Celular de Daniel Vorcaro divide STF e expõe contatos com André Mendonça
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O acesso aos dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, abriu uma disputa no Supremo Tribunal Federal. O relator, André Mendonça, derrubou o sigilo de 18 processos, mas manteve o do aparelho, alegando risco às investigações. Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram a íntegra antes da sessão de 15 de setembro sobre a relação de Moraes com Vorcaro. Edson Fachin cobrou explicações da Polícia Federal, que entregou o conteúdo aos três gabinetes. Mensagens reveladas depois apontam contatos de Vorcaro com Mendonça e com filhos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
Pela leitura progressista, a insistência de André Mendonça em manter fechado o celular de Daniel Vorcaro ganha outro peso diante das relações do ministro com o entorno do banqueiro. Mensagens do aparelho mostram um encontro reservado entre os dois em março de 2025, articulado por um advogado e pelo deputado Cezinha de Madureira, do PL, em um instituto fundado pelo ministro.
Pela leitura conservadora, André Mendonça defende a integridade das investigações do caso Banco Master contra a pressão de ministros alinhados a Alexandre de Moraes, que é justamente o alvo do julgamento.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
O sigilo do celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, opôs o relator André Mendonça a Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Edson Fachin cobrou a Polícia Federal, que entregou os dados, e mensagens mostraram contatos de Vorcaro com Mendonça e com filhos de Fux e Kassio.
O acesso ao conteúdo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, virou o centro de uma disputa aberta entre ministros do Supremo Tribunal Federal. De um lado está o relator do caso, André Mendonça. Do outro, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, que cobraram a íntegra dos dados antes da sessão de 15 de setembro sobre a relação de Moraes com Vorcaro.
Na sexta-feira, 11 de setembro, Mendonça atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República e derrubou o sigilo de 18 processos ligados ao caso Master, que envolvem, entre outros, os senadores Jaques Wagner e Ciro Nogueira e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Manteve, porém, o sigilo sobre o celular, argumentando que a divulgação comprometeria as investigações. No sábado, o presidente do tribunal, Edson Fachin, deu 24 horas para a Polícia Federal informar onde e em que condições o material estava guardado. A corporação respondeu que o aparelho e a extração original seguem armazenados com segurança e que poderia enviar cópias idênticas aos gabinetes. Na segunda-feira, 14, a Polícia Federal entregou o conteúdo integral a Zanin, Gilmar e Moraes. No dia seguinte, mensagens extraídas do aparelho vieram a público.
A cobertura de centro relatou a sequência de despachos com espaço para os dois lados. Registrou a crítica de Moraes, para quem o relator não pode escolher quais documentos o colegiado vê, e a resposta de Mendonça, de que todos os ministros têm o mesmo conjunto de informações que ele. Essa cobertura também detalhou as mensagens reveladas: um encontro de Vorcaro com Mendonça em São Paulo, em março de 2025, articulado pelo deputado federal Cezinha de Madureira, do PL; convites a eventos de um instituto fundado pelo ministro; e contatos com os filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, incluindo menções a pagamentos mensais de 500 mil reais ligados ao filho de Kassio.
Veículos de esquerda destacaram as conexões pessoais entre Mendonça e o entorno do banqueiro. Apontaram que o advogado Bruno Bianco, que sucedeu o ministro na Advocacia-Geral da União no governo de Jair Bolsonaro e hoje integra a defesa de Vorcaro, foi chamado para participar da reunião, e que o médico responsável pelo implante capilar de Mendonça é irmão de Bianco. Essa cobertura ressalvou não haver elementos que configurem ilegalidade, mas tratou os vínculos como questão de transparência.
Veículos de direita enfatizaram a defesa do relator. Deram destaque ao ofício em que Mendonça afirma que incluir a íntegra do celular poderia tumultuar o julgamento, ao pedido para que quatro delegados expliquem o envio de arquivos ao seu gabinete e eventuais constrangimentos, e à informação de que ministros alinhados a Moraes preparavam questões preliminares e nulidades para barrar a abertura de apuração contra ele. Também registraram que a Procuradoria-Geral da República defendeu o arquivamento do relatório por vícios de tramitação.
Ainda não se sabe o que Mendonça e Vorcaro discutiram na reunião de março de 2025, nem qual foi o desfecho da sessão sobre Moraes. Os ministros e advogados citados nas mensagens não tiveram suas versões registradas pela cobertura analisada.
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