Estudantes da França protestam contra cortes de Macron na educação
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A cobertura de esquerda trata os protestos como reação da juventude ao arrocho fiscal do governo Macron, que prevê cortar 54 bilhões de euros em 2027, eliminar 1.588 postos de professores e fechar cerca de 400 escolas. Destaca quase 2 mil detidos, a maioria adolescentes, feridos graves pela ação policial e a tentativa do governo de atribuir o movimento à França Insubmissa, o que entidades estudantis veem como forma de infantilizar os jovens.
Estudantes franceses fizeram nesta terça-feira um dia nacional de protestos, com bloqueios de escolas em Paris e Estrasburgo, após duas semanas de mobilização iniciada nos subúrbios pobres de Paris. Eles cobram do governo do presidente Emmanuel Macron solução para a falta de professores e prédios em más condições.
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Estudantes franceses fizeram um dia nacional de protestos com bloqueios de escolas em Paris e Estrasburgo. Eles cobram do governo de Emmanuel Macron solução para a falta de professores e prédios precários, enquanto o primeiro-ministro Sébastien Lecornu prepara um orçamento com corte de 54 bilhões de euros em 2027.
Estudantes franceses voltaram às ruas nesta terça-feira, 6 de outubro, num dia nacional de protestos contra a falta de recursos nas escolas. Adolescentes de escolas públicas, particulares e de classes preparatórias montaram barricadas com lixeiras em frente a escolas de Paris e Estrasburgo. O movimento cobra do governo do presidente Emmanuel Macron uma resposta à falta de professores e aos prédios em más condições.
A mobilização começou há cerca de duas semanas em Seine-Saint-Denis, região popular nos arredores de Paris, e se espalhou pelo país. Na quinta-feira, 1º de outubro, o ministério do Interior registrou protestos ou incidentes em 1.027 instituições de ensino. O governo respondeu com a polícia de choque e passou a tratar parte dos atos como violência urbana. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu ordenou que os ministros apresentem até o fim de outubro medidas sobre a substituição de professores ausentes, a jornada escolar, hoje das 8h às 18h, o tempo de almoço e reparos em prédios antigos.
O pano de fundo é fiscal. O governo apresentou uma proposta de orçamento que retira 54 bilhões de euros dos gastos públicos em 2027, enquanto investidores se preocupam com a dívida francesa. O rendimento do título de dez anos chegou brevemente a mais de 5% na semana passada, o maior nível em 24 anos.
A cobertura de centro deu destaque às vozes dos estudantes e ao contexto econômico. Um aluno disse que os jovens se sentem desprezados quando a resposta do governo é a força. Uma estudante lamentou que a imprensa mostre mais a violência do que as reivindicações e disse esperar mais verba para a educação no orçamento.
Veículos de esquerda destacaram o que chamam de arrocho fiscal. Segundo essa cobertura, o pacote prevê eliminar 1.588 postos de professores e fechar cerca de 400 escolas. Esses veículos enfatizaram a repressão: quase 2 mil pessoas detidas, a maioria adolescentes, uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha, dois jovens com ferimentos graves nos olhos. O ministério da Educação contou 170 estudantes e 65 trabalhadores feridos, e o governo registrou mais de 300 policiais e bombeiros atendidos. A mesma cobertura relatou que o governo acusa a França Insubmissa, partido de Jean-Luc Mélenchon, de estimular os atos. O partido nega. Mélenchon apoiou os estudantes e falou em repressão com conotação racista. A Union Syndicale Lycéenne, entidade de secundaristas, disse que o governo infantiliza os jovens.
Macron reconheceu que as reivindicações são legítimas, mas condenou os bloqueios. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, pediu aos procuradores uma resposta firme e a cobrança dos pais por prejuízos causados por filhos menores. Houve incêndios em Nantes, Marselha, Estrasburgo e Le Havre.
Até o momento, nenhum veículo de direita cobriu o caso no material analisado.
Ainda não se sabe quais medidas os ministros vão apresentar, se o corte de postos de professores será mantido no orçamento que o Parlamento vai votar, nem quantos dos detidos responderão a processo.
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