Áudio atribuído a Vorcaro cita R$ 30 milhões por documentário sobre Lula
1 veículo de centro · 4 veículos de direita

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A cobertura de direita enfatiza o suposto esquema de propina para acessar fundos de pensão controlados pelo petismo, o pagamento em espécie ao Instituto Lula e a comparação do próprio banqueiro com o filme sobre Jair Bolsonaro, que teria sido patrocínio regular. Ressalta a necessidade de apurar envolvimento de integrantes do governo.
Uma revista publicou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso, teria dito em áudio e em anexo à Procuradoria-Geral da República que pagou cerca de R$ 30 milhões em dinheiro ao Instituto Lula para um documentário, em troca de acesso a fundos de pensão estatais. Lula, o ministro Alexandre Padilha, a defesa de Vorcaro e a PGR contestam ou negam o material.
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5 fontes políticas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: falácia identificada.
Uma reportagem atribui ao banqueiro Daniel Vorcaro a alegação de que pagou R$ 30 milhões em dinheiro por fora, ligados a um documentário sobre Lula, em troca de acesso a fundos de pensão estatais. Lula, Padilha, a PGR e a defesa do banqueiro contestam o material. Compare como cada lado cobre o caso.
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso desde março sob acusação de fraude bancária, afirmou em áudio e em um anexo entregue à Procuradoria-Geral da República que pagou cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo, por fora, para financiar um documentário sobre Lula gravado no exterior, além de valores destinados ao Instituto Lula. O material foi publicado por uma revista em 9 de outubro de 2026, em plena campanha do segundo turno.
Segundo o relato atribuído a Vorcaro, a aproximação com o PT foi articulada pelo então sócio Augusto Lima, por meio de lideranças petistas da Bahia, e levou a um encontro com o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto. Vorcaro diz que Vaccari exigiu os R$ 30 milhões e uma taxa de 10% sobre tudo o que o banco captasse em fundos de pensão de servidores, como Previ, Petros e Postalis. O banqueiro afirma ainda que o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o então secretário-executivo Olavo Noleto estavam envolvidos. Mensagens encontradas pela Polícia Federal indicam que o Master entrou na chamada lista exaustiva, que autoriza instituições a receber recursos desses fundos, em 29 de abril de 2024, e que um operador chamado Júlio cobrou R$ 500 mil no mesmo dia. Em um trecho do áudio, Vorcaro compara o caso com o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e diz que o do Lula foi por fora, enquanto o do Flávio foi patrocínio normal.
Há pontos em que as coberturas convergem. A PGR não deu andamento ao relato, por falta de provas. Lula diz que jamais pediu ou recebeu vantagem financeira. Padilha nega qualquer relação com Vorcaro, pede à Advocacia-Geral da União providências judiciais e perícia no áudio. Não há prova de que Lula tenha se encontrado com o banqueiro em outubro de 2024. O único encontro confirmado no Planalto foi em 4 de dezembro de 2024, com o então chefe de gabinete da Presidência, fora da agenda oficial.
Veículos de direita enfatizaram o conteúdo das acusações: o pagamento em espécie, a taxa de 10%, a cifra de R$ 1 bilhão que o petismo embolsaria e o papel de integrantes do governo. Em geral usaram verbos atributivos, mas alguns trataram o relato como confissão e deram às negativas um espaço menor.
A cobertura de centro, por sua vez, concentrou-se nos desmentidos. A defesa de Vorcaro disse não reconhecer origem, autenticidade e integridade do material e que nunca soube dessa história. A PGR afirmou que não houve depoimento oral e que a proposta de colaboração foi rejeitada. O diretor Oliver Stone disse que o documentário não teve financiamento privado e que desconhece iniciativa de Vorcaro. A campanha de Lula chamou o episódio de farsa montada por Flávio Bolsonaro e Vorcaro, e anunciou pedido de apuração à Polícia Federal, queixa-crime contra o banqueiro e ação indenizatória contra a revista. Nenhum veículo de esquerda publicou cobertura própria do caso entre os artigos analisados, de modo que a leitura desse campo aqui se baseia nas posições do PT e do governo reproduzidas pelas demais fontes, que falam em uso eleitoral de acusação de um criminoso confesso.
O que ainda não se sabe: se o áudio é autêntico, quando foi gravado e se existem as mensagens, os registros de retirada de dinheiro e as rotas de entrega que a defesa de Vorcaro dizia possuir. Também não está claro se houve algum pagamento ao Instituto Lula, nem se uma terceira proposta de colaboração do banqueiro será apresentada e aceita.

Em áudio e documentos obtidos por VEJA, ex-banqueiro afirma ter pago os recursos em esquema com ex-tesoureiro do PT e o ministro Alexandre Padilha

Apesar da quantia, apuração não encontrou provas de algum encontro entre o banqueiro e atual presidente

Pagamento era parte das negociações feitas com João Vaccari Neto para conseguir acesso do Master aos cofres de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo PT

Ex-banqueiro afirma que negociou repasses ao Instituto Lula e a documentário em troca de acesso a fundos de pensão estatais
