundo a ação, foram identificadas 1.826 publicações e 492 perfis, parte deles não declarados à Justiça Eleitoral. O corregedor-geral eleitoral em exercício, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, admitiu o processamento do caso, determinou que a Meta preserve os registros das contas e que a Shopee informe sobre uma loja citada na ação, com multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e o deputado Mario Frias têm cinco dias para se defender. No dia seguinte, o PT pediu ao STF a abertura de inquérito sobre possível apoio estrangeiro à candidatura do PL, e o partido Missão, de Renan Santos, entrou com representação própria no TSE sobre publicações pagas de perfis estrangeiros na rede social X. Também em 23 de setembro, Flávio Bolsonaro apresentou ao ministro André Mendonça notícia-crime contra Lula por suposta corrupção passiva e advocacia administrativa, a partir de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Todos os lados da cobertura convergem em três pontos: nenhuma das ações teve julgamento de mérito, todas foram protocoladas na reta final da campanha e cada uma pede, no limite, a cassação de registro ou a inelegibilidade do adversário. Veículos de direita enfatizaram o uso da estrutura do Estado pela campanha da reeleição, destacando a promessa de distribuição gratuita de canetas emagrecedoras feita sem prazo definido, a fala política em solenidade da Polícia Rodoviária Federal e o encontro fora da agenda oficial entre o presidente e o banqueiro, em dezembro de 2024, além do suposto agradecimento por uma garrafa de uísque. Veículos de esquerda destacaram o outro flanco: a suspeita de financiamento e de impulsionamento vindos dos Estados Unidos, a citação a uma organização política americana cofundada pelo vice-presidente daquele país e o uso de uma plataforma de apostas bloqueada no Brasil para projetar o resultado da eleição. A cobertura de centro relatou os dois movimentos com paridade, reproduziu a nota da Secretaria de Comunicação da Presidência que nega o recebimento de presente e registra um único encontro com o banqueiro, e acrescentou que o candidato do PL é o único presidenciável que já responde a inquérito no Supremo relacionado ao mesmo caso.
As coberturas divergem inclusive na contagem das ações: parte das matérias descreve a representação do dia 22 como a 14ª apresentada pela campanha do PL contra Lula, outra parte como a 15ª, sem que o critério seja explicado. O que ainda não se sabe é se a Justiça Eleitoral vai decidir qualquer um desses pedidos antes da votação, qual o volume de recursos que teria sido eventualmente aplicado por atores estrangeiros na disputa, quem financiou as publicações pagas apontadas na representação do partido Missão e se o encontro de 2024 no Palácio do Planalto teve alguma contrapartida. A campanha de Lula informou que se manifestará quando for formalmente intimada, e a assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de comentário sobre as ações movidas contra ele.
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Nesta matéria: viés de centro.