Na reta eleitoral da Colômbia, um símbolo improvável entrou no centro da disputa: a camisa da seleção nacional de futebol. O candidato de direita Abelardo de la Espriella passou a usar o uniforme amarelo como marca de sua campanha, e a iniciativa provocou reação imediata do campo progressista. O senador de esquerda Iván Cepeda acusou o rival de transformar um símbolo de todos os colombianos em peça de propaganda partidária.
A controvérsia tem um paralelo conhecido no Brasil. Veículos de esquerda destacaram que a estratégia de De la Espriella repete o roteiro adotado por Jair Bolsonaro, que ao longo dos últimos anos associou a camisa verde-amarela da seleção brasileira ao seu projeto político. Para esses veículos, o gesto representa uma tentativa de monopolizar o sentimento de pertencimento nacional, sugerindo que apenas um lado do espectro político seria de fato patriota.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma mais contida: De la Espriella adotou a camisa como símbolo de campanha; Cepeda reagiu acusando-o de apropriar-se de um patrimônio coletivo; e a polêmica reabriu o debate sobre quem pode reivindicar símbolos nacionais durante uma eleição. Nessa leitura, a disputa é antes de tudo uma controvérsia de comunicação política, em que cada lado tenta capitalizar o significado do uniforme.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram o ângulo da liberdade de expressão e do patriotismo. Sob essa ótica, vestir a camisa da seleção é um gesto legítimo de amor ao país, e a reação da esquerda revelaria incômodo com a manifestação de orgulho nacional por parte de um candidato conservador. O questionamento, nessa interpretação, seria uma tentativa de reservar a um único campo o direito de definir o que é aceitável dizer e vestir.
O episódio se insere num contexto de forte polarização da política colombiana, em que símbolos nacionais e culturais passam a ser disputados como ativos de campanha. A camisa da seleção, antes um ponto de união em torno do futebol, transformou-se em terreno de embate entre direita e esquerda.
O que ainda não se sabe é como Abelardo de la Espriella respondeu publicamente à acusação de Iván Cepeda, qual será o impacto da polêmica sobre as intenções de voto e se outros candidatos vão aderir ou repudiar o uso do uniforme como símbolo eleitoral. As matérias do cluster registram a controvérsia, mas não trazem o desfecho desse embate.