
Sigilo do celular de Daniel Vorcaro divide o STF antes de julgamento
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O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), manteve sob sigilo o conteúdo integral do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro dois dias antes do julgamento em que o plenário deve analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Em ofício, Mendonça afirmou que incluir novos elementos poderia tumultuar o julgamento e sustentou que todos os ministros já dispõem do mesmo material que ele usará na sessão. Na sexta-feira anterior, o relator havia cedido em outra frente e derrubado o sigilo de 18 processos ligados ao caso.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), manteve sob sigilo o conteúdo integral do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro dois dias antes do julgamento em que o plenário deve analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Direita
O episódio é tratado como teste de accountability do Supremo Tribunal Federal: o plenário pode decidir sobre a abertura de uma apuração envolvendo um de seus próprios ministros, Alexandre de Moraes, a partir de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
O texto encadeia decisões e petições atribuindo cada posição a seu autor (André Mendonça, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Edson Fachin) sem vocabulário valorativo próprio. A única marca de tom está no uso da expressão guerra de despachos entre aspas, já corrente na cobertura, e em ofensiva de colegas no subtítulo, insuficientes para caracterizar enquadramento ideológico.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
A reportagem reproduz com fidelidade as citações do ofício de André Mendonça, mas organiza o material com peso maior na tese de accountability do Supremo: dedica bloco próprio à suposta articulação de ministros alinhados a Alexandre de Moraes para levantar preliminares e barrar a abertura de apuração contra ele, atribuída a um texto de terceiro sem fonte nomeada. Esse arranjo, somado à ausência de contraponto do lado acusado, marca o enquadramento à direita.
Perspectivas omitidas
Dois dias antes de o plenário do Supremo Tribunal Federal analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, o relator André Mendonça manteve sob sigilo o conteúdo do celular apreendido. A decisão fechou uma semana de despachos cruzados entre gabinetes e colocou em disputa quem controla o acesso à prova dentro da Corte.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve sob sigilo o conteúdo integral do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro dois dias antes da sessão em que o plenário da Corte deve analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Em ofício assinado no domingo, 13 de setembro, o relator escreveu que a inclusão de novos elementos no processo, entre eles a íntegra das informações extraídas do aparelho, poderia tumultuar o julgamento e colocar em risco o andamento das investigações. No mesmo documento, afirmou que todo o material que usará na sessão está disponível, na íntegra, a todos os ministros do tribunal.
A decisão veio depois de uma semana de trocas públicas de despachos e petições entre gabinetes. Os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes acionaram a presidência do Supremo para pedir acesso completo ao espelhamento do iPhone apreendido pela Polícia Federal nas investigações sobre o Banco Master. Zanin sustentou que os dados serviriam para avaliar as apurações que envolvem Moraes, e Moraes escreveu que não cabe ao relator escolher quais documentos ficam acessíveis ao colegiado. Gilmar Mendes foi além e pediu que o presidente da Corte, Edson Fachin, assumisse a relatoria do caso, com os processos correlatos analisados em conjunto e sob coordenação da Presidência.
A cobertura de centro relatou que, na sexta-feira, 11 de setembro, Mendonça cedeu em uma das frentes: atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República e derrubou o sigilo de 18 processos ligados ao caso Master, que envolvem os senadores Jaques Wagner e Ciro Nogueira, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nessa leitura, o ponto central é a crise institucional: o registro de que o colegiado seguia sem acesso a 18 petições e a 180 documentos, e a acusação de Moraes de que a liberação estaria sendo direcionada para proteger grupos políticos.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo do mesmo conjunto de fatos. Nessa cobertura, o eixo é a tentativa de impedir que o plenário aprecie o relatório: integrantes do tribunal alinhados a Moraes teriam passado a preparar questões preliminares e alegações de nulidade processual para a sessão de terça-feira, com o objetivo de barrar a abertura de apuração contra o ministro, e a Procuradoria-Geral da República já se manifestou pelo arquivamento do relatório com base em supostos vícios de tramitação. Esses veículos também deram destaque às frases do relator, que citou Fachin para dizer que a gravidade dos fatos não autoriza atalhos nem tolera subterfúgios ou desvios de rota.
Veículos de esquerda não aparecem entre as fontes deste conjunto, de modo que o enquadramento habitual desse lado, centrado na transparência da prova, no acesso igualitário dos ministros ao material e nas consequências do colapso do banco para investidores, não teve cobertura própria aqui.
Os dois lados que cobriram o caso convergem no essencial: o sigilo do aparelho segue de pé, ministros pediram o acesso e a sessão está marcada. A cadeia de custódia também foi objeto de checagem. No sábado, 12 de setembro, Fachin deu 24 horas para a Polícia Federal esclarecer a situação do celular. No domingo, a corporação respondeu que o aparelho e a extração original permanecem armazenados com segurança e que tem condições técnicas de enviar cópias idênticas aos gabinetes que solicitarem. Mendonça, por sua vez, pediu que quatro delegados expliquem em 24 horas o envio de relatórios e mídias ao seu gabinete em março de 2026, apontando divergência de informações sobre quem determinou o encaminhamento, e afirmou manter os arquivos lacrados e criptografados, sem manuseio.
O que ainda não se sabe é o principal. Não há informação pública sobre o teor das mensagens entre Vorcaro e Moraes, nem sobre o alcance do relatório da Polícia Federal. Também não está esclarecido quem autorizou o envio do material ao gabinete do relator em março, se Fachin acatará o pedido para assumir a relatoria, e se as preliminares anunciadas serão suficientes para adiar ou anular a apreciação do mérito na sessão marcada.
As duas coberturas registram os mesmos fatos: André Mendonça manteve sob sigilo o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes pediram acesso integral ao material, o relator liberou 18 processos correlatos a pedido da Procuradoria-Geral da República e a sessão do plenário está marcada para terça-feira.

Ministro enfrenta ofensiva de colegas; "guerra de despachos" escancarou crise instaurada no STF

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