Os Estados Unidos bombardearam alvos no Irã na sexta-feira (26 de junho de 2026), em retaliação ao ataque com drone que atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz no dia anterior. Não houve registro de vítimas no ataque ao cargueiro, que tinha bandeira de Singapura e foi atingido nas proximidades da costa de Omã. O Comando Central americano, o Centcom, informou ter mirado instalações de armazenamento de mísseis e drones, além de posições de radar na costa iraniana, classificando a operação como uma resposta poderosa a uma agressão injustificada contra a navegação comercial.
O episódio se insere num arranjo diplomático recente e frágil. Em 17 de junho, Estados Unidos e Irã firmaram um memorando de entendimento com 14 pontos para encerrar as hostilidades. O acordo previa, entre outros compromissos, que o Irã garantiria a passagem segura e sem cobrança de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz durante 60 dias. O bombardeio americano foi justificado como resposta ao que Washington considerou uma violação desse cessar-fogo.
A cobertura de centro, como a da BBC, relatou os fatos com paridade entre os lados. Registrou o comunicado do Centcom de que as Forças Armadas dos EUA continuariam apoiando a passagem segura de navios, e também a reação da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que responsabilizou Estados Unidos e Israel pelo ataque ao navio e ameaçou: se a agressão se repetir, a resposta seria ainda mais ampla. O vice-presidente americano, JD Vance, afirmou em rede social que o Irã poderia recorrer ao telefone em caso de divergências sobre a execução do memorando, mas que a violência seria respondida com violência.
Veículos de direita enfatizaram a quebra da trégua pelo Irã e a legitimidade da reação americana. Nessa leitura, Teerã rompeu o cessar-fogo ao atacar a navegação comercial e tentar impor rotas e pedágios a uma via navegável internacional, e os Estados Unidos agiram para preservar a liberdade de passagem por um corredor essencial ao comércio mundial de combustíveis. Os textos desse campo destacaram a posição do governo americano de que o Irã havia concordado em não cobrar pedágios das embarcações.
Veículos de esquerda, por sua vez, enquadraram o episódio dentro de um quadro mais amplo de militarização e instabilidade global. Destacaram que o Irã reivindica soberania sobre um corredor que margeia o próprio litoral e adverte que nenhum navio poderá cruzar o estreito sem autorização iraniana, sob ameaça de medidas apropriadas. Essa cobertura associou o conflito ao avanço de tensões simultâneas em Gaza, no Irã e na Ucrânia, e à acusação iraniana de que tanto o governo americano quanto Israel descumprem acordos.
O Estreito de Ormuz é uma passagem de cerca de 30 quilômetros de largura que separa o Irã de Omã e concentra parte decisiva do transporte mundial de petróleo e gás. Sua interrupção, no fim de fevereiro, já havia provocado disparada nos preços internacionais do petróleo e afetado o fluxo de outras commodities, como fertilizantes. A Guarda Revolucionária também acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano, no mesmo dia em que israelenses e libaneses assinaram, em Washington, um acordo-quadro para um plano de paz.
O que ainda não se sabe é se os ataques americanos foram isolados ou parte de uma ofensiva mais ampla e contínua. Não há, até agora, avaliação independente sobre os danos reais provocados nas instalações iranianas, nem clareza sobre o futuro do memorando de entendimento e da passagem comercial pelo estreito nos dias seguintes.